Destaques Opinião

Na mão do centrão

Por Paulo Natir

3 de julho de 2020

Andar com fé eu vou/ A fé não costuma faiá”. Fé com muita intensidade – assim como canta o genial Gilberto Gil. Vamos acreditar na Justiça. Devemos cobrar do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, sua principal plataforma eleitoral, ou seja, o combate vigoroso à corrupção.
Porém, em um ano e meio de mandato o “mito” já abril as portas da República paro os políticos pertencentes ao centrão – bloco de deputados na Câmara que reúne parlamentares de legendas de centro. O grupo é menos conhecido por suas propostas e mais pela característica de se aliar a governos diferentes, independentemente da ideologia.

Os votos desse bloco parlamentar podem corresponder até a metade dos 513 deputados que compõem a Câmara e serem decisivos na aprovação ou rejeição de uma matéria. As negociações com o centrão envolvem uma ampla distribuição de cargos aos partidos que terão direito de indicar nomes para as vagas no governo.

A estratégia do Planalto é garantir uma base aliada para se defender das sérias e graves denúncias feitas pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Mouro, após sua saída do primeiro escalão da República.
Mesmo no meio de uma tempestade de problemas o presidente não está respeitando o básico, ou seja, os princípios da administração pública. Nunca é demais cita-los: Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Bolsonaro até agora descarta essas regras e lidera uma facção que cansou de se manifestar em Brasília defendendo a volta da ditadura, o fechamento do Congresso Nacional e até do STF (Supremo Tribunal Federal).

Demorou, mas a Justiça conseguiu enquadrar esses baderneiros. Uma turminha grande já responde processos. No entanto, os políticos ainda não enquadraram o líder do bando. Há dezenas pedidos de abertura de processo de impeachment do governo Bolsonaro, porém o Congresso vai esticando a corda do presidente. Sob pressão, o líder máximo da nação rasgou seus principais compromissos de campanha e caiu nos braços do Centrão. Triste sina do povo brasileiro. Para termos noção, um dos principais cargos no ministério da Educação foi indicado pelo conhecidíssimo Valdemar Costa Neto. O nome apontado por esse “bagre ensaboado” vai comandar o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação que tem orçamento de R$ 54 milhões. É razoável isso?

Mergulhado em problemas, o governo parece possuir um ima para atrair grandes escândalos. Os danos para a imagem do Brasil são gigantescos. São inúmeras polémicas e casos de enorme repercussão internacional. Agora mesmo, o presidente participou de outro grande show de horrores no sensível mistério da Educação. Após a trágica passagem do ex-ministro Abraham Weintraub pela pasta, Bolsonaro indicou Carlos Decotelli para o cargo e deu início a mais um gigantesco vexame. Simplesmente o indicado para ser ministro da Educação pediu as organizações “tabajara” para elaborar um curriculum narrando sua trajetória no meio educacional.

Com jeitinho brasileiro, Decotelli se intitulou doutor e pós doutor em universidades da Argentina e da Alemanha. Logo, as duas instituições internacionais de ensino divulgaram notas desconhecendo esses títulos informados por Decotelli. Ele nem tomou posse e integrou sua carta de demissão na última terça-feira. Vamos aguardar o nome do futuro ministro, lembrando que já caíram três ministros da Educação em 18 meses.

Essa é a “nova política” apresentada pelo governo federal no momento em que o mundo vive uma pandemia muito destruidora. Justo agora os brasileiros tem um presidente da República com as características de um Jair Bolsonaro. Será que merecemos?

É muito triste ter a certeza que educação não é prioridade por aqui. A saúde pública também é um mero detalhe. Em meio a gravíssima do coronavirus o país continua com um ministro interino da Saúde. É muito descaso.

Outro grave problema que atinge em cheio toda população é o desemprego. A falta de postos de trabalho já era comum em nosso país antes da pandemia – imaginem agora com o fechamento de milhares de empresa.

Só para concluir vamos citar mais um caso para lá de escandaloso que respinga no governo. É a novela envolvendo o Queiroz – grande amigo do presidente e ex-funcionário do hoje senador Flávio Bolsonaro. Não é preciso dizer mais nada. Deixo a conclusão para os leitores e para Justiça brasileira. Mais uma vez vamos ter muita fé.

PAULO NATIR é Jornalista