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Não é esquisito que… – Parte 1

22 de junho de 2020

Encontrei um texto muito interessante para uma reflexão. O título é: não é esquisito que… No pé do texto constam as informações Educare – Sistema de Ação Pedagógica e Programa de Qualidade em Educação – edições Promove . Ainda há o nome da Escola São Francisco de Assis – Barra de São Francisco – 1995. Verificamos que é uma cidade do Espírito Santo, com uma população de 40.610 habitantes no censo de 2010 pelo IBGE. Não consta nome de autor ou autores, apenas o informado acima.

Vejamos cada pensamento: “não é esquisito que…

Quando o outro não faz é preguiçoso. Quando você não faz…está muito ocupado. Estamos sempre de olho nos outros, cobramos atitudes dos outros, esperamos que ajam de forma correta, que cumpram com suas obrigações e quando isso não acontece da maneira como se deseja, não hesitamos de qualificá-los com alguns adjetivos pejorativos, como o sugerido na frase: preguiçoso. Não nos damos ao trabalho de analisar cada caso, os motivos, o que acontece com a pessoa. Damos o nosso veredicto (ou veredito) e ponto final. Quando somos nós a não cumprir ou relaxar com nossas obrigações, as desculpas aparecem misteriosamente. Estamos sempre cobertos de razão, somos intocáveis e às vezes arranjamos explicações até mentirosas. Algumas mentiras conseguem convencer , outras não, apenas os outros “engolem”. São as chamadas desculpas esfarrapadas.

Quando o outro fala, é intrigante. Quando você fala é crítica construtiva. Seja numa conversa informal, formal, numa reunião familiar ou profissional, a necessidade de falar é inerente a cada um de nós. Toda unanimidade é burra, já dizia Nelson Rodrigues, pelo que já lemos por aí, portanto, pontos de vista e pensamentos totalmente opostos são comuns em quaisquer assuntos, até em matéria de religião. Quando nos deparamos com alguém, seja da família ou não, que não deixa ninguém falar e só essa pessoa deseja ter razão e convencer os outros, realmente é preciso muita paciência para não acirrar os ânimos. Mas, às vezes, também somos intolerantes com os outros única e exclusivamente porque não comungam de nossos pensamentos, de nossas ideias.

Daí, somos nós que passamos a considerá-los intolerantes, intrigantes. É preciso respeito para entender os outros e aceitá-los como são. Ninguém é dono absoluto de verdades, podemos ser donos de nossas verdades, mas, respeitando as verdades alheias, mesmo não concordando! Antes de achar defeitos nos outros, procuremos qualidades neles, pois, todos têm também. Agora, quando nós falamos, damos o nosso ponto de vista, exprimimos nossas ideias e discordamos dos outros e de maneira indelicada, às vezes, estamos sendo críticos.

Costumam disfarçar a crítica com a expressão de crítica construtiva. Só a palavra crítica já tem uma conotação nada agradável, pejorativa, observa-se até uma ponta de ironia na pessoa que critica. Pode haver exceções, é claro! Para mim, dizer que é construtiva é puro eufemismo. Mas, cada caso é um caso, não é assim que dizem? Nada de extremismos.

Quando o outro decide a favor de um ponto, é “cabeça dura”. Quando você o faz… está sendo firme. É a teimosia de sempre não concordar com o ponto de visto do outro, considerando que está errado, é turrão, não aceita opiniões, é cabeça dura mesmo. Não nos damos por satisfeitos com as ideias alheias, nem sequer procuramos entender, analisar, discutir com o outro, num clima calmo, é claro, apresentando sólidos argumentos e vendo que há pontos positivos também. Simplesmente, contestamos e pronto! Não podemos ser assim, é preciso entendimento, compreensão, verificar os motivos e a força dos argumentos alheios e tentarmos chegar num denominador comum, talvez não tão satisfatório, mas quase e… respeitoso.

Quando nós temos o nosso ponto de vista, aí a situação muda de figura. Somos nós, muitas vezes, o cabeça dura. Na verdade, nós nos consideramos firmes na nossa resolução, sempre achamos que estamos cheios de razão. Tudo bem! Temos de ter a nossa personalidade, firmeza nas atitudes, mas, precisamos aceitar ideias divergentes e equacioná-las, tentar entender os motivos, as razões. Não podemos pensar que o outro esteja totalmente errado, só nós estejamos certos. É a arte de saber viver, compreender o outro e a vida. – Continuaremos.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG – Ex-professor do ensino técnico comercial – formado no curso Normal Superior pela Unipac.