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Movimento no comércio paraisense ainda é baixo

9 de abril de 2020

S.S. PARAÍSO – Graças a um ato normativo da Prefeitura para tentar estimular a economia local e evitar que trabalhadores percam seus empregos, as lojas do centro comercial de São Sebastião do Paraíso reabriram as suas portas no início da última semana. Porém, os empresários ainda sofrem as consequências causadas pela ameaça do novo coronavírus, pois as vendas nos estabelecimentos caíram drasticamente desde o início da pandemia.

Em 27 de março, dias depois de os empresários decidirem paralisar suas atividades, o prefeito Walker Américo Oliveira assinou um ato normativo permitindo que as lojas e indústrias da cidade pudessem funcionar a partir da semana seguinte, desde que tomassem uma série de medidas protetivas contra a Covid-19. “Seguimos a deliberação estadual emitida em 22 de março por um comitê extraordinário, que conta com a participação de representantes dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e outros”, explicou o prefeito.

Representante de uma empresa de meias e roupas esportivas, a empresária Juliana Capato falou sobre os momentos de tensão vividos pela classe nos dias em que as lojas não puderam funcionar. “Eu, por exemplo, fiquei completamente sem saber o que fazer, não sabia qual decisão tomar. Foram dias muito complicados, de muitos imprevistos. Fiz a proposta de entregar os produtos na casa dos clientes, mas a procura foi muito pequena e tive prejuízos. A gente esperava certo faturamento para conseguir ter um ponto de equilíbrio entre despesas e receitas, mas não conseguimos alcançá-lo”, contou.

Diante ato do Executivo local, os lojistas voltaram às atividades no dia 30 de março, contudo, com movimento muito menor do que antes do início da pandemia. “Estamos abertos desde a semana passada, mas o movimento não está nada bom. Mas isso já era esperado. Eu não imaginei que voltaríamos no mesmo ritmo de vendas que tínhamos antes da pandemia. A situação é muito preocupante, ainda estamos confusos, sem saber o que fazer”.

O dono de uma pizzaria localizada próximo à praça Comendador José Honório (Matriz) também disse que a sua empresa está sofrendo com a queda nas vendas. O restaurante, que costumava ter fila de espera em sua porta na hora do almoço, tinha apenas dois clientes por volta do meio-dia de terça-feira, 7. “Repare que as luzes do salão estão apagadas e que o ar-condicionado está desligado. Nós também já tivemos que dispensar uma funcionária. Estamos fazendo promoções, baixamos os preços, mas está muito difícil”, narrou.

Porém, mesmo com o movimento abaixo do normal, os lojistas se mostraram satisfeitos com a permissão de continuarem atendendo o público. “É uma forma que a Prefeitura encontrou de continuar fazendo o dinheiro girar no município, mesmo que seja pouco. É uma forma de permitir com que os empresários não quebrem e que o desemprego não aumente. Eu sei que estamos tendo demissões, mas se o comércio continuasse fechado, seria muito pior. É uma forma de não permitir que as famílias fiquem desestruturadas por falta de dinheiro”, comentou Juliana Capato.

Sobre a postura do consumidor em tempos de pandemia, a empresária disse acreditar que a maioria tem seguido as recomendações de isolamento social preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Percebemos que muitos estão comprando apenas o necessário, aquilo que estão precisando muito e não estão circulando na rua, olhando vitrine de loja. Eles estão conscientes”.

Já o prefeito ressaltou a população deve tomar todos os cuidados necessários para não contrair o coronavírus. “Não é porque o comércio está aberto que as pessoas precisam ficar andando na rua, ao léu. É a mesma coisa se tivessem abertos somente mercados, farmácias, padarias e hortifrutis. As pessoas não teria que ir comprar apenas o que precisa e voltar para a casa? Não é diferente do comércio. Não é para ficar andando pelas ruas, como temos visto algumas pessoas fazerem. Vai da consciência de cada cidadão”, disse Walker Américo.

Sobre a expectativa para o comércio paraisense nas próximas semanas, Rogério dos Anjos Silva, vendedor de uma loja de departamento, mostrou estar realista, mas sem perder a esperança. “Não adianta a gente achar que as coisas vão se normalizar da noite para o dia, porque não vão. Teremos que ter paciência até que tudo se resolva. E enquanto isso não acontece, vamos nos manter firmes, redobrar os cuidados para evitar a doença e continuar trabalhando para atender os nossos clientes da melhor forma possível. Eles precisam saber que nós estamos aqui”, concluiu.