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Itaiquara fica sem produção e para safra

28 de julho de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – O Grupo Itaiquara, que engloba a Itaiquara Alimentos S.A. e a Usina Açucareira Passos S.A, teve apreendida na última sexta-feira, dia 24, a sua produção de 600 toneladas de açúcar. A penhora da produção foi solicitada por uma empresa credora, da cidade de Piumhi, e, por causa disso, a direção da empresa decidiu suspender a colheita da cana, que está em plena safra.

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A apreensão atendeu uma carta precatória da justiça de São Paulo e ocorreu depois de uma tensa negociação que durou mais de 22 horas entre 5 oficiais da justiça da Comarca de Passos e os representantes do Grupo Itaiquara. Assim que chegaram à usina para cumprir o mandado, às 07h00 da manhã de quinta-feira, os oficiais e os caminhões que iriam recolher a produção foram impedidos e fazer o trabalho. Alguns caminhões carregados de cana foram posicionados nas saídas da usina, como forma de impedir a circulação do pessoal.

Iniciou-se uma intensa negociação que só terminou por volta das 18h30 da quinta-feira, quando os advogados do Grupo Itaiquara, vindos num jatinho de São Paulo, informaram que não conseguiram reverter a decisão da justiça e aceitaram o embarque do açúcar, que só terminou às 08h00 da manhã de sexta-feira.

A Polícia Militar foi acionada para auxiliar nos trabalhos. De acordo com o ten PM Carlos Giovani Gomes, os oficiais de Justiça estavam no local para cumprir uma ordem judicial e temiam que algum tipo de violência poderia ocorrer e a situação sairia do controle. “Toneladas de açúcar foram recolhidas e situações como essas podem deixar os ânimos dos envolvidos um pouco alterados. Foi preciso dar apoio durante todo o trabalho para que a segurança dos oficiais fosse garantida”, explicou.

Ainda de acordo com a PM, o processo todo durou cerca de 22 horas. “Uma das nossas guarnições ficou no local em que o carregamento do açúcar estava sendo feito durante toda a noite. Chegamos ao local às 9h da manhã de quinta-feira, o início do carregamento se deu no início da noite e terminou às 7h da manhã do dia seguinte, sexta-feira. Com o apoio fornecido, tudo que havia sido determinado pelo Poder Judiciário pôde ser cumprido. Quando um oficial de Justiça chama a PM, damos total apoio. É um procedimento normal. O que a lei determina deve ser cumprido”, afirmou.

Ontem o movimento dos funcionários da usina era apenas para a manutenção dos equipamentos, segundo informaram alguns representantes de dois dos sindicatos que têm associados como servidores nas usinas. A fábrica de fermento estaria funcionando normalmente.

A expectativa deles é de que a empresa consiga reverter a situação na justiça de São Paulo, onde o grupo tem um pedido de recuperação judicial. Mas nos meios jurídicos, no entanto, a informação é de que isso está difícil, dado o elevado número de mandados de penhora de produção que já estariam aguardando. A empresa, por sua vez, não está se pronunciando a respeito.

Recuperação judicial foi pedida em outubro

PASSOS – O pedido de recuperação judicial do Grupo Itaiquara foi formalizado em outubro do ano passado perante a Vara Única da Comarca de Caconde, SP. Num comunicado assinado por João Guilherme Figueiredo Whitaker diretor-presidente da Itaiquara Alimentos S.A. e Usina Açucareira Passos S.A, a empresas informava que o pedido era uma das etapas para reestruturação do grupo e que deverá evitar que débitos antigos e ataques judiciais ao seu patrimônio afetem sua a atividade produtiva.

No comunicado, o diretor-presidente da companhia explicava que a recuperação judicial era a medida mais adequada para garantir a proteção da empresa, de seus integrantes, dos empregos e de seu patrimônio. Ele frisava que a medida foi necessária para a readequação do quadro de
funcionários à nova realidade do grupo.

Digo isso para ressaltar que escolhemos cada um de vocês para continuar conosco nessa próxima etapa do Grupo Itaiquara, cheia de desafios, os quais, tenho certeza, que todos vocês nos ajudarão, dia a dia, a superar”.

Com a protocolização do pedido de RJ, o Grupo Itaiquara esperava otimizar e acelerar sua reestruturação financeira. Segundo Whitaker, em comunicado, “a partir do deferimento do processo, a negociação dos débitos do grupo se daria de forma coletiva com os credores, sob supervisão e proteção judicial, de forma a garantir mais coordenação, segurança e transparência nesse processo, assim como mais tempo para que nos dediquemos às nossas atividades produtivas.

O nosso objetivo continua sendo o mesmo: a busca de uma solução definitiva e sustentável para o nosso equilíbrio econômico-financeiro, uma etapa indispensável para voltarmos a nos dedicar em breve aos nossos planos de crescimento”, afirmava o diretor-presidente.