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Maioria dos passenses também não fiscaliza políticos eleitos

26 de agosto de 2020

PASSOS – A pouco mais de 80 dias para as eleições municipais, definidas para 15 de novembro, uma enquete informal realizada pela Folha mostra que, entre os eleitores entrevistados, 73,33% não têm o hábito de fiscalizar os políticos eleitos. Entre as justificativas, 40% disseram não ter tempo, 33,33% informaram que não gostam de temas que envolvem política e 26,66% acreditam que os representantes não oferecem meios suficientes para que ocorra o devido acompanhamento.

Ainda conforme a pesquisa, apenas 6,66% dos entrevistados disseram que não pretendem votar, sendo os principais motivos o desânimo com a classe política e a discordância em relação à obrigatoriedade do voto. Quando questionados a respeito de quais critérios são mais relevantes para a escolha dos candidatos, 42,85% disseram observar as propostas, principalmente em relação à saúde, à educação e à infraestrutura. Já 35,71% levam em conta a opinião de terceiros, como amigos e familiares, ou comentários em redes sociais; 21,42% averiguam a atuação profissional, histórico de vida, postura ética e política e, caso o candidato já exerça algum cargo político, também são avaliados seus feitos ao longo do último mandato.

Por fim, majoritariamente, os entrevistados afirmaram que a pandemia do novo coronavírus acabou por desviar a atenção das eleições e, por essa razão, não têm refletido como gostariam a respeito de seus possíveis votos. Mesmo assim, a maioria dos eleitores pontuou que avalia antecipadamente os candidatos, nunca deixando para definir seus votos no dia da eleição.

Eleitor apaga da memória voto em eleição

BELO HORIZONTE – O eleitor continua com a memória curta. Apesar do cenário político efervescente dos últimos nos, muitos sequer se lembram em quem votaram para deputado estadual e federal. E se a lembrança é ruim para o pleito que ocorreu há dois anos, muito poucos se recordam os nomes que votaram para vereador há quatro anos. Na maioria das cidades brasileira, a constatação é de que boa parte do eleitorado está esquecido, com a cabeça distante das eleições e dos representantes do povo.

Uma pesquisa realizada pelo TSE às vésperas do pleito eleitoral de 2010 apontava que 23% dos eleitores não sabiam para quem deram o voto de deputado estadual e 21,7% também não recordam a escolha para deputado federal. No caso de senador, o esquecimento ficou em torno de 20,6% dos entrevistados.

O que o levantamento apontava naquela época – e que não se alterou muito nos últimos anos, sobre um esquecimento maior em relação aos cargos do Legislativo, certamente é um dos motivos que influenciam de maneira negativa na composição do Congresso, das Assembleias e das Câmaras Municipais. O professor de ciências políticas da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Pralon Mancuso afirma que o sistema político brasileiro contribui para o esquecimento do eleitor. “São muitos candidatos e as campanhas são bastante individualizadas”, diz.

Mancuso reforça que essa falha de memória política é danosa, ainda mais numa sociedade marcada pela tradição de cobrar pouco. “Ao não lembrar em quem votaram, pessoas têm também mais dificuldade de cobrar, e, com isso, ainda menos gente acompanha os representantes”, afirma. Para o professor, a solução tem nome e sobrenome: reforma política. “As campanhas tinham que ser não em torno das figuras dos candidatos, mas de propostas partidárias”, diz.

Na avaliação do coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, Robson Sávio, eleitores estão esquecidos por causa de um conjunto de variáveis.

O cidadão atribui ao Executivo todas as responsabilidades em relação ao Estado. Além disso, o mercado eleitoral é amplo e desproporcional. Há também uma descrença muito grande das pessoas. O eleitor não se vê representado e vota de qualquer jeito, o que deixa a democracia representativa mais fragilizada”, afirma.

Rotina nas reuniões da Câmara em Passos: plenário vazio e pouca audiência nas transmissões. / Foto: Arquivo FM