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Ler quer dizer pensar com uma cabeça alheia

4 de julho de 2020

O nosso título de hoje é de Arthur Schopenhauer e serve para dizer que todas as pessoas deveriam ter a consciência que o estudo sobre a língua, a linguística e a linguagem pode ajudá-las nos mais variados aspectos da vida, pois o ser humano se adapta melhor em seu meio, depois de apreender a habilidade de ler, escrever, falar e ouvir.

Tendo isso em vista, é necessário refutar totalmente a ideia de que existe leitura dinâmica. Há até cursos que ensinam a ser mais rápido na leitura. Posso afirmar que, se você já pagou para fazer um curso desse e não tinha o hábito de ler, jogou o dinheiro no lixo. Essa é a realidade. Nós só adquirimos habilidade de leitura mais rápida apenas de uma forma: lendo muito. Mesmo assim, em textos mais complexos, isso não é possível.

Não há como negar, um conhecimento apenas se torna possível a partir de uma “leitura lenta”, ou seja, aquela que investiga, que presta a atenção nos detalhes. Esse tipo de leitura nos possibilita uma verdadeira reflexão dos conhecimentos a serem adquiridos.

Diferentemente do que muitos pensam, ler é um processo de níveis. Não existe grau 100% em leitura, assim como não há grau 0%. Nem mesmo uma pessoa que não saiba ler, lê o mundo com sua sabedoria. Do mesmo modo, nem o mais voraz leitor, com títulos acadêmicos, não consegue deter todo o conhecimento existente por meio da leitura. Partindo desse princípio, apresentarei algumas técnicas que são utilizadas por pessoas que estão acostumadas a ler livros. Elas foram explicitadas por Mounin e podem nos ajudar em nossas leituras. São elas:

Tomar contato com o índice da obra assinalando o conteúdo e a organização geral;

Situar-se no ambiente cultural consultando a biografia e a bibliografia usada;

Explorar as notas de rodapé;

Consultar o índice;

Ter sempre uma caneta (lápis), um dicionário específico e uma gramática na hora da leitura;

Não passar por cima de algo que não tenha compreendido;

Procurar outros exemplos, além daquele dado pelo autor da obra, para verificação do funcionamento de determinada teoria;
Estudar sempre em harmonia e com o companheirismo de outras pessoas.

São atitudes como essas que vão nos orientar em nossas leituras porque ler é produzir sentidos. A leitura é um trabalho de construção de sentido que envolve tanto o produtor do texto quanto o seu receptor. Enfim, para puxar a nossa orelha, cito Mário Quintana: “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem”.

PROF. ANDERSON JACOB ROCHA. Doutor em Língua Portuguesa (PUC/SP). Autor do livro: A Linguagem da Felicidade. Instagram: prof_andersonjacob. Youtube: Prof. Dr. Anderson Jacob