Destaques Dia a Dia

O foco nos problemas

21 de julho de 2020

Existem determinados problemas que envolvem a sociedade como um todo e que, décadas se passam sem que sejam solucionados, principalmente pelos poderes públicos. Além da questão econômica, que deve ser enfrentada e bem resolvida, há outros de também igual ou maior importância.

A Educação talvez seja a principal. Educar bem as crianças e jovens é o meio pelo qual se conseguirá mudar algo em uma sociedade, porque os adultos já têm sua formação intelectual e seus hábitos de vida consolidados. É uma missão quase impossível, segundo já diziam os antigos, valendo-se do ditado popular: “burro velho não pega marcha” ou, por associação: “é mais fácil desintegrar um átomo do que mudar um preconceito (no caso, uma ideia arraigada)”.

Saúde é o que todas as pessoas buscam, mas esse conceito tem sido ampliado cada vez mais. Não é apenas a presença de uma doença que caracteriza a falta de saúde. A qualidade de vida, a alegria, o prazer de viver, a autoestima, a paz interior, são algumas das características de uma pessoa saudável, além de outras tantas definições mais recentes, como a saúde mental, a saúde bucal, a ‘geriatria infantil’ (que inicia a prevenção de problemas da velhice desde cedo, através da mudança de hábitos alimentares, por exemplo).

Educação, saúde e trabalho. Eis o trinômio completo, tão prometido, tão esperado, mas nunca conseguido. Querem resolver uma deficiência existente na educação, estabelecendo o sistema de “cotas” para determinados segmentos, ao invés de aumentar as vagas nas universidades federais ou melhorar a qualidade do ensino, desde a base. Ao contrário de resolver o problema, atacando o mal pela raiz, adotam medidas paliativas e demagógicas, sem fundamentação criteriosa, sem visão de longo prazo.

Foi constatado que empregos há. O que não se encontram com facilidade são pessoas habilitadas para ocupá-los, o que seria resolvido através de uma educação de qualidade. A ociosidade, a falta de perspectivas aumentam e, junto com elas, a violência, o tráfico de drogas, a prostituição infantil, o alcoolismo.

Na saúde, a grande maioria de nossa população depende do SUS que, segundo recente pesquisa, não atende bem a população. Está se concretizando um círculo vicioso que nossos governantes não estão enxergando, ou não estão querendo enxergar, e que a cada dia se avoluma mais. Violência por falta de emprego, falta de emprego por falta de formação, falta de saúde por falta de boas condições de vida que, por sua vez, seriam conseguidas através de uma boa educação.

Esteve em discussão em um programa de TV a eficácia da Homeopatia. Resolve ou não resolve? Poderá apenas uma molécula de substância combater milhões de bactérias? Ou ter ação em outras células? E o ‘placebo’, uma substância sem nenhum agente ativo, uma água com corante, que por indução psicológica apresenta cura em alguns casos? Parece que nossas autoridades querem atacar uma grave ‘infecção’, utilizando apenas um ‘analgésico’. Nossos governantes estão utilizando essa metodologia. Tentando resolver problemas muito graves, num país com dimensões continentais, com enormes diferenças regionais, num mundo globalizado, utilizando doses ‘homeopáticas’.

Os responsáveis pelas decisões têm que, urgentemente, deixar que as questões econômicas, que são importantes, sejam prioritárias e atentar para o que pode realmente melhorar a qualidade de vida das pessoas. Saúde, Educação e Trabalho. Uma coisa depende da outra e, no Brasil, essa situação tende a se agravar por falta de uma visão mais abrangente e de ações firmes e eficazes.

Os problemas estão chegando ao interior, até nós, e está ficando sem controle nas grandes cidades. Uma população mal atendida nos hospitais, sem moradia, sem uma boa formação ética e cidadã, através da educação, acaba migrando para as drogas, a marginalidade, o subemprego e para a violência.

É urgente que nós, os educadores e as famílias, pais e professores, unamo-nos para tentar reverter esse quadro, cada vez mais real em nosso meio, e cada vez mais assustador, sob pena de ficarmos reféns de uma situação que tende a tornar-se incontrolável.