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Novembro quente

10 de dezembro de 2020

O último mês de novembro foi o mais quente já registrado no mundo, segundo cientistas do Serviço de Mudança Climática Copernicus, do Programa de Observação da Terra da União Europeia. Na segunda-feira, 7, o órgão anunciou que a temperatura média global de novembro foi 0.1 ºC maior que os recordes registrados anteriormente, em 2016 e 2019. O calor se estendeu por largas faixas do planeta, com as maiores temperaturas acima da média no norte da Europa, Sibéria e Oceano Ártico. Boa parte das cidades dos Estados Unidos também ficaram mais quentes que a média histórica.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Ano
  • La Niña
  • Relatório

Ano

O Copernicus disse que, até o momento, as temperaturas de 2020 estão similares às de 2016, o ano mais quente da história. Se houver uma queda significativa das temperaturas em dezembro, 2020 deve permanecer nos mesmos níveis de 2016 ou superar o recorde e se tornar o mais quente por uma pequena margem. “Estes recordes são compatíveis com a tendência de aquecimento global”, disse o diretor do Copernicus, Carlo Buontempo. “Todos os legisladores que têm como prioridade amenizar os riscos climáticos devem considerar esses recordes como sinais de alerta.”

La Niña

Em setembro, o mundo entrou no La Niña, uma fase climática marcada pelo registro de temperaturas mais frias que o normal nas superfícies do Oceano Pacífico. O fenômeno se junta ao El Niño e afeta o clima ao redor do mundo. No mês passado, cientistas da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA disseram que o La Niña havia ganhado força, o que significa que as temperaturas das superfícies caíram. Embora o fenômeno possa levar a condições mais quentes em certas regiões – especificamente no sul dos Estados Unidos – geralmente o efeito é de resfriamento.

Relatório

Na última semana, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um relatório que apontou, entre outras coisas, que 2020 deve terminar como um dos três anos mais quentes desde que a temperatura global começou a ser medida, no fim do século 19. O secretário-geral da OMM disse que o efeito do La Niña “não foi suficiente para frear o calor deste ano”. Marybeth Arcodia, doutoranda da Universidade de Miami que estuda as dinâmicas climáticas, ressalta que existem outros elementos que podem afetar o clima, como oscilações naturais dos ventos, precipitação, pressão do ar e temperatura oceânica em escalas diferentes do tempo. Mas o fator principal, segundo ela, é a mudança climática causada pelos humanos. Segundo os cientistas do Copernicus, o calor registrado no Ártico em novembro deste ano desacelerou o congelamento no Oceano Ártico. A extensão da cobertura de gelo no mar foi a segunda menor registrada nos meses de novembro desde 1979.