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Número de pretos e pardos eleitos aumenta 104% na região

21 de novembro de 2020

PASSOS- As eleições municipais de 2020 foram marcadas pelo aumento de diversidade nas candidaturas. Isso também ocorreu na região, uma vez que o número de pretos e pardos aumentou 104% em comparação ao pleito anterior.

Devido às eleições – ainda recentes – e ao Dia da Consciência Negra, celebrado na sexta-feira, 20, a reportagem fez um levantamento dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e constatou que na região há 37 eleitos que se declararam pardos e 12 que se declararam pretos. No pleito de 2016, eram 19 eleitos pardos e cinco pretos. O quantitativo de candidaturas também apresentou aumento, neste ano, em Passos. Ao todo, 15,64% dos 179 candidatos a vereador eram negros, ante 12,5% dos 112 postulantes em 2016.

Por mais que a maioria das cidades da região tenha eleito ao menos um negro, Capitólio, Capetinga, Claraval, Delfinópolis, Itamogi, Nova Resende e São Roque de Minas foram na contramão e não elegeram nenhum para ocupar as cadeiras.

Como lembra a estudante de jornalismo da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), campus Passos, e militante do movimento negro, Graziele Pereira, mais da metade da população brasileira é negra, tornando o Brasil o país que mais concentra negros fora do continente africano. No entanto, ela afirma que justamente essa população é a mais marginalizada.

“Então quando você elege uma representação negra para cargos no Executivo e no Legislativo, que executam e criam leis, projetos e políticas públicas para assistir os seus, reduz o abismo das desigualdades sociais e resguarda a saúde e a segurança da população negra, que infelizmente é tão negligenciada. Nas eleições municipais deste ano, tivemos um recorde de candidaturas de mulheres e de negros. Na minha visão, isso é extremamente positivo, uma vez que só nos aproximamos, de fato, da democracia quando construímos mandatos plurais, que representem o máximo de pessoas possível”, comentou Graziele.

O professor da Uemg e mestre em História, Jean Carllo de Souza Silva, diz que as populações negras brasileiras são historicamente excluídas da política e “a raiz disso, provavelmente, se encontra no sofisticado e duradouro sistema escravocrata e na abolição pouco ‘libertadora’ que o sucedeu”.

Ele acredita que esse cenário só foi modificado a partir da década de 1980, com a rearticulação dos movimentos negros com propostas de candidaturas e pautas direcionadas à população negra.

“Proporcionalmente, elas ainda são poucas, mas chega a ser alentador que nessas eleições municipais um número maior de candidatos e, especialmente, candidatas negras tenham sido eleitas. Talvez os debates antirracistas e as denúncias do racismo que apareceram nos últimos anos tenham contribuído para isso. Talvez o despertar de uma consciência da necessidade de se inserir na política institucional também tenha contribuído. Mas isso são palpites. O fato é: os negros e negras deste país sempre fizeram política com os seus corpos. Mesmo na escravidão houve resistência, portanto, fez-se política”, declarou.