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LGBTQI+ já podem doar sangue em Passos

1 de julho de 2020

O baixo estoque de sangue da fundação atinge os tipos ‘o’ positivo, ‘o’ negativo e ‘a’ positivo. / Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – A Fundação do Hemominas de Passos já está recebendo doações de sangue de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queers e intersexuais (LGBTQI+). Na atualização do questionário clínico, foram excluídas as perguntas que remetem à orientação sexual do doador que passa pela avaliação, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a restrição é inconstitucional.

Tânia Aparecida Piantino, gerente administrativa da fundação, disse que a determinação é uma conquista para todos e destaca que, além do aumento significativo no número de pessoas que se encaixam no quadro de doadores, a medida é um reflexo de solidariedade.

Acho que tudo isso é muito bom, não só no nosso município, nas na sociedade brasileira como um todo. Ninguém deve ter direitos diferentes por conta da sexualidade e acredito que isso reforça a velha luta por igualdade. Doar sangue é mais que uma questão de gênero, é amor ao próximo”, esclareceu.

Membro ativista do Voz Plural, que representa a comunidade LGBTQI+ em Passos, Lucas Schandler Ferri enfatiza que a decisão é um assunto que está em pauta há anos, visto que as autoridades de saúde defendiam que o grupo era o mais afetado por doenças e infecções sexualmente transmissíveis.

É preciso entender que não é uma questão determinada pelo número de pessoas que um indivíduo tem relações sexuais, mas sim por pela forma que isso ocorre. Se for uma situação de segurança, em que a pessoa se protege contra qualquer tipo de problema de saúde que isso possa causar, não existe motivo de preocupação. Somos todos iguais!”, afirmou o estudante universitário.

De acordo com o documento de Ação Direta de Inconstitucionalidade, divulgado pelo STF, a restrição se encaixa como tratamento discriminatório que ofende a dignidade dos envolvidos e retira a possibilidade de exercer uma ação de solidariedade. Para o ministro Edson Fachin, relator do processo, a declaração seria capaz de ameaçar os direitos fundamentais do grupo.

As restrições são baseadas em orientação sexual e no gênero do candidato, enquanto o mais adequado é utilizar o conceito de ‘práticas de risco’ dos indivíduos, os quais podem atingir toda a população”, justificou.

Com a nova decisão, o Brasil pode receber cerca de 18 milhões de litros de sangue a mais no período de um ano. No Hemominas de Passos, as doações devem ser marcadas entre as 7 horas e 11 horas, de forma virtual com a intenção de respeitar as medidas de isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus, sendo que o agendamento pode ser realizado pelo site www.hemominas.mg.gov.br ou pelo aplicativo MG APP, disponível nas plataformas de android e iOS.