Destaques Do Leitor

O lavador de louças

24 de agosto de 2020

Agora “… todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, tenho todo o tempo do mundo”! É, aposentei, agora é assim: “tenho todo o tempo do mundo”! Se a ociosidade enferruja, aproveito para ganhar mais tempo com a família, para adolescer junto com meu neto Yuri e seu tio João Victor, ler bons livros, curtir boas músicas, plantar e cuidar de mais árvores, caminhar na Sabiá de manhã, de tarde…não, de noite não tem jeito, é um breu só (pena!), escrever textos prá Folha e…lavar louças! Isso mesmo, assumi novas e definitivas funções aqui no ambiente doméstico. Auxilio minha esposa nas infinitas tarefas do lar.

Facilito as atividades escolares e esportivas do meu filho menor; varro e limpo o quintal e a calçada, faço café, lavo os tapetes pesados, ponho o lixo prá fora, limpo o fogão e a pia, afinal, ajudo geral. Mas labuta mesmo é com os pratos: gente, o trem não para, não tem fim! Toma café e dá-lhe louça, almoçamos e lá vêm os pratos, garfos, copos, xícaras, colheres, tigelas, panelas… Depois do lanche, da janta, olha tudo de novo: pratos e cia “iLtda”. Nó, os pratos não param, não param, não, eles não param não! Que privilégio: prato sujo é porque tem comida! Louvado seja Deus. No frio então, meu Deus…a água congela os dedos, a gordura só sai com água quente.

Coisa que não pode acontecer é acumular louça suja. A visão anárquica da pia transbordando louça é aterrorizante. Aprendi uma regrinha básica: não deixe prá lavar depois a louça que você pode lavar agora, sujou lavou! Praticamos a Coleta Seletiva Doméstica aqui em casa. Cascas de frutas, de ovos e legumes e o pó de café usado servem para produzirmos esterco. As embalagens de papel, plástico e metal são destinadas à reciclagem na Coocares e na Aação Reciclável. Participe!

Aqui, nesse novo e “emocionante” mundo, lembro do meu antigo trabalho. Lembro-me do serviço, dos cursos de tesouraria e voluntariado em BH, da pausa para o café, dos jogos da copa, das festinhas juninas “Luarr du Serrtão, dos eventos “ “Café com Prosa” no asilo, do “Padrinho de Natal Cristão” nas creches e o Projeto Ecocidadão ambiental. Não consigo deixar para trás muitas saudades, muitas boas e inesquecíveis recordações. “Essa saudade que eu sinto de tudo que eu vivi” e de tudo que eu ainda não vivi, paradoxal. As fotos, a imagem no espelho e a própria aposentadoria evidenciam a estrada percorrida. Usar o creme anti-idade (?) da “fonte da juventude” agora, com saudade dos 26, é acreditar que Narciso, além da vaidade, sofria de insanidade.

Assim que Deus nos libertar desse vírus, vamos dar umas voltinhas por aí, bora lá levantar poeira na Canastra, uai! Sei que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia” e mesmo “desejando voar sem instrumentos, ao sabor dos ventos”, é imprescindível prá alma manter ativas as amizades, o estabelecimento de novas conexões, visitar estações sonhadas e paisagens almejadas, escrever novos capítulos, tipo “mais do mesmo” também, no nosso livro dos dias. Teremos coisas bonitas prá contar, e fazer. A nossa nova história começa agora, não olhe prá trás, temos muito ainda por fazer.
Força Sempreeh!

Jorge Moreira Maciel – Passos/MG