Destaques Opinião

Leitura, alimento indispensável (1000)

POR LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO

5 de outubro de 2020

Não sei quantas vezes publiquei o texto abaixo. Umas três ou quatro? Perdoe-me o leitor. Publico mil se for preciso. Nessa época de pandemia, acerquem-se dos filhos, sobrinhos, agregados – e a outros tantos. Ensine-os a ler. Incentive. Machado de Assis – o maior escritor brasileiro –, não teve ensinos regulares. Nossas crianças carecem de formação e informação. Portanto insista. Aqui uma homenagem à rapaziada da revista Protótipo de 1972 – lá se vão 48 anos! Nas pessoas de Antônio Barreto, Carlos Parreira, Iran Machado, Marco Túlio, Alexandre Marino, Carlos Parada, Marise Pacheco, entre outros. Ah, o Padre Geraldo Rezende!

Tenho muitos exemplares da famosa revista. Cheirando a saudade. Direto do túnel do tempo – pertenceram ao saudoso Silas Figueiredo. Na limpeza de guardados e aposentos, o irmão Salvador Figueiredo, fez-me um presente. Quem sabe a mim confiou? Por fios condutores mágicos foi por Protótipo que começou muito. A navegação e as descobertas. Das muitas reticências, estabeleceram-se verdades. Literatura superior. Jornalismo de qualidade. Como este aqui. O modelo. Assim: (…)

Não vai aqui nenhuma crítica deselegante e negativa. Longe disso. É uma relação de perspectiva. Quem lê muito chega à frente, pensa melhor, escreve corretamente. Quem pensa o contrário é porque não lê ou simplesmente não pensa. É obtuso. Orelhudo. É o que se vê à nossa volta. O brasileiro lê pouco, quase nada. E não sabe o que está perdendo. Na obviedade dos sentidos, não sabe, pois não toma pulso das coisas através da leitura. Seria querer demais. Tampouco compreende fatos, e nem fotos sabe interpretar. E de fato o que se ouve é o “detesto ler”. Em decorrência, paga-se um preço alto por isso.

De famosa literatura francesa, extraímos a famosa frase: “Só se ama o que se conhece”. Se optarem por não se amar o que não se conhece, é troca de cebolinhas. O importante mesmo é o laço criado através do mundo da magia que é o saudável ato da leitura. E ajuda o cérebro. Vade retro, Alzheimer! Ler é amar, sonhar, imaginar, sacramentar… Deixar o conhecimento penetrar o fundo da alma sem se magoar. Um ato agradável de iludir-se. É um cruzar de vidas. Um elo. Um traço de união entre os que leem e os autores. Pode ser um conto na conta não contabilizada, com a permissão absoluta. É um doar-se, permitir-se, na notável e interativa sensibilidade.

Remonta ao ano de 1916, na Espanha, o Dia Mundial do Livro. Precisamente no dia 23 de abril, data em que se celebra a morte de dois gênios da literatura mundial: Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Também é Dia da Rosa e São Jorge. Este, padroeiro do Corinthians de Barbie sobrinha e de Reinaldo Azevedo. Com certeza, diuturnos problemas na luta contra os demônios do dia a dia, na simbologia do mito e o dragão. Daquela, a rosa, posso afiançar que amo como símbolo do amor. E quanto ao livro, objeto deste modesto excerto, por certo, um evocativo da cultura no seu sentido fantástico e sublime. Não há como defini-lo na sua concepção maior como sujeito social de suma importância na história do ser humano na face da terra.

Por definitivo, a celebração do Dia do Livro enraizou-se mundo afora. E ajuda sobremaneira na difusão da leitura entre os povos. Mas que se estabeleça que se leia um pouquinho mais. Não há como avaliar e dimensionar o quanto é importante ler. Fico, então, demasiado triste quando percebo que as pessoas deixaram a leitura de livros e jornais de lado e, no superlativo, estão com um vocabulário paupérrimo. E isso em plena e avançada tecnologia. Piorou em vez de melhorar. E o livro físico é tão bom! Ao percorrer as folhas, no folheio, sentir o cheiro e gosto do saber, as preliminares. Já a sua leitura, ah, atos gozosos em multiplicidade.

E a dinâmica do conhecimento e do raciocínio, então? E nem há que se falar do analfabeto funcional. Este sabe decodificar a leitura. Mas interpretar o que está lendo, o que é bom mesmo, negativo futebol clube. Comparo a leitura de um texto a um mundo a ser explorado. E ler é hábito. Depois de adquirir o hábito é só alegria e prazer. O problema posterior é escolher o que se vai ler para viabilizar a construção de conceitos. No meio de tudo está a educação sem grades e nem tormentos. É de caráter libertador. Ler, pensar, raciocinar e fazer o melhor no mundo do sucesso pessoal, interpessoal e intrapessoal. Este último vocábulo, salvo engano, não está ainda registrado em dicionários. Entretanto, dá a ideia de uma pessoa para a própria pessoa. No demonstrativo, planos e projetos.

Traduzindo e explicitando no bom português, a leitura é tão fundamental quanto o processo da escrita em si e o seu resultado no campo da compreensão. Conquanto, é ler, saber interpretar o que está lendo e posteriormente formar juízos sólidos. E não se esquecer nunca de que o mundo é feito de renovação e necessariamente as pessoas têm que se manter centradas, plugadas, ligadas, conectadas e antenadas para o bem-estar de todos.

Ler é bom, uma boa leitura é recomendável. Melhor ainda é saber interpretar o que o autor está passando adiante através de sua produção. Que os professores, pais e educadores em geral criem formas e fórmulas interessantes a fim de que crianças, jovens e adultos tomem gosto pela leitura e não aversão ao ato de ler, o que comumente acontece.
Quanto ao resto, é o resto. E resto se joga na lixeira. Como as anomalias: “E aí? Tá bão ou não?”, “Desse sorvete eu não comi”, “Será que vai chover?”, “Tá quente hoje”, “Beleza!”, “Legal”, “Falô”, “Pô!”, “Não posso falar do sabor do desodorante”. Expressões, tirante as chulas, cujas notas dissonantes não dão suporte aos Enens e aos vestibulares da vida e mostram com intensa clareza a necessidade de se ler para a riqueza e edificação do vocabulário num universo de dar e receber. Destarte, os caminhos da vitória certamente nos aguardam nos corredores e átrios do vasto conhecimento humano. E a qualidade do ensino médio no país é sofrível. Só o médio? Eita!

Não é descartável, a esta altura, mencionar a terceira lei de Newton: ação e reação. Ler mais. Com um pequeno esforço, o mundo visivelmente poderá ser melhor, mais atrativo, produtivo e, na visão de Alexandre Marino (de volta à origem) – “mais questionador”. E, com toda a certeza, menos violento.

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado trabalhista e previdenciário, escreve aos domingos nesta coluna.