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Lotéricas ficam lotadas e com filas

9 de abril de 2020

PASSOS – O protocolo de medidas para se evitar a disseminação do coronavírus no Brasil, anunciado mês passado pelo Ministério da Saúde, tem afetado o comércio em geral e em Passos não é diferente. Mas, nesta semana, o que mais tem chamado a atenção de todos são as extensas filas que se formam nas seis casas lotéricas espalhadas pela cidade, sendo quatro na região central e três em bairros. O acúmulo de pessoas pode ser evitado nesses locais se forem usados aplicativos para pagar débitos via online dentro de casa mesmo.

Desde a última segunda-feira o que se vê nas portas lojas que comercializam todas os produtos assemelhados e atua na prestação de todos os serviços delegados pela Caixa Econômica Federal (CEF), são dezenas de pessoas em fila que pretendem efetuar apostas de jogos ou pagar tributos em geral, boletos bancários, receberem benefícios etc. No período de 7 a 15 de cada mês é inevitável este tipo de acúmulo por causa, principalmente, do pagamento dos salários por parte das empresas a seus funcionários.

Ontem pela manhã, a reportagem percorreu cinco lotéricas do centro de Passos e recebeu informação de que, desde o dia 6 deste mês, as filas têm aumentado consideravelmente no período matutino. O elevado número de idosos tem chamado a atenção e muitos sem usar máscaras de proteção. Outro ponto também é o descumprimento da distância regulamentar – um metro e meio ou dois – de uma pessoa para outra.

Algumas medidas em relação ao protocolo determinado pelos órgãos de saúde federal, estadual e municipal para não se contrair a covid-19 estão sendo deixadas de lado nas extensas filas próximas das casas lotéricas. A distância entre pessoas, filas preferenciais a idosos, gestantes e deficientes físicos, além do fornecimento do álcool em gel. “Acho que tudo isso é um total desrespeito por parte dos donos das lotéricas, além de colocar a vida das pessoas em risco”, lamentou o aposentado Luiz José da Macêdo que estava na fila e usando máscara.

Já o militar da reserva Demétrio Santos, também à espera para ser atendido no caixa e sem usar máscara, questionou os números e atestados de óbitos divulgados em relação ao coronavírus no Brasil. “Vi recentemente na televisão que um borracheiro em uma cidade que não me lembro o nome sofreu um grave acidente no seu local de trabalho, faleceu na hora o atestaram que a causa mortis foi a covid-19. É um absurdo isso. Acho nos boletins divulgados diariamente pelos órgãos de saúde do país em geral, muitas mortes não são provocadas pelo vírus”, disparou.

“Para mim acho que o comércio passense já deveria ter sido aberto totalmente há tempos. Deixa o povo trabalhar gente. Do jeito que está a crise financeira, só vai piorar tudo que já está ruim e o povo sem dinheiro”, afirmou o balconista de farmácia Hugo Borges, que também dispensava o uso de máscara.

 

Justificativa é o elevado número de beneficiários

 

PASSOS – Os proprietários de casas lotéricas estão agindo de forma diferente para atender sua clientela. Renato Silva, gerente da Mega Loteria, disse que é normal nesta época de todos os meses o número de pessoas em todas as lotéricas de Passos aumenta consideravelmente por causa dos pagamentos de contas em geral e recebimentos de benefícios do governo federal, INSS e pagamento de funcionários e servidores, mas reconhece que os casos de coronavírus deixaram todas lotéricas tumultuadas.

“Estamos tomando as medidas para não disseminarem o Covid-19. Dentro da minha loja tem álcool em gel disponível no recipiente próprio instalado na parede. Nosso atendimento está sendo rápido porque todos os caixas têm funcionários atendendo uma pessoa por vez. Atrasos ocorrem em razão de pessoas, por exemplo, que questionam o motivo de seu pagamento não está na conta dele. E aí o caixa tem de suspender o serviço para explicações”, explicou.

A gerente da Lotérica Ponto 13, Idozina Vilela, revelou que está seguindo quase todas as normas dos órgãos de saúde para se evitar o contágio do coronavírus, como adentrar na sua loja só quem está sendo atendido isoladamente em cada caixa. “Cada funcionário tem sua máscara e só retiram momentaneamente para falar com pessoas idosas ou com problemas de audição. Destinei bancos preferenciais e uma pessoa distante uma da outra dentro da lotérica. Só o álcool em gel não estou disponibilizando ainda porque não encontrei em grande quantidade para comprá-lo”,
justificou.

Algumas lotéricas disponibilizam um guichê exclusivo para apostas de jogos da Caixa, mas a maioria das lojas permite ao cliente que for pagar contas também arrisque palpites no caixa onde está sendo atendido. Os outros correspondentes bancários da Caixa visitados pela reportagem foram Lotérica Passos, na Avenida Arouca; Lotérica Central, rua Presidente Antônio Carlos; e Lotérica São Benedito, localizada no bairro do mesmo nome.