Destaques Meio Ambiente

Manejo na Amazônia

24 de setembro de 2020

Estudos realizados por unidades de pesquisa da Embrapa em diferentes regiões brasileiras comprovam que o manejo florestal por espécie é uma inovação com potencial de agregar renda e sustentabilidade à região amazônica. Adequar a intensidade de exploração, diâmetros e os ciclos de corte às peculiaridades de cada espécie, e não ao volume total de árvores nas áreas manejadas, garante retorno econômico mais rápido ao produtor e mantém o equilíbrio da diversidade da floresta. Os índices técnicos, que levam em conta as características de crescimento e a taxa de recuperação das espécies florestais, podem ser implementados para a modernização dos protocolos vigentes na legislação brasileira.

O que você também vai ler neste artigo:

  • Bioeconomia
  • Taxa de corte
  • Espécies abundantes
  • Madeira

Bioeconomia

Resultados positivos com espécies amazônicas de interesse comercial em diferentes regiões do bioma, como a maçaranduba, a cupiúba e o cumarú, entre outras, corroboram a pesquisa. Paralelamente, pavimentam o caminho para o fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, área com enorme potencial de agregação de renda a produtores florestais pela capacidade de atrair indústrias de base biológica.

Taxa de corte

A legislação federal atual, regida pela Instrução Normativa nº 05/2006, do Ministério do Meio Ambiente, recomenda que a taxa de corte para toda a Amazônia, na falta de índices técnicos por espécie, seja de 30 metros cúbicos por hectare a cada 35 anos (ciclo de corte), e diâmetro mínimo de corte (DCM) de 50 centímetros. Isso significa uma exploração desigual entre as espécies. “A legislação enxerga a floresta de forma geral, sem levar em conta as características das diferentes espécies, nem as especificidades de cada região”, afirma o pesquisador Evaldo Braz, da Embrapa Florestas (PR).

Espécies abundantes

Na lógica atual, a exploração é pautada pela recuperação do volume total de árvores de uma determinada área. “Com isso, acabamos retirando as espécies mais abundantes sem levar em conta a recuperação do estoque dessas espécies, e também sem considerar a disponibilidade de estoque de outras espécies ao longo dos anos”, explica Lucas Mazzei, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental (PA).

Madeira

A madeira é um importante produto da balança comercial do Pará, que em 2019 movimentou mais de US$ 200 bilhões, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). O Pará, juntamente com Rondônia, abriga a maior parte das áreas de florestas públicas nativas elegíveis ou já em processo de concessão para Manejo Florestal de todo País. São cerca de um milhão e meio de hectares divididos em seis florestas nacionais, e em áreas estaduais, que, segundo a legislação, devem ser manejadas de forma sustentável para garantir a produção florestal e manter a floresta em pé.