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Minas Gerais deve ter pico da covid-19 em 6 de junho

5 de Maio de 2020

BELO HORIZONTE 0 O pico da covid-19 em Minas Gerais pode ocorrer no dia 6 de junho. A informação foi repassada pelo secretário de estado da Saúde (SES), Carlos Eduardo Amaral, em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 4. “O ideal é que não tivéssemos pico, que tivéssemos alguns casos e que se mantivessem ao longo do tempo”, afirmou. Segundo informações do Estado de Minas, Amaral explicou que o comportamento do vírus é diferente nos municípios, de forma que o pico pode chegar em momentos distintos às do Estadao. A estimativa de pico estava prevista, anteriormente, para o dia 3 de junho.

“Em relação aos picos, gostaríamos é que tivéssemos, em Minas Gerais, picos ou acréscimos diferentes em momentos diferentes em cada região. Seria importante, facilitaria os cuidados e a estruturação da Saúde. Se todo o Estado tivesse um pico, ao mesmo tempo, seria mais complexo”, afirmou o secretário.

Amaral apresentou o número de óbitos para indicar que o governo tem feito um trabalho eficaz em Minas. Lembrou que o boletim epidemiológico desta segunda registrou 90 óbitos e que outras 86 mortes estão em investigação.

O secretário afirmou também que, mesmo com a soma dos dois números (mortes confirmadas e mortes em investigação), Minas teria menos de 200 óbitos em decorrência da covid-19, o que faz com que a curva epidemiológica no Estado se assemelhe à da Coréia do Sul, que conseguiu ter um controle considerado eficiente da doença.

O secretário informou que, na semana passada, houve uma diminuição do isolamento social. “Isso tem se mostrado ser tendência no Estado, a diminuição do isolamento. Isso chama atenção. Se a diminuição for importante, será equivalente a uma quebra do isolamento. Isso não é o que queremos”,disse.

Interiorização da covid-19

O secretário informou que era esperado que houvesse a interiorização da doença em Minas. Segundo ele, foram criados comitês regionais para dar o tratamento adequado à doença em cada região do Estado. O secretário também falou da situação dos municípios mineiros que ficam na divisa com Estados em que os números de casos e confirmações de mortes são bem maiores do que em Minas, como por exemplo, os municípios que fazem fronteira com o Rio de Janeiro

“Não há  como pensarmos em fechar todas as fronteiras do Estado. Isso não seria razoável neste momento”, afirmou Carlos Eduardo. Segundo ele, em abril de 2020, em comparação ao mesmo período do ano passado, foi registrado um número menor de pessoas que vêm a Minas para consultas médicas.

O que você precisa saber sobre o coronavírus

A epidemia avança no País, trazendo questões de saúde, claro, mas também dúvidas sobre a rotina em casa e a melhor forma de cuidar das finanças pessoais. Respondemos aqui algumas das mais frequentes

1 – Devo me preocupar com a transmissão do coronavírus por contato com superfícies contaminadas?

– Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), diz que o vírus presente em superfícies pode ser uma fonte de infecção, quando o indivíduo toca nela e em seguida toca nos olhos, no nariz ou na boca. “Ainda é incerta a frequência dessa transmissão, mas todos devem manter suas residências limpas”, afirma. Para Fernando Bellissimo, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, entretanto, mais importante do que limpar desenfreadamente as superfícies é focar em descontaminar as mãos com higienização. “Esse vírus tem porta de saída e porta de entrada. É importante barrar a porta de saída, que é a tosse, o espirro e as gotículas de saliva, e também bloquear a entrada, que é contato com olhos, nariz e boca, com a higienização das mãos. O caminho do meio é mais difícil de controlar”, diz Bellissimo.

2 – Qual é a melhor forma de deixar a casa segura?

– Segundo Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), uma das medidas principais é fazer diariamente a limpeza e a desinfecção de superfícies que são tocadas frequentemente, como mesas, cadeiras, maçanetas, interruptores de luz, controles remotos, torneiras e descargas. “Nas residências onde há casos suspeitos ou confirmados de covid-19, o cuidado deve ser bem maior. No quarto usado para o isolamento, a maçaneta deve ser limpa frequentemente com álcool 70% ou água sanitária. Os móveis da casa precisam ser limpos com maior frequência. Após usar o banheiro, a pessoa com infecção deve sempre limpar vaso, pia e demais superfícies com álcool ou água sanitária para desinfecção do ambiente”, afirma Weissmann.

3 – Quanto tempo o vírus resiste em cada superfície?

– Estudo de cientistas americanos publicado em 16 de abril na revista New England Journal of Medicine mostrou que o vírus consegue sobreviver até três dias em superfícies como plástico e aço, e por até 24 horas em superfícies de papelão. Especialistas alertam, porém, que esse tempo de sobrevivência depende da temperatura e da umidade do ambiente. “Por isso, a limpeza e a desinfecção são importantes”, diz Plínio Trabasso, médico infectologista da Unicamp. “Imagine em poucas horas quantas pessoas podem manipular uma maçaneta de uma porta e um corrimão, por exemplo.”

4 – Não encontro álcool 70% para comprar. Há alternativas para usar na limpeza, como água sanitária? O que é melhor?

– A virologista Juliana Cortines, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o álcool 70% não é a única opção para desinfecção de superfícies neste momento. “A água com sabão funciona bastante em uma lavagem feita com cuidado. É uma boa opção porque é um produto de fácil acesso. A água sanitária também funciona: o que é recomendado para limpeza de superfícies é uma medida de água sanitária para quatro medidas de água”, diz Juliana.

5 – Quais cuidados devo ter com produtos de limpeza para evitar uma intoxicação?

– No caso do álcool, a maior preocupação é o fato de ele ser inflamável, explica Luisa Rios, pesquisadora da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp. “Apesar de o álcool ser altamente volátil, não é uma evaporação instantânea”, diz Luisa. “Por conta disso, evite cozinhar logo depois de passar álcool gel nas mãos ou depois de limpar o fogão com álcool. Além disso, tente deixar a casa sempre arejada.” A pesquisadora também alerta sobre a água sanitária, cujo vapor é tóxico para as vias respiratórias. “Evite que a solução seja muito concentrada e tente arejar o ambiente ao usá-la.” Luisa ainda orienta que as pessoas evitem produtos estranhos neste momento – dependendo da concentração, eles podem ser perigosos, corroendo superfícies e queimando a pele.

6 – Qual a melhor forma de limpar embalagens do mercado?

– Não há um consenso entre os especialistas ouvidos pela reportagem sobre a necessidade de limpeza de embalagens vindas do mercado. Entretanto, os que indicam a lavagem recomendam o uso principalmente de água com sabão (ou detergente) ou de álcool 70%.

7 – Como higienizar sacolas plásticas corretamente?

– Plínio Trabasso, médico infectologista da Unicamp, orienta a limpeza com álcool e dá uma dica: “As sacolas plásticas de supermercado podem ser manuseadas pelo verso, virando-as de dentro para fora”. Outra orientação é usar sacolas retornáveis, que podem ser lavadas com água e sabão depois do uso.

8 – Como higienizar frutas e verduras?

– Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), tem uma receita: “Lave as frutas e as verduras inicialmente em água corrente. Em caso de folhas, cada uma deve ser lavada separadamente. Depois, colocar em solução clorada (1 colher de sopa de água sanitária para cada litro de água) e deixar de molho por 15 minutos. Quando tirar da solução, lavar em água corrente. Por fim, deixar secar antes de guardar.”

9 – O coronavírus morre em água fervendo? E no microondas?

– Professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, Fernando Bellissimo explica que, pela natureza do coronavírus, a tendência é de que ele não resista a altas temperaturas. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano afirma que em estudos iniciais o microondas se mostrou um equipamento possível para desinfecção, mas a eficácia depende do tempo de exposição e da potência de cada aparelho

10 – Colocar os produtos na geladeira já não mata o vírus? Preciso desinfetar antes?

– Segundo especialistas, não há garantias sobre a menor temperatura que o vírus suporta. Portanto, não devemos confiar na geladeira para eliminá-lo.

11 – É seguro comer comidas cruas neste momento, como sashimis e alguns tipos de pokes?

– Não há estudos sobre isso, mas a discussão não está na transmissão pela comida em si, mas na manipulação durante o preparo. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirma que alimentos crus “devem ser evitados porque não conhecemos a procedência e como foram manuseados”. Enquanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diz que “deve-se ter atenção redobrada com a procedência e a higiene” no caso de alimentos que são habitualmente consumidos crus.

12 -Devo evitar usar sistemas de delivery? Que cuidados posso ter para receber entregas sem risco?

– É possível receber delivery em casa, tomando alguns cuidados. Na visão de Fernando Bellissimo, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, o mais importante é ficar a uma certa distância do entregador. “Se for usar o cartão para pagar na hora, depois deve-se passar álcool na mão e no cartão. E, eventualmente, usar máscara para esse contato”, afirma. A virologista Juliana Cortines, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dá orientações adicionais: “O ideal é higienizar a embalagem com água e sabão ou álcool. E não esquecer de lavar as mãos”, recomenda. “Outra ideia é pagar o delivery com cartão de crédito pelo aplicativo para diminuir o contato na hora da entrega.”

13 – Quais cuidados devo ter com contas e outras encomendas que chegam pelos correios e outros meios de entrega? Devo passar álcool em gel nas contas?

– Especialistas concordam que o mais importante neste caso é lavar as mãos depois de manusear esses objetos.

14 – É preciso tomar banho a cada vez que descer para pegar delivery ou correspondência?

– Luis Fernando Waib, médico infectologista membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), diz que o banho não é necessário, mas que é importante lavar as mãos após buscar encomendas na portaria.

15 – Quais os cuidados com roupas e sapatos quando a gente vem da rua? Devem ser lavados sempre? E os sapatos?

– Há uma possibilidade de infecção pelo coronavírus por meio de roupas, mas não é preciso pânico: a principal área de infecção continua sendo as mãos. Segundo especialistas, as roupas devem ser lavadas normalmente, com água e sabão. No caso de profissionais da saúde, deve-se colocar as roupas para lavar após retornar dos hospitais. Pessoas diagnosticadas com a doença devem ter suas roupas lavadas separadamente. Sobre sapatos, Plínio Trabasso, médico infectologista da Unicamp, afirma que é importante retirar o calçado utilizado na rua ao entrar dentro de casa. “Isso é importante em todas as situações, mas é fundamental para quem tem criança pequena, engatinhando, e mesmo os  filhos um pouco maiores, porque as crianças costumam levar praticamente tudo à boca, e assim a contaminação é muito provável de ocorrer”, afirma.

16 – O vírus fica no cabelo? E no pelo do cachorro?

– Não há consenso entre os especialistas neste ponto. Alguns dizem que o caminho para a contaminação em contato com cabelo e cachorro exige uma sequência de eventos que a torna improvável. Outros, entretanto, recomendam que os cabelos sejam lavados após saídas na rua. Lave normalmente, como faz no banho.

Continua…