Destaques Dia a Dia

O homem, hoje

Por Décio Martins Cançado

11 de agosto de 2020

Hoje, por ainda estar próximo ao Dia dos Pais, decidi escrever a respeito dos homens, considerando que, inevitavelmente, temos que ter em mente que eles não existem sem as mulheres. Um assunto sempre está interligado ao outro, as ações de um sempre vão acarretar reações do outro, num jogo interminável de atração e repulsão, de amor e conflito, de carência e de autonomia. Essa história é muito antiga, podemos até afirmar, como no jargão popular: “desde que o mundo é mundo”.

É evidente que “não estamos aqui para dizer a você como ser um homem. As mulheres sabem como você é, e você, que é um homem, sabe o que é ser um deles”. Atenção, mulheres, para as mudanças ocorridas no “sexo forte” nos últimos tempos: “Nós já ficamos sensíveis. Ligamos para a mãe dela no aniversário. Assistimos com ela a filmes no Netflix. Nós trocamos a fralda do bebê e não caímos no sono (imediatamente) depois do sexo (além do que, estamos atualizando cada vez mais nossos conhecimentos de como satisfazer as mulheres). Nós colocamos as crianças para dormir, apoiamos e respeitamos os avanços que elas fizeram em casa, no trabalho, na cama. Nós admiramos as mulheres. Amamos as mulheres.

Tudo isso sem deixar o papel de ‘guerreiros’, ‘protetores’ e ‘provedores’.  Já aprendemos a cuidar do corpo na Academia, fazemos ioga, vamos à igreja, limpamos a pele. Agora podemos voltar aos clássicos rituais masculinos sem que eles causem embaraço a ninguém – sobretudo a nós mesmos. A era do politicamente correto tentou transformar isso num crime. Não é. Temos o direito de encher a cara no boteco com os amigos e os inimigos (de vez em quando), jogar bola no sábado à tarde, armar uma mesa de truco, levar o filho para cortar o cabelo no barbeiro do bairro e convencê-lo a torcer pelo mesmo time que o nosso. Temos o direito, às vezes, de nos comportar mal.
Não somos irresponsáveis. Não somos meninos. Somos homens.

Como sempre costumamos dizer: não queremos ensinar nada. Queremos levar inspiração, exemplos. O restante é com a mulher, embora saibamos que existem ‘homens’ e ‘Homens’. Como em qualquer lugar, sobre qualquer assunto e em qualquer circunstância da vida, não há como generalizar. Por ser assim, queremos destacar os heróis que admiramos. Os valores que cultivamos. As qualidades que perseguimos. Também queremos fazer um retrato completo de nossos hábitos, desejos e medos, para quem já deixou de ser menino.

Há vários tipos de coragem. Encarar de frente um perigo físico, digamos. Alguns desafios são mais silenciosos e traiçoeiros. Para enfrentá-los, é preciso altivez e serenidade. Poucos têm a coragem de encarar desafios tão elevados quanto o escritor inglês Christopher Hitchens. Ateu fervoroso, conservador assumido, descobriu que tinha um tipo de câncer no esôfago que lhe daria pouco tempo de vida. Em sua única entrevista após a descoberta, ele explicou que iria defender sua crença até que a dor ou o tratamento o enlouquecessem. Quando o repórter lhe disse: -“Você se perguntou: Por que eu”? Hitchens respondeu: -“Não. Eu me perguntei: Por que NÃO eu?”

Ser homem implica a capacidade de se reinventar, por determinação própria ou circunstâncias do destino. Algumas vezes, o estopim de uma reviravolta na vida de um homem é um conflito existencial, que o leva a escolher novos caminhos, tomar atitudes drásticas em sua vida, ou nos negócios. Em qualquer dificuldade que aparecer, toda vez que pensar em desistir, é bom lembrar de quem chegou ao fundo do poço e deu duro para voltar à superfície.
Ser homem, hoje, inclui cultivar a elegância, em suas mais diferentes facetas. A elegância começa na voz. Falar ao pé do ouvido da mulher com uma voz de Sean Connery (o primeiro 007) é algo que poucos conseguem, mas que não podem deixar de tentar.

O que se sabe é que um homem precisa de heróis. Só os idiotas acreditam que ter heróis é ruim. Os gênios, os homens que se destacaram e se destacam, nos mais variados setores de atividade, inspiram-nos a chegar perto deles. A trajetória dos grandes homens nos faz refletir e ser pessoas melhores. Basta vencer a inércia. Não importa a idade. Pode ser aos 30, 40, 50. Ou até mais que isso. Acima de tudo, ser homem, hoje, é entender e assumir que somos uma obra em contínuo estado de aperfeiçoamento. Jamais saberemos onde isso vai dar. É como disse o mestre Clint: “Se você quer garantia de alguma coisa na vida, compre uma torradeira”. (Baseado em texto de Kiko Nogueira, Sergio Ruiz e Marcelo Zorzanelli)