Destaques Dia a Dia

No Mundo das Gírias

POR SEBASTIÃO WENCESLAU BORGES

26 de agosto de 2020

As gírias que saíam da boca dos jovens de minha época lá pelos anos 50 e 60 procuravam colocar um modo mais informal no meio da conversa. Gíria é uma linguagem amada por uns, outros torcem o nariz, não entendem nada e ficam “boiando”. Muitas gírias com o passar dos anos deixam de ser faladas e são substituídas por outras, mas a maioria delas resiste ao tempo, e até os dias atuais saem da boca de muitos, principalmente os jovens de um tempo completamente diferente daquele em que vivi minha infância e juventude.

E se você leitor navegou neste mundo das gírias, vai saber seus significados. Vamos a algumas delas: metido a sebo- bacana- bicho- sem essa- boa pinta- cascateiro- chapa- coroa- bulhofas- cara- legal- bidú- bicão- biscatear- queima rosca- deu mancada- é de lascar- é fogo- gamar- ta de rolo- gata- gato- lelé da cuca- patota- abafou- biruta- pé de chinelo- tirar casquinha- creu- chá de cadeira- levar mala- queimou o filme- cantar de galo- papo furado- dar tabua- bater um fio- dar um rolé- bater uma chepa- quadrado- sebo nas canelas- de montão- dar no pé- cachorrão- chato de galocha- pessoa xereta- fora do ar- papo furado- cheio de lero lero- desligado- falou e disse- grande figura- forçar a barra- maior barato- favas contadas- dar bola- tá por fora- abelhuda- ficar na minha- arrumar tempo- chato de galocha- loloteiro- igual continental- intochada- rodou a baiana- puxa saco- perdeu as estribeiras- bafo de onça- fica de olho- dormiu no ponto- chutador- que ranço- gastando o latim- goiabão- pra chuchu- pombas- arrebentou a boca do balão- larapio- fica veiáco- deu bode- tirar de letra- mão fechada- desandou- chorar a pitanga- é de lascar- sai fora- ressabiado- é fogo- sujou- incontinente- embaraçou.

O tempo passa, e com ele os costumes mudam, mas muitas dessas gírias citadas permanecem ainda sendo faladas, algumas delas não sobreviveram com a modernidade, surgindo assim novas gírias. Mas vamos a mais algumas que ouvi e falei em minha juventude: é de lascar- legal- cara bacana- boa pinta- perua- cachorruda- matraca- Tanajura- o meu- cara- carango- de bituca- vorta- casca fora- culiado- fica veiaco- chapa- duvideódó- casquei fora- dar uma esticada- dançou- fossa- gamado- amoitou- acanhado- grana- pão- papo firme- é cascata- papo furado- lorota- patota- pé de chinelo- pelego- cara quadrado- sebo nas canelas- numa boa- fazer a cabeça- besta quadrado- ficar- sujeito mala- zoar- detonar- ralou- tôkitô- azarado- pega leve- ô meu- chapa- sujeito careta- balada- valeu bicho- fominha- gamar- curtir- boa pinta… E as mais faladas: “é uma brasa mora, e “vem quente que estou fervendo”.

E assim busquei na memória um pouco dessa linguagem das gírias que falávamos, tanto nas rodinhas de nossos bate-papos, como nos encontros na Praça Matriz na época do “rela” ou nas brincadeiras dançantes, onde foram muitos os namoros que ali timidamente começaram ao som das músicas dos discos dos cantores da “Jovem Guarda” como: Bobby de Carlo, Tony Campello, Claudio Fontana, Demétrius, Deny e Dino, Eduardo Araujo, Silvinha, Vanusa, Jerry Adriano, Martinha, Nilton Cesar, Paulo Sergio, Vanderlei Cardoso, Bobby de Carlo, Trio Esperança, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys… Dançavam- se o rock-and-roll ao som de Celli Campello ”Banho de Lua” e alguns se exibia a dança do “Twist”. As músicas mais tocadas eram dos inseparáveis: a ternurinha Wanderléa, do Tremendão Erasmo Carlos, e as do “Rei” Roberto Carlos. Sei que foi uma época tudo bem diferente da atual, os tempos eram outros, o ambiente que se formava, os costumes, os gostos, os tipos de divertimentos, e a paz romântica que enchia o ar das melodias da jovem guarda.

Tudo isso, são memórias que atiçam nosso celebro, e que nos leva a uma nostalgia, retratando uma gostosa lembrança viva de uma época que tivemos em nossa juventude sem bebedeira e não se falava a palavra droga. Enfim, era a oportunidade que tínhamos nas tardes de domingo para ir em alguma casa de uma amiga ou amigo, nos reunir, bater papo, aprender novas gírias, encontrar com a namorada de um namoro escondido, e dançar ao som das musicas adoráveis nas eletrolinhas portáteis. Saudades das brincadeiras dançantes caseiras! O tempo passou, muitas coisas mudaram, mas muitas gírias permaneceram! É o tempo passando e a gente “Memoriando!”