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Não é esquisito que… – Parte 2

29 de junho de 2020

Uma pequena ressalva: no final do texto anterior, onde está escrito “temos de ter”, deve-se ler “devemos ter a nossa personalidade”. Foi um cochilo, por mais que se revise.

Quando o outro não cumprimenta, é mascarado. Quando você passa sem cumprimentar… é apenas distraído. Quantas vezes cruzamos com amigos ou conhecidos, olhamos para eles, esboçamos um cumprimento e eles nem sequer nos viram. Se isso acontece de vez em quando, até podemos compreender e achar que é distração mesmo. Mas, se o fato ocorre mais vezes, ficamos intrigados.

Será que outro está fingindo não nos ver, que só nos conhece no ambiente em que frequentamos juntos e prefere nos ignorar em outros locais? Será um problema de simpatia? Essa pessoa está sendo mascarada, prefere nos ignorar ou fingir não nos ver? Eu já tive caso semelhante e ao comentar com uma parente (ou: parenta, como queiram) da pessoa, soube que ela era bem míope e não gostava de usar óculos na rua, motivo pelo qual passava sem conhecer a gente.

Bem, cada um tem seu modo de viver, só não entendi a recusa por óculos, em público. É preciso estudar cada caso e saber o porquê da atitude. Não devemos fazer julgamentos precipitados. Se concluirmos depois que realmente é um problema “químico”, ou seja, os santos não se combinam, procuremos manter ao menos o relacionamento diplomático.

Quando somos nós que não cumprimentamos, aí, arranjamos as nossas desculpas, mesmo que sejam esfarrapadas! Procuramos dar explicações, até inventando algumas mentirinhas. É a mesma situação citada antes, não aceitamos bem certas pessoas e preferimos estar distraídos, mantendo a convivência apenas nos lugares comuns, como no trabalho, na vizinhança, etc. Menos mal!

Quando o outro fala sobre si mesmo, é egoísta. Quando você fala…é porque é necessário. Quem de nós não tem um pouco de narcisismo? Quem nunca foi vaidoso, egoísta, mesmo que tenha sido só um pouco ou de dez em quando, sem exagero? Acredito que todos nós! Tudo bem! Erramos? Sim, mas, não muito! O problema não é o outro falar sobre si, a questão é o exagero, a constância, o convencimento.

Só que, muitas vezes preferimos enquadrar o outro no pecado do egoísmo, mesmo que ele não tenha exagerado e nem insistido em repetições. Devemos ter paciência, enfim… Mas, quando nós falamos e nos enaltecemos até com qualidades que não temos, estamos falando apenas o que é necessário e os outros precisam entender e aceitar? Preciso de autoafirmação, é claro! Mas, com dosagem certa, pois o remédio pode produzir efeitos desagradáveis naquele que se excede em si mesmo. Nada de exageros, nem dos outros e nem de nossa parte!

Quando o outro se esforça para ser agradável, tem uma segunda intenção. Quando você age assim,…está sendo gentil. Há pessoas que tem dificuldades de se misturar, de participar de grupos, de formar amigos. Tais pessoas, por força do ambiente que frequentam na sociedade, muitas vezes se esforçam para serem mais sociáveis, mais agradáveis, para que as aceitem no seu ambiente. Mas, há aquelas que não compreendendo as dificuldades do outro, ficam na retaguarda, achando que tais pessoas estão cheias de segundas intenções. Às vezes a tomam até por bajuladoras.

Ora, é preciso verificar com nitidez cada caso, não se pode ir julgando sem o devido estudo imparcial do que está acontecendo. É necessário entender as dificuldades do outro. Nem sempre se trata de bajulação. Quando nós agimos assim, talvez por termos alguma dificuldade também de entrosamento, nós simplesmente achamos que estamos sendo corteses, gentis, educados, atenciosos.

Realmente, como é difícil o relacionamento entre pessoas! Desde algum bom tempo que existem palestras e cursos promovidos por especialistas em relacionamento humano para conscientizar e treinar pessoas em relações interpessoais, em relações públicas e principalmente no relacionamento familiar e no trabalho.

A dificuldade são os temperamentos muito diferentes, a educação que vem de casa, as idiossincrasias, a índole de cada um, as ambições particulares e o caráter de cada pessoa. Algo muito complicado mesmo, mas, se cada indivíduo se dispuser a melhorar como ser humano, o caminho não será tão difícil. Basta ter boa vontade e usar a inteligência e a razão.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG – Ex-professor do ensino técnico comercial – formado no curso Normal Superior pela Unipac.