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Maioria dos deputados mineiros votou pela prisão de Daniel. Emidinho não compareceu

22 de fevereiro de 2021

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

BRASÍLIA – Trinta e sete dos 53 deputados federais eleitos por Minas Gerais votaram a favor da manutenção da prisão de Daniel Silveira (PSL-RJ), detido após atacar o Supremo Tribunal Federal e fazer apologia à ditadura militar. Na decisão tomada pelo Legislativo na noite de sexta-feira, 19, outros 12 políticos que representam os mineiros opinaram pela soltura – veja no quadro como votou cada parlamentar.

Ao todo, foram 304 votos pela manutenção da prisão. A decisão do STF foi rejeitada por 107. Houve três abstenções — o mineiro Newton Cardoso Júnior, do MDB, foi um deles. Da bancada mineira, o deputado federal mais votado na região, Emidinho Madeira (PSB), faltou à sessão. Também se ausentaram Misael Varella (PSD) e Igor Timo (Podemos) não votaram.

Silveira foi preso na última terça, 16, pela Polícia Federal, após gravar vídeo atacando ministros da Suprema Corte. Nas imagens, ele fez apologia ao Ato Institucional 5, o mais duro decreto do regime militar brasileiro. Antes da votação, os partidos orientaram seus integrantes sobre os caminhos a seguir. Apenas Novo, PSL, PSC e PTB instruíram os filiados a opinar pela soltura. Pros, Patriota e Podemos liberaram as bancadas.

Apesar das orientações, nem todos os parlamentares votaram com seus partidos. Subtenente Gonzaga, por exemplo, contrariou o PDT e opinou pela liberdade de Daniel Silveira. O delegado Marcelo Freitas, presidente do PSL em Minas, que durante a semana disse ser contra a prisão, acabou votando “sim”.


Traições

A decisão de sexta-feira na Câmara apresentou alguns votos curiosos, como o do deputado Aécio Neves (PSDB). Ele enfrentou uma situação semelhante a do parlamentar, quando foi salvo pelo plenário em 2017, quando havia sido afastado do mandato de senador pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Agora ele votou a favor de manter a prisão do deputado Daniel Silveira. O argumento utilizado por ele é que teria seguido a orientação do PSDB.

Mas nem todos da bancada agiram assim. Deputados com trânsito no governo Jair Bolsonaro, como Pedro Cunha Linha (PB), Lucas Redecker (RS) e Daniel Trzeciak (RS), contrariaram a orientação partidária e deram votos a favor da libertação de Silveira. Traições às orientações de bancada também ocorreram em partidos como DEM, Cidadania, Republicanos, MDB, PSB, Progressistas, PSD e PDT, entre outros.

Na maior parte dos casos, os deputados alinhados ao Palácio do Planalto não seguiram a orientação. Houve também ausências: ré acusada de mandar matar o marido, a deputada Flordelis (PSD-RJ) não votou, assim como o novo ministro da Cidadania, João Roma (Republicanos-BA). O líder do governo, Ricardo Barros (Progressistas-PR), e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, confirmaram o voto a favor da libertação de Silveira, como anunciaram antes.

No PSL, partido de Silveira, também houve ausências. Investigadas no inquérito de fake news do STF, as deputadas Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) votaram contra a decisão unânime do Supremo. As duas tentam assumir cargos na nova direção da Câmara e sofrem resistências.

Kicis quer presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas pode ficar pelo caminho por contrariedade, revelada nos bastidores, de nomes do Centrão e ministros do Supremo. Zambelli, por sua vez, é cotada para chefiar a Secretaria de Comunicação da Câmara. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) pediu que o STF e a Procuradoria- Geral da República se pronunciem sobre a qualificação de Zambelli.