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Moda exportação

POR WAGNER PENNA / Especial para a Folha

22 de fevereiro de 2021

A moda da mineira PatBo em Nova York. / Foto: Divulgação

O sonho de promover a exportação de moda ‘made in Brazil’ existe desde que a nossa industria de confecções ganhou alguma musculatura interna – a partir dos anos 1960. Embora a criação da Fenit e dos famosos shows da Rhodia para mostrar que já possuíamos moda com DNA próprio, a coisa não prosseguiu. O ponto frágil da questão é e continua sendo a falta de políticas públicas para estimular o assunto.

Os esforços pessoais de alguns estilistas e de outras tantas empresas sempre esbarraram nessa barreira. Exportações pontuais e com valores mínimos, sempre foram festejadas como um triunfo. Mas são quase um ponto perdido no volume do comércio fashion mundial. Traduzindo: inexiste. O esforço para melhorar esse quadro continua nas áreas que apóiam a indústria da moda, caso da Apex-Brasil e Sebrae, que, recentemente, assinaram acordo para ‘ampliar a participação dos pequenos negócios nas exportações brasileiras’, beneficiando 300 empresas – algumas delas de moda.

Enquanto isso, a determinação de alguns empreendedores mantém acesa essa chama – caso da grife mineira PatBo que, mais uma vez, mostrou sua nova coleção durante a Semana de Moda de Nova York. Lançada em vídeo e com inspiração no cordel, sua presença ali contribui para lembrar ao mercado do hemisfério norte que o Brasil (ainda) faz boa moda. É uma tarefa e tanto – e que merece elogios.


VAIVÉM

Um estudo da Modifica (que monitora assuntos ligados à sustentabilidade fashion) divulgou que o Brasil produz cerca de 42 peças de roupas por habitante ao ano. É muita coisa. Como curiosidade, vale lembrar que nos anos 1950 uma das mulheres mais elegantes e ricas do pais, chamada Elizinha Moreira Salles, dizia na revista O Cruzeiro que ‘a mulher de bom senso jamais compra mais que 12 vestidos ao ano

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Se você ainda não ouviu falar da nigeriana Ngoz Okonjo-Iweala, procure saber mais sobre ela. Primeira mulher a ocupar a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), seu lado fashion se destaca por usar sempre roupas ao estilo africano – com estampas alegres e o um turbante do mesmo tecido. Economista brilhante, foi ministra da Economia em seu país.

PONTO FINAL

A Semana de Moda de Nova York (que inicia o circuito de lançamentos internacionais das grandes marcas, e é seguida por Londres, Milão e Paris) quer se tornar mais receptiva à própria indústria fashion norte-americana.
Para isso, seu presidente, o estilista Tom Ford, enviou carta aos seus membros avisando sobre a mudança de nome daquela ‘fashion week’ que, agora, será chamado de ‘Calendário de Coleções Americanas’. Uma decisão de bom senso.