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Movimento de passageiros cai 70% na rodoviária de Passos

Por Ézio Santos / Especial

31 de dezembro de 2020

A PANDEMIA DA COVID-19 REFLETIU QUASE 100% NA QUEDA DE PASSAGEIROS DE ÔNIBUS NO TERMINAL RODOVIÁRIO DE PASSOS. / Foto: Helder Almeida

PASSOS – As empresas de transporte de passageiros que operam em Passos ainda sentem o impacto da pandemia do novo coronavírus. A queda no movimento do Terminal Rodoviário Tancredo de Almeida Neves, principalmente nos feriados prolongados, como o do Natal, também deve ocorrer neste fim de semana, no Ano Novo.


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De acordo com os agentes que trabalham nos guichês, a redução na venda de passagens, principalmente interestaduais, caiu cerca de 70% em relação ao final de ano em 2019. O principal motivo alegado por todos contatados na tarde de ontem, pela reportagem, é a grave crise epidemiológica que assola o país.

As pessoas estão com muito receio do contágio, mesmo com todas as medidas de precaução tomadas pelas empresas de viação. Aquelas que têm parentes que trabalham ou residem em outros estados, preferem ficar em casa. Só anda de ônibus quem não tem carro próprio. Até o número de veículos extras caiu assustadoramente nas vésperas do Natal e Ano Novo, mesmo com o número reduzido de passageiros nos ônibus”, comentou o bilheteiro Alan Costa Silva, da Expresso União.

A empresa mantém horários alternativos nos três períodos do dia para Campinas/São Paulo e Ribeirão Preto-SP/Uberlândia-MG, e a maior demanda são os passageiros que têm parentes em Passos ou cidades próximas.

Daqui para lá o movimento é baixo tanto no Natal quanto na mudança de ano. Agora, vindo do estado de São Paulo o número de pessoas é bem mais elevado”, afirmou Alan, ao ressaltar ainda que lotações clandestinas oferecidas por donos de vans e ônibus de turismo têm prejudicado os veículos que saem ou passam por terminais rodoviários.

O agente de vendas, José de Simone, da Viação São Bento, empresa que cumpre diariamente três horários entre Passos e Ribeirão Preto, contou que a quantidade de passageiros, comparada aos finais dos anos de 2019 e de 2020, caiu em torno de 60%.

A pandemia acabou com tudo. As viagens de ônibus de carreira, hoje em dia, só no último caso mesmo. Melhora um pouco, dias antes do Natal, porque as pessoas vêm e ficam para a passagem do ano. Depois do dia 1º de janeiro vem o retorno”, explicou.

A mesma situação revelou José Castro, bilheteiro do Expresso Gardênia, viação que faz o transporte depassageiros de Passos para Franca-SP, Boa Esperança e Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Depois que voltamos a trabalhar após o início da pandemia, as coisas não melhoram em nada. Houve queda em tudo, como funcionários, horários de ônibus e de pessoas. O Natal e os dias antes da mudança de ano foram péssimos em relação a 2019”, frisou.

Os municípios margeados pelo Lago de Furnas, principalmente Capitólio, são as exceções em relação ao movimento de passageiros. Castro disse que a empresa teve de dispor de veículos extras no final de semana passado, e para o próximo domingo.

O turismo atrai muita gente. Por isso vão parentes de moradores e até visitantes para rever os familiares e curtir as belezas naturais da região”, declarou o agente de vendas.

A reportagem não conseguiu falar com o gerente do Terminal Rodoviário de Passos. Nem mesmo o número do telefone celular do servidor municipal ou terceirizado, os bilheteiros disseram que não tinham sido inseridos nos contatos de seus aparelhos.

Ele não para aqui. Ultimamente o local está abandonado pela prefeitura. Até a linha do telefone fixo foi cortada. Só tem uma mulher trabalhando na limpeza e mais nada”, afirmou um dos agentes que pediu para não ser identificado.


Taxistas

Se houve queda significativa na quantidade de passageiros que utilizam os ônibus que partem ou chegam na rodoviária de Passos, a situação idêntica, ou até pior, é a dos proprietários de táxi. A chegada na cidade, dos carros cadastrados nas empresas de mobilidade urbana, é outro motivo para reclamação.

Há 21 anos na profissão, Laerte Rodrigues dos Reis, de 51, afirmou que nunca enfrentou uma crise igual ou parecida.

Não bastasse a pandemia, vieram os veículos que carregam passageiros aos serem solicitados por aplicativos na internet. Nós, que somos legalizados, temos uma concorrência desleal, incluindo alguns mototaxistas, que prejudica a todos”, desabafou.

O taxista contou que o ponto na rodoviária é o único livre em Passos, e muitos outros profissionais passam a maior parte do dia no local. Com a chegada da pandemia e depois os chamados carros de aplicativo, o problema se agravou mais.

Como têm poucos passageiros de ônibus que solicitam um veículo de aluguel, hoje, no máximo sete ficam no terminal durante o dia, enquanto que idosos ou aposentados, cito como exemplos, não trabalham à noite, bem como a maioria dos motoristas de aplicativo. Aí, quem sobrevive apenas da profissão, tem de ralar, principalmente no período noturno, ou atendendo os clientes de cadernetas”, lamentou Laerte.