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Maioria usa auxílio emergencial para pagar contas de água e luz

Por Nathália Araújo / Redação

25 de julho de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – Um levantamento feito pela plataforma Boa Vista – Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) mostra que 57% das pessoas que recebem os R$ 600 do auxílio emergencial ainda não conseguem ficar em dia com todas as despesas. O benefício foi criado pelo governo federal para amenizar os impactos econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus. Ao todo, a instituição entrevistou 1.300 beneficiários, e toda a pesquisa foi feita com base nas informações recebidas.

De acordo com os dados fornecidos pela organização, já que o valor não é suficiente para quitar todas as contas mensais, as pessoas estão determinando prioridades para que a quantia seja aplicada conforme as necessidades. Segundo a pesquisa, 47% dos beneficiários utilizam o auxílio no pagamento de contas para concessionárias (água e energia), enquanto outros 20% gastam com moradia, 13% em compras de supermercado, 7% em cartões de crédito, 6% em recursos para saúde e educação, 3% em carnês ou boletos, mais 3% em débitos de internet ou celular e 1% em outros setores.

A designer de sobrancelhas Marilene Andrade teve o benefício aprovado e revela que também usa o dinheiro para bancar as despesas de sua casa, como as contas fixas e alimentação. “O comércio parou de uma forma inacreditável e sem essa ajuda do governo as coisas estariam ainda mais difíceis. No ano passado, investi na minha profissão, fiz cursos e comprei materiais esperando que o retorno fosse rápido, apesar disso, veio a pandemia e me pegou muito despreparada. Além dos gastos que tenho com o meu lar, ainda preciso pagar o aluguel do espaço que uso para trabalhar”, destacou.

Beatriz Marcela Carvalho, que também atua na área da beleza, teve o mesmo problema. Além disso, com grande afeto pelos animais, percebeu que cachorros e gatos que vivem pelas ruas de Passos ficaram ainda mais desamparados durante a pandemia e passou a usar parte do seu benefício para ajudá-los.

Sou manicure e, como muitas outras pessoas, vi minha clientela diminuindo significativamente. O auxílio tem me ajudado bastante, já que consigo contribuir com os gastos em casa e ainda compro rações para os bichinhos sem donos. Espero que tudo isso passe logo ou, ao menos, que o governo estenda as parcelas para que as coisas não piorem”, disse.

Em outro contexto, a situação de Brenda Reis ficou quatro semanas em avaliação e o sistema não aprovou o recebimento do benefício, apesar de a jovem se enquadrar em todas as características necessárias para o recebimento das parcelas.

Fui orientada a recorrer, porque sei que tenho o direito de ser incluída no programa; agora fiz tudo o que era necessário e estou aguardando o retorno. Infelizmente, já deixei de contar com isso e, como sou mãe solteira, preciso sustentar minha filha e consegui um trabalho como babá, porque não posso escolher muito também. Estou torcendo para que essa situação seja resolvida o mais rápido possível”, disse.