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Mauricio de Sousa e Pondé debatem ‘Caçadas de Pedrinho’

23 de abril de 2020

MAURICIO 024 SAO PAULO 24.06.2009 OE CADERNO2 19h22 Mauricio de Sousa completa 50 anos de criações artisticas nos quadrinhos. Reportagem do Estadão visitou o estúdio e conversou com o artista. Na foto Mauricio com Bidu ao fundo, o primeiro personagem criado por ele. FOTO TIAGO QUEIROZ/AE

Mauricio de Sousa tinha uma sessão de autógrafos marcada para o dia 21 de março, quando ele lançaria a adaptação que fez com Regina Zilberman de “Caçadas de Pedrinho”, um dos livros mais polêmicos de Monteiro Lobato.

Cancelada por causa das medidas para evitar a disseminação do novo coronavírus, ela será realizada nesta quinta-feira, 23, em um bate-papo virtual entre o criador da Turma da Mônica e o filósofo Luiz Felipe Pondé.

Mauricio de Sousa e Pondé, que é autor, com Ilan Brenman, de “Quem Tem Medo do Lobo Mau?” O Impacto Do Politicamente Correto Na Formação Das Crianças (Papirus), conversam ao vivo, com transmissão pelo perfil da Câmara Brasileira do Livro no Facebook, a partir das 16h. O tema será “Como o Pedrinho do século 21 vai à caçada?” Isso é politicamente correto? A mediação será feita por Taty Leite, do canal Vá Ler um Livro, e a parceria inclui, ainda, o PublishNews. O evento é também uma forma de celebrar o Dia Mundial do Livro.

Publicado originalmente em 1933, “Caçadas de Pedrinho” tem sido evitado pelas editoras desde a entrada da obra de Monteiro Lobato em domínio público, no ano passado, pela questão ambiental (a caçada) e pela expressão do racismo de Emília. Na versão que chegou às livrarias em março, tudo isso é suavizado.

“A descrição da morte é forte, não no sentido de ser censurável, mas tem muita violência. Uma bate, a outra puxa. A meu ver não compromete o livro se aquilo for menos violento”, disse a pesquisadora Regina Zilberman à época do lançamento. “Eu prefiro sempre a caçada suavizada”, comentou Mauricio de Sousa, também em sua primeira entrevista sobre a adaptação, publicada em primeira no dia 7 de março, e feita nos estúdios do quadrinista antes da quarentena.

Lobato

Dos livros de Monteiro Lobato que tanto encantaram Mauricio de Sousa quando ele começou a ler, “Caçadas de Pedrinho” não é o preferido. O criador da Turma da Mônica gosta mais de “Os Doze Trabalhos de Hércules”. Não à toa, a história que ele recentemente lança coloca seus personagens dentro do Sítio do Picapau Amarelo e se conecta com uma memória de infância – algo que o diverte. Um dia perdido no passado, a tropa de burros da família trazia, da região de Mogi das Cruzes e Santa Isabel para São Paulo, ovos em cangalhas protegidos por palha de milho. No meio do caminho, eles se agitaram, corcovearam. No que pulavam, as cangalhas arrebentavam, e os ovos se quebravam. “Tinha uma senhora onça esperando por eles. Foi prejuízo total”.

O garoto ouviu a história como se tivesse acontecido ali por aqueles dias. “Fiquei assustado, querendo saber onde as onças viviam. Quando li ‘Caçadas de Pedrinho’, essa lembrança de pavor voltou”, conta agora aos 84.

Fã de Lobato, ele lembra também que a caçada não o atraiu tanto quanto a prosa em si do autor, e que, naquela época, por influência da avó, ele ‘já era meio defensor de animais”.