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Ministra da Agricultura visita lavouras de café atingidas por geadas

24 de julho de 2021

ALFENAS – A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, visitou nesta sexta-feira, 23, áreas cafeeiras que foram atingidas por geadas em regiões produtoras do Sul de Minas e disse que o governo vai fazer um levantamento sobre a situação e tentar encontrar uma solução para o problema. Ela se reuniu com produtores lideranças políticas, e representantes do setor no Sindicato Rural de Alfenas.

Viemos aqui para verificar os estragos, não só no café, mas também com a fruticultura e o milho safrinha, que já sofriam com a seca e agora com a geada. Vocês não estão sozinhos, fiz questão de trazer aqui gente que conhece de café para encontrarmos uma saída”, disse a mi nistra para um auditório repleto. Um produtor e o prefeito de Três Pontas, Marcelo Chaves, falaram em nome dos presentes, manifestando preocupação com os estragos causados pela geada.

Agora há pouco, estava falando com o presidente Jair Bolsonaro, viemos aqui para ver, ouvir e encontrar uma solução com muita união. Temos que fazer um levantamento muito bem-feito e achar uma solução, que não será única para todos, porque a geada pegou pontos diferentes para todos”, continuou a ministra.

Tereza Cristina desembarcou no aeroporto de Varginha, acompanhada do presidente do Sebrae, Carlos Melles, do deputado federal Zé Vitor, do presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, além do secretário-executivo e do diretor de comercialização do ministério, respectivamente Marcos Montes e Silvio Farnezi.

Em Varginha, a comitiva foi recebida por parlamentares da Frente do Café, entre os quais o deputado estadual mineiro Emidinho Madeira e o parlamentar capixaba Evair de Melo, além do vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Antônio Carlos Arantes.

Eles visitaram a Fazenda Primavera, localizada entre Alfenas e Areado, conhecendo uma amostra da cultura afetada pelo fenômeno climático, considerado o pior nos últimos 27 anos e que trouxe prejuízos para os cafeicultores, muitos deles com estoque de dívidas, o que aumentou a aflição no setor produtor na cafeicultura nacional.

 

Emater e Epamig estimam prejuízo em 7 milhões de sacas na próxima safra

De acordo com os primeiros levantamentos realizados por entidades de pesquisa e cooperativas, a estimativa é de que a geada provoque uma perda no Sul de Minas que pode passar de 7 milhões de sacas em 2022. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), haverá pouca produção de café no ano que vem, já que as floradas foram prejudicadas. O prejuízo total ainda está sendo avaliado por agrônomos, mas a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) também estima que possa ser de 7 milhões de sacas de café para a produção de 2022.

Ainda avaliando os prejuízos, as cooperativas já comparam os estragos causados na pior geada do Sul de MG, em 1994. A Epamig estima que a área que sofreu danos na região seja de 20% a 30%.

A secretaria de Agricultura de Minas, Ana Maria Soares Valentini, que também participou da reunião, reforçou o apoio do governador Romeu Zema aos cafeicultores. “Sou produtora, sei como é duro enfrentar uma adversidade como essa. A perda é muito grande para os produtores e diversos setores, e a primeira coisa que precisamos é de um laudo honesto, verdadeiro, para que a gente possa realmente ajudar quem mais precisa. A Emater estará em campo para fazer estes laudos com georreferência, com o apoio da Embrapa e das cooperativas”, pontuou a secretaria.

Parlamentares da Frente do Café, em discurso ou entrevistas no local, foram unânimes em destacar a importância da união entre produtores e lideranças, apoiaram a proposta do levantamento real dos estragos, e pediram à ministra uma audiência na primeira oportunidade após os estudos dos estragos estarem concluídos.

O presidente do Sebrae Nacional, agrônomo e dirigente com uma vida dedicada ao café, Carlos Melles, acompanhou a ministra e na aproximação para pouso em Varginha explicou a ela os estragos que desta vez atingiram cafés na baixada e também em áreas mais elevadas.

Ainda no voo, Melles levou uma coletânea de estudos técnicos publicados pelo Informe Agropecuário da Epamig, muitos de sua autoria, detalhando aspectos da incidência e recuperação de geadas.

O impacto da geada nos cafeeiros reflete imediatamente no campo, e traz prejuízo também no meio urbano. Estamos preocupados, pois o produtor já sofre com seca e endividamento, e a geada vai trazer prejuízos também nas cidades, especialmente para os pequenos negócios”, disse Melles.