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Motoristas têm dificuldade até para encontrar água

2 de abril de 2020

PASSOS – Devido aos decretos com medidas de enfrentamento ao novo coronavírus, publicados em várias cidades do país, estabelecimentos comerciais, restaurantes e oficinas de beira de estrada estão com as portas fechadas. O passense, Diego dos Reis Oliveira, é caminhoneiro há 11 anos e disse que a situação não está nada fácil. “Esses dias, viajei muito. Fui para Mato Grosso, Goiás e São Paulo. Está tudo fechado. Trabalho com carga viva e, por isso, não posso ter cozinha no meu caminhão. Não sabemos o que fazer. Não tem nada aberto pelas rodovias, sejam elas estaduais ou federais. Às vezes, ficamos até sem água. Aí vamos rodando e torcendo para conseguir algum ponto aberto para reabastecer, no entanto, achar esses pontos, infelizmente, tem sido uma raridade. Essa semana foi complicado para comer. Nos dias que consegui me alimentar, já era quase hora de jantar”, contou o caminhoneiro.
Segundo ele, não são todos que ajudam. “Vi poucas pessoas fazendo o que a Jakeline e a família começaram a fazer. Ganhei uma marmita em Goiás, mas posso considerar isso algo incomum, infelizmente”,
lamentou.
Oliveira falou que como nem oficinas estão abertas, o que dificulta na hora da fazer manutenção no caminhão. “Como dirigimos por muitos e muitos quilômetros durante a semana, é natural que manutenções tenham de ser feitas e, muitas vezes, fora da cidade onde moramos. Porém, até para arrumar uma peça que quebra tem sido difícil”,
explicou.
Marcelo Daher Grilo, presidente da Cooperativa de Transportes Rodoviários de Passos, (CTRP) revelou que, no município, existem pelo menos 200 caminhoneiros que viajam e que é preciso que mais pessoas ajudem, pois, esse pessoal não parou nem por um segundo. “Estamos trabalhando, estamos rodando. Não está fácil. Contudo, até mesmo o Exército tem nos ajudado em algumas rodovias do país, além da população que tem se mobilizado e contribuído. Então, nesse momento de anormalidade, ainda estamos conseguindo trabalhar até bem. Afinal, a situação está difícil no mundo inteiro”, disse Marcelo.
O presidente da cooperativa comentou que, em muitos lugares do país, não existe apoio algum. “Tem mais gente ajudando que na semana passada, se formos comparar. No entanto, se tudo continuar fechado, a tendência é a dificuldade aumentar”, disse.
Marcelo ressaltou que, apesar de todas as dificuldades, a cooperativa apoia a quarentena. “E estamos pedindo a Deus para que toda essa situação passe logo e que essa doença não venha com a força que tem vindo em outros países. Afinal, no geral, estamos todos com medo. No entanto, não é momento de pararmos de trabalhar, pois, se pararmos com nosso trabalho a situação vai ficar insustentável. Todos sabem que transportamos de tudo. Até mesmo produtos do dia a dia dos hospitais somos nós quem transportamos. Estamos todos preocupados”, lamentou Marcelo.