Destaques Entrevista de Domingo

Norival aposta em inovação administrativa e tecnológica

Por Adriana Dias e Thalita Sousa / Da Redação

21 de dezembro de 2020

Foto: Reprodução

Norival Francisco de Lima, 65 anos, aposentado, casado com Zilda Aparecida Pedroso de Lima e pai de Daniele Elisa de Lima Calixto, Douglas Pedroso de Lima, Lígia Caroline de Lima Correa e Olivia Maria Pedroso de Lima Bárbara foi eleito, pela quarta vez nas duas últimas décadas como prefeito de Itaú de Minas. Nos anos 2000, ele decidiu entrar para a política, motivado pelo sonho de uma cidade mais justa, uma administração democrática e pensando no ser humano.

Fundada em 31 de dezembro de 1943, a cidade tem apenas 11 anos a mais que o prefeito eleito no dia 15 de novembro deste ano e que vai assumir no dia 1º de janeiro de 2021 a administração municipal de Itaú de Minas, emancipada em 11 de setembro de 1987, há apenas 33 anos. O entrevistado deste domingo contou que em 2001, assumiu pela primeira vez a administração da cidade, se tornando prefeito.

Desde então, graças à confiança que o povo depositou em sua administração em outras três oportunidades, ele contou à reportagem que pode trabalhar duro no sentido de traçar o caminho rumo à concretização da Itaú dos sonhos da população. Durante esse período, seu cuidado com Itaú de Minas se refletiu no zelo com a cidade, na ampliação da prestação de serviços de qualidade, na modernização e na transparência da gestão pública e, principalmente, no olhar atento às pessoas.


Folha da Manhã – Para o senhor, já aposentado, e prefeito de Itaú de Minas por três vezes, esta quarta eleição é um sonho?

Norival – Nunca sonhei sozinho por uma cidade melhor, tenho a humildade e a felicidade de reconhecer que também que nunca precisei caminhar sozinho. Minha gratidão será eterna a todos os que trilharam este caminho comigo. Tenho a sorte de sempre ter ao meu lado pessoas que compartilham a mesma vontade de trabalhar por uma Itaú de Minas cada vez melhor. Zelo pela minha palavra, pelo meu nome, pela minha família e pelo povo de Itaú de Minas. Por isso que venci e tenho o compromisso de cumprir o que tenho como propósito para fazer.


FM – E, já têm os orçamentos e a situação financeira da prefeitura para ver se tem rombo ou superávit?

Norival – Ainda não recebemos a documentação. Ouvimos falar de uma dívida grande com a Cemig. Nos preocupa muito as coisas que tínhamos e não temos mais, como transporte escolar para as faculdades da região, a filarmônica, nestes 4 anos não foi feita uma cirurgia eletiva sequer e acabaram se as consultas especializadas. O sucateamento e a depreciação de estruturas, como parque de eventos, campos de futebol, oficinas mecânica, serralheria e outros. A volta as atividades desses setores custara aos cofres públicos, milhares e milhares de reais


FM – O fato de ter um vice-prefeito jovem te ajuda? O desafio é você modernizar a máquina administrativa e digitalizar tudo.

Norival – Sim, a tendência é modernizar e inovar todos os processos, sejam eles administrativos ou operacionais.


FM – Com relação ao pessoal, a prefeitura de Itaú está comprometida em percentuais de folha de pagamento?

Norival – A folha de pagamento da prefeitura de Itaú de Minas está comprometida, talvez por uma situação legal. Lá por volta de 1994, época da municipalização das escolas, Itaú saiu na frente, municipalizou até o segundo grau. A primeira vez que fui prefeito, o secretário de Educação de Minas Gerais explicou que não era possível devolver a municipalização do segundo grau ao Estado. Diminuíram o número de estudantes ao longo dos anos, porém, a estrutura ficou com os cargos efetivos. O número de cargos contratados e comissionados são poucos.


FM – É possível fechar alguma destas escolas?

Norival – Estamos estudando a unificação de escolas. Teremos de abrir mão de uma ou outra escola. Não dá para remanejar professores e servidores, o que a gente pretende então, se porventura houver professores excedentes que sejam reforços num possível período legal da escola


FM – Qual vai ser o primeiro ato do senhor como prefeito eleito?

Norival – Em 1º de janeiro, o que nós pretendemos, eu e o Matheus, até lá sabendo da atual situação da prefeitura é começarmos a implantar novos desafios na administração pública. O que se fazia há quatro anos pode não dar certo hoje. Nós vamos trabalhar com uma inovação administrativa e tecnológica que acreditamos, seja a solução para todos os níveis da prefeitura.


FM – Para isso, o senhor disse que tem uma agenda em BH nesse sentido. Onde e com quem?

Norival – São contatos da iniciativa privada e também do governo do Estado, mas eu prefiro ter os contatos primeiro para depois falar.


FM – Já começou o processo de transição?

Norival – Exatamente. A transição foi pedida em tempo hábil. O prefeito nomeou a equipe de transição, porque é assim que funciona, o prefeito que nomeia tanto a gente quanto a equipe dele.


FM – O senhor apresenta alguns nomes?

Norival – Não, não. Foi o seguinte, nós mandamos o ofício e só apresentamos o meu nome e o do Matheus. O que nós pretendemos é ter uma visão própria da situação da prefeitura, a análise será feita pela nossa equipe contábil, de engenharia. A princípio, serão adicionados Norival Lima e Matheus que são os membros da comissão de transição.


FM – Lá são secretarias? Quantas?

Norival – São 10 secretarias. A nossa intenção é iniciar janeiro com, no máximo, três secretarias preenchidas, que são as de Educação, Saúde e Serviços Urbanos. Até no sentido de realmente verificar, não parar e ver a situação real do município e, com agilidade, preenchermos as vagas que forem necessárias.


FM – O senhor já tem esses nomes?

Norival – Tenho o nome da secretaria de Saúde , a senhorita Emilaine Pereira, que é enfermeira padrão e a secretaria de Educação a senhora Maria Flavia Garcia que é Educadora. Já o secretario(a) de Serviços Urbanos deve ser anunciado nos próximos dias.


FM – O senhor falou de alguns problemas que o senhor enxerga na prefeitura. Quais os maiores desafios?

Norival – Um dos grandes desafios não só da nossa gestão, como de todas as gestões das cidades aqui da região é a geração de emprego e renda. Nós sabemos que, mesmo com o possível para atrair novas empresas, e novos nichos de empresas, a concorrência é muito grande. Então, nós sempre tivemos em mente como metodologia de serviço da gente, preparar nossos jovens profissionalmente para que estejam aptos. Não tem emprego lá em Itaú, mas tem em Passos, tem em São Sebastião do Paraíso, tem na região. Esse incentivo ao transporte escolar e à parceria com faculdades sempre foi muito importante. Logicamente que eu entendi que foi uma ação que certamente o prefeito tomou, porque, na época, ele tinha que tomar, não sei o motivo. Nós já estamos em conversas com a fundação de uma associação de estudantes, que mesmo que o transporte intermunicipal não seja totalmente viabilizado num primeiro momento, haverá uma parceria. Então, é uma parceria com a associação dos estudantes para a ajuda dos custos dos transportes.


FM – O senhor citou também a filarmônica. Que é algo que sempre teve no Itaú e que está suspensa. Analisa também o retorno?

Norival – Filarmônica municipal, logicamente, ela não foi criada por mim, foi mantida durante o período em que eu e outros prefeitos estiveram na administração. Acho de extrema importância cultural e também social, porque os jovens de uma determinada faixa etária podem desenvolver suas aptidões musicais na filarmônica e tendo para isso uma ajuda de custos. Então, logicamente, não com a mesma prioridade do transporte escolar que começou agora em janeiro, fevereiro, nós devemos sim lutar para que nossa filarmônica volte às atividades normais. Em final de ano era uma beleza, as cantatas de natal, apresentação nas portas das lojas, nas praças. Não só os pais dos envolvidos, mas a comunidade lotava a praça e todo aquele clima festivo. Apesar de que esse ano também por questões da pandemia nem sei se poderia ter, mas essa é a nossa intenção.


FM – Quais os outros principais gargalos que Itaú tem?

Norival – Por exemplo, hoje nós temos aí um gargalo e uma preocupação muito grande quanto ao Hospital de Itaú que passa por sérias dificuldades e eu pretendo que a prefeitura seja parceira para resolver os problemas do hospital. É administrado por uma fundação. Então, a saúde em si, nós precisamos estabelecer um fluxo de atendimento.


FM – Ainda que Itaú conte um pouco com o apoio da saúde de Passos, faz falta estes procedimentos eletivos?

Norival – Na realidade, Passos é a nossa referência em urgência e emergência. É o apoio que nós temos. A atenção básica do município é através dos PSF’s e do Pronto Socorro do município, mas, média e alta complexidade ou é Passos ou Paraíso que temos para nos socorrer.


FM – Itaú é a mais jovem das emancipadas daqui da região? Já teve tempos de grandes recursos financeiros por conta da Cimentos Itaú?

Norival – Sim, a emancipação da cidade é pouco mais velha que o Matheus, meu vice. Nós tínhamos recursos bons oriundos dos impostos da empresa de Cimentos Itaú. Ao longo do tempo foram modificadas as situações fiscais do Estado de Minas Gerais e do próprio município. Realmente, no início a renda era distribuída muito mais no município, mas com o advento da lei Robin Hood, que criou uma sistemática em que municípios com menor renda também tivessem uma participação igualitária, diminuiu muito a transferência. De uns anos pra cá, de uns 8 anos pra cá, com a crise econômica do país, uma das áreas que foi impactada é principalmente a construção civil, então o nosso VAF – o Valor de Arrecadação Fiscal – baixou. Hoje temos que viver dentro dessa realidade, aquela fama que tínhamos de uma cidade rica já muito não existe mais.


FM – Qual alternativa para esta questão de arrecadação?

Norival – É mais o setor de serviços, setor de transportes que gravitam em torno da Votorantim Cimentos atualmente. Eu sempre digo o seguinte: que a prefeitura não é uma empresa privada que quanto mais você fatura, você recebe. Ela vive em 85% de transferências constitucionais ou do governo do Estado ou do governo Federal. Dependendo você fica refém da situação fiscal de ambos. Então, tem que ter um controle muito grande das despesas que você tem, porque tem mês que você espera x que vem –x. Tem que ter um orçamento bastante enxuto e pés no chão. Até com uma avaliação, do mês seguinte, faz uma avaliação anual, se tem que rever aquilo, que de repente suas metas de arrecadação você não tem atendido. É necessário ter um controle muito amplo de despesas em todos os setores para realmente poder equilibrar o orçamento de um município.


FM – O senhor pensa em buscar novas empresas?

Norival – Com certeza. Tanto é que esses contatos e essas viagens são nesse sentido, mas nós também sabemos do momento em que o país está e temos muitos concorrentes. Estamos entre dois pólos que são Passos e São Sebastião do Paraíso, às vezes um município maior oferece mais possibilidades para aqueles que queiram se instalar, inclusive até no consumo de determinada produção. Então, vê um município de 18 mil habitantes e aí vê um de 70 e 100 mil, fala “não, espera, mas meu público consumidor está ali”. Então, temos isso, mas estamos convictos de uma nova política de incentivos para empresas que queiram se instalar no município.


FM – O senhor sempre teve uma excelente relação com os deputados e senadores aqui do nosso entorno. Tanto que o senhor foi assessor parlamentar do Antônio Carlos Arantes, tem um bom relacionamento com o Cássio Soares, com Rodrigo Pacheco, Carlos Melles, Renato Andrade, Emidinho Madeira e Diego Andrade. O senhor acha importante e fundamental essa união?

Norival – Essa parceria é fundamental, sim. Apesar de que nós entendemos que o momento fiscal do Estado e do Município não está bom, mas a maior parte da arrecadação dos municípios elas vão para o Estado e para a União para depois serem repartidos, por meio de emendas e a própria Constituição estabelece que, por exemplo, o ICMS que o município recolhe vai todo para o Estado e deste, 25% que é distribuído. Então, quer dizer que o Estado fica com 75% do que o meu município arrecadou, logicamente, que isso é devolvido em emendas e em projetos e planos do governo que tem muitos, o governo também tem sua participação nas transferências do município sim. Mas, nada como termos bons relacionamentos com os deputados, até porque, entendo todos eles foram votados em Itaú de Minas. Não é por a gente ter uma relação pessoal com os deputados, é que eles foram votados em nossos municípios e eles precisam sim atender os anseios do nosso município, mas sempre tivemos um diálogo de alto nível com todos eles.


FM – O senhor tem algum interesse em ser deputado estadual ou federal?

Norival – Não. Essa pretensão de ser deputado nunca existiu. Eu acredito que encerro meu ciclo político nessa eleição. Quando eu entrei na política há 20 anos era porque naquela época já cobravam renovação e eu acho que temos que ter renova


FM – A somatória da sua experiência e da jovialidade de seu vice, mesmo tendo experiência como vereador foi ingrediente para a vitória?

Norival – Desde quando iniciamos o processo político, na realidade não coloquei nomes, eu coloquei modelos que deveriam ser seguidos até no sentido de que futuramente tivessemos renovação. Acho que o nome do Matheus veio a calhar, porque na realidade era uma pessoa que se enquadra naquele perfil e modelo que o nosso grupo político pretendia. Tivemos também diversos vereadores que são jovens, de primeira eleição, e mesmo outras chapas tiveram também candidatos jovens e diferentes. Então, eu acho que isso aí sim, nós estamos começando uma renovação que com certeza vai dar para o município