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Justiça libera pagamentos a ex-funcionários da Talento

Por Ézio Santos / Especial

22 de abril de 2021

A empresa já foi uma das líderes do setor confeccionista em Passos e chegou a empregar quase 800 funcionários e distribuir seus produtos para terceiros. / Foto: Divulgação

PASSOS – O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Confecções e Vestuário de Passos anunciou, nesta terça-feira, que a Justiça do Trabalho liberou o dinheiro para o pagamento dos direitos laborais do restante dos ex-funcionários da extinta Talento Indústria e Comércio de Confecções Ltda. A informação é do departamento jurídico, formado pelos advogados Daniel Silveira Machado, e Maria Deide dos Reis Alves, também presidente do órgão.

Finalmente, neste mês, o juiz criminal deferiu os pedidos do sindicato e liberou o dinheiro para justiça promover o pagamento de 153 dos trabalhadores. Alguns tinham recebido anteriormente o que tinham direito, faltavam apenas os 40% das multas rescisórias sobre o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)”, explicou Deide, que não soube me informar valores da dívida total.

A sindicalista revelou que a empresa efetuou a demissão em massa dos empregados entre a crise financeira e o fechamento, em meados da década passada.

Então eles buscaram seus direitos trabalhistas por meio do Departamento Jurídico do órgão, que ingressou com ações na justiça para recebimento de seus direitos rescisórios”, contou.

Diante do encerramento das atividades empresariais, os trabalhadores conseguiram a penhora de quatro barracões, que seriam levados a leilão, mas o departamento descobriu posteriormente que os imóveis haviam sido sequestrados pelo Ministério Público para o recebimento de créditos tributários junto ao Estado.

Dessa forma, a Justiça do Trabalho, em primeiro momento, foi impedida de levar os imóveis a leilão e pagar os ex-empregados. Imediatamente, o sindicato tomou todas as medidas judiciais possíveis, visando o recebimento dos créditos trabalhistas, e culminou na venda dos barracões remanescentes da empresa por meio de leilão, sendo alcançada a cifra de R$ 5.295.190,72”, explicou.

Os quase R$ 5.300 mil continuaram sequestrados pelo Juízo Criminal, que atendeu o pedido do Estado de Minas Gerais para não liberação do dinheiro até o julgamento de ações contra os sócios, mas semana passada o dinheiro foi liberado para Justiça do Trabalho, e depois de quase cinco anos de luta pelo sindicato, tudo terminou”, disse a sindicalista.

Com os pagamentos realizados nesta semana, todos os acertos com os trabalhadores da Talento foram concluídos. A empresa já foi uma das líderes do setor confeccionista em Passos e chegou a empregar quase 800 funcionários e distribuir seus produtos para terceiros e em lojas em shoppings nas principais capitais do sudeste.

Fundada e dirigida pela empresária Maria Helena dos Reis Silveira e seus filhos em 1984, as atividades foram encerradas em 2018. A grife Talento, registrada, foi vendida e sua produção continua com outra razão social, sendo que vários ex-funcionários continuam prestando serviços para a marca através de facções.


Ex-gerente da empresa cria oficina de costura

PASSOS –Quando o mundo fecha uma porta, Deus abre outra” é um ditado popular, mas parece que para dezenas de ex-empregados da Talento virou realidade. Há quase um ano e meio eles se juntaram ao grupo de cinco costureiras e fundaram uma oficina de costura.

A proprietária Eutália Pereira Gomes, de 60 anos, contou que trabalhou como gerente da fábrica de confecções Talento por quase 20 anos. No final de 2019, na casa onde morava, ela e mais quatro profissionais iniciaram uma facção contendo os departamentos de modelagem, corte, costura e acabamento, que atendia exclusivamente empresas de confecções passenses.

Poucos meses depois, a maioria de mulheres que foram demitidas pela Talento, procuraram Eutália para uma vaga de emprego e ela foi contratando aos poucos.

Hoje, graças a Deus, são 47 costureiras registradas. No começo aluguei um barracão e depois outro menor. Trabalhamos para duas empresas confeccionistas de São Paulo e já produzimos mais de um milhão de máscaras faciais levadas para outras cidades, inclusive Manaus (AM)”.

Eutália afirmou ser imensamente grata a toda família Talento onde era gestora.

Tenho grande estima pela marca. Parte do meu acerto financeiro com a empresa, localizada no bairro da Penha, troquei em máquinas novas de costura. Aos poucos fui comprando mais e hoje são dezenas. Afirmo que a minha empresa possui 80% de equipamentos e mais 80% de ex-empregados da Talento”, assegurou.