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Lives marcam celebração do Dia da Consciência Negra

20 de novembro de 2020

A equipe Impi Zulu se reuniu nesta quinta-feira, 19, para finalizar os detalhes da live. / Foto: Divulgação

PASSOS – O Dia da Consciência Negra, comemorado nesta sexta-feira, 20, será marcado por eventos online devido à pandemia de covid-19. Para a data, estão programadas as lives da IV Semana da Consciência Negra, do Instituto Federal do Sul de Minas (IFSul), campus Passos, e a live “Abrindo Mentes e Desenvolvendo Potências”. A data busca evidenciar o debate das questões raciais, seja sobre a cultura afro ou sobre as desigualdades raciais.

Instituída por meio da Lei nº 10.639/2003, com a inclusão obrigatória do tema “História e Cultura Afro-Brasileira” na grade curricular das escolas do país, a data foi escolhida em referência ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder que atuou fortemente na resistência dos negros à escravidão e que comandou o Quilombo dos Palmares. Antes mesmo da institucionalização, 20 de novembro já era considerado pelo Movimento Negro Unificado (MNU) o Dia da Consciência Negra. Em 2011, houve a oficialização do “Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra”.

Em alusão ao dia, a professora Joana Darc Santos e a equipe do Impi Zulu, em parceria com a prefeitura de Passos, organizaram a live “Abrindo Mentes e Desenvolvendo Potências”, que vai acontecer hoje, às 19h30. No evento, haverá um bate-papo com participação da própria professora, da microempresária Marcia Helena Abreu, do cantor Daniel dos Santos, do chefe de cozinha André Alcântara, do presidente da Associação Passense dos Ternos de Congos e Moçambique e do Conselho Municipal de Políticas Públicas, José Mizael, e do secretário municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, Carlos Jorge de Paula Ribeiro. Também ocorrerão momentos de capoeira com o mestre Renato de Oliveira e um desfile afro com 20 modelos. O evento será transmitido pela Web TV Passos, direto do Palácio da Cultura.

Como conta a professora Joana Darc, a live é fruto de um projeto para fomentar a cultura na Escola Estadual São José, onde atua, que foi iniciado no ano passado. Devido à pandemia, um novo modelo para a realização do evento teve que ser pensado.

Estava dando aula de sociologia e eu queria montar esse projeto na semana de educação para a vida, quis realizar próximo da Consciência Negra. Este ano vem de uma forma diferente, pensei em como iria fazer, já que não temos aulas presenciais. É muito importante essa data, consciência negra é algo muito forte. E neste ano, a gente vai poder abranger mais pessoas com a live”, declarou a professora.


Semana da Consciência Negra

Já a IV Semana da Consciência Negra, do IFSul, está sendo realizada pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), da unidade de Passos, em parceria com a de Machado e em conjunto com o coletivo AfroIF. Tendo como tema “A Formação Acadêmica como Trincheira de (re)Existência”, o evento se propõe a discutir o cumprimento do que estabelece a Lei nº10.639/2003 e proporcionar debates sobre as relações étnico-raciais, antirracismo, beleza crespa, educação familiar, dentre outros temas.

As atividades são em forma de roda de conversa e serão transmitidas pelo canal do YouTube NEABI Passos, do IFSul. Será uma live por semana, às 19h, até dezembro. O início foi na quarta-feira, 18, com o tema “Educação, Identidade e Infância da Criança Negra”, com Luana Tolentino, Natália Helena Santos Novais e Luís Novais.
Nesta sexta-feira, 20, haverá a mesa redonda sobre “Educação como Trincheira: Os Cursos Pré-Vestibular Comunitários como Vias de Acesso a uma Possível Intelectualidade”, com os professores Jorge Augusto Correa Ribeiro e Rafael Cícero de Oliveira.

Na próxima sexta-feira, 27, a roda terá o tema “Projeto de Extensão Capoeira, uma Roda do Saber”, com o grão-mestre Reginaldo Santana e o mestre Terra. Em 2 de dezembro, último dia do evento, o historiador Jones Manoel irá conversar sobre “Raça, Classe e Lutas Anticoloniais”. Segundo o professor, mestre em relações étnico-raciais, coordenador do evento e do NEABI, Wendell Lopes de Azevedo Braulio, o evento foi pensado para construir o debate do percurso da formação educacional da população negra.

Este evento foi feito coletivamente. As lives partiram de um processo de intensa discussão que tivemos no núcleo. A professora Dra. Mariana Teixeira propôs que a gente fizesse um percurso da infância à intelectualidade adulta. A gente fecha um ciclo de cinco momentos desse percurso de intelectualidade dentro da casa, da infância, chegando à escola, passando pela comunidade e finalmente na academia. É importante que cidadãos negros e negras possam ter espaço e voz para produzir transformações dentro das instituições”, explicou.

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