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Não é esquisito que… – Parte 3 (final)

6 de julho de 2020

Quando o outro age apressadamente, é avoado. Quando você o faz… é eficiente. Estamos sempre a observar os que nos cercam e muitas vezes estamos prontos para emitir julgamentos quanto às atitudes alheias. Se for alguém da família, do trabalho ou de alguma entidade que frequentamos, não importa, emitimos nosso julgamento e nem sempre após analisar com maior clareza os fatos. Há pessoas que são rápidas no pensamento, rápidas nas ações e decisões.

Nem sempre acertam. Algumas são muito eficientes, outras, tentam ser e acabam, às vezes, errando. Quando erram, apesar vontade de acertar, recebem censura. São consideradas avoadas. Mas, sendo eu o apressado, considero-me bastante eficiente. Afinal, só vejo defeitos nos outros?
Quando o outro faz alguma coisa sem ordem, está se excedendo. Quando você o faz… é iniciativa.

Há pessoas que são tomadas por iniciativas espontâneas, não esperam ordens, acham que é preciso agir, mostrar serviço, demonstrar que são capacitadas, não precisam esperar que alguém que esteja acima na hierarquia venha lhe dizer para agir. Tais pessoas têm dinamismo no seu comportamento, é louvável, mas, nem sempre acertam. Mesmo assim, se há uma ordem, uma disciplina a ser seguida, é preciso que se contenham. Seria muito mais louvável que elas consultassem quem de direito antes de agir.

Apesar da boa vontade e boas intenções, estarão se excedendo mesmo. Todavia, se tiverem um “alvará” do seu superior para assim proceder, então, não há como criticá-las. Agora, se eu sou aquele que toma iniciativas intempestivamente, considero-me, então, uma pessoa de iniciativa. Mesmo quando cometo equívocos, arranjarei desculpas e explicações. À vezes, tento até culpar alguém, o local de trabalho ou mesmo as circunstâncias desfavoráveis.

Quando o outro progride, teve oportunidade. Quando você progride…é fruto de um trabalho. Constatar que um amigo, um colega ou qualquer pessoa de meu relacionamento ou apenas um conhecido, consegue progresso na vida, parece que sou tentado a ter uma ponta de inveja e fechar ouvidos e olhos para as qualidades que propiciaram o sucesso de tal pessoa. Prefiro atribuir o seu sucesso às oportunidades que ela teve, que ela recebeu uns certos “empurrões” para subir na vida, ou seja, não foi tanto pelos seus méritos pessoais e profissionais.

Mesmo sabendo que a pessoa tem qualidades e foi esforçada para melhorar sua vida, ainda prefiro não lhe atribuir méritos. Desejo entender que ela teve mais ajuda e sorte, apesar de, com certa ironia, admitir que foi competente também. Mas, quando fui eu que consegui progresso, mesmo que tenha recebido alguma ajuda ou tido um pouco de sorte, não admito que levem o meu sucesso para esse entendimento, ainda que reconheçam qualidades em mim. Foi fruto de meu trabalho mesmo, inegavelmente.

O mérito foi apenas meu, pela minha capacidade e esforço. Muito bem! Que tal um pouco de humildade!

Quando o outro luta por seus direitos, é teimoso. Quando você o faz… é prova de caráter. Situação delicada é falar em direitos, sem mencionar obrigações ou deveres. Há muitos anos e ainda hoje, fala-se mais em direitos que em obrigações. O assunto virou uma “arma” da política e muitas vezes apenas para enganar a população. Mas, deixemos para lá tal enfoque! É importante sim, lutar pelos direitos instituídos pela legislação em vigor.

Mas, o que não se pode fazer, é desfigurar a interpretação do que é ou não direito. Quando alguém distorce ou usa de meios grosseiros, agressivos, fora de um contexto social educado, civilizado, aceitável, aí, sim, pode-se achar que tal pessoa esteja sendo

inconveniente e teimosa. Quando ela luta por seus direitos da forma correta, dentro da lei e das normas de civilidade, tudo bem! Não posso criticar tal pessoa e muito menos condená-la por exigir o cumprimento daquilo que lhe é de direito. Portanto, não posso mesmo “condecorá-la” com adjetivos desagradáveis e muito menos chamá-la de teimosa. Mas, quando sou eu o requerente de meus direitos, eu me considero uma pessoa de caráter, de personalidade firme e que sei me defender de possíveis injustiças.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG – Ex-professor do ensino técnico comercial – formado no curso Normal Superior pela Unipac.