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Investigação sobre Casmil depende do Banco Central

15 de janeiro de 2021

Computadores, aparelhos celulares e diversos documentos foram apreendidos na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro. / Foto: Helder Almeida

PASSOS – O delegado da Polícia Civil Felipe de Souza Capute, coordenador da operação ‘Consilium Fraudis’, realizada no dia 15 de outubro de 2020 e que culminou em apreensão de computadores, aparelhos celulares e diversos documentos da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), depende somente de garantia do Banco Central (BC) para prosseguir as investigações sobre crime patrimonial. Os principais alvos são o presidente e o primeiro e o segundo vice-presidentes da sociedade prestadora de serviços.


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Capute revelou ontem à reportagem que o Inquérito Policial (IP), que tramita pela Agência de Inteligência Policial (AIP), tem como objetivo esclarecer o destino final de R$526 mil obtidos em uma suposta fraude.

Há indícios substanciais que a gestão da cooperativa desvirtuou a emissão de títulos de créditos em detrimento do patrimônio de um fundo investidor na cidade de São Paulo, capital”, explicou.

O delegado responsável pela condução das apurações, disse que, em três meses, coletou material e documentos comprovando a existência de fraudes. Ainda de acordo com Capute, ele já solicitou a quebras do sigilo bancário ao juiz da 2ª Vara Criminal de Passos, foi deferido e encaminhado ao BC.

Assim que obter o acesso às movimentações financeiras no período em que antecedeu e ocorreu o suposto crime societário, haverá melhores condições de apurar de que forma os dirigentes da Casmil conseguiram diluir o dinheiro até então obtido de forma ilícita”, frisou.

Segundo Capute, os principais gestores envolvidos no crime, além da própria cooperativa, estão sendo alvos de execuções judiciais em âmbito civil, principalmente por parte dos credores que foram lesados por inadimplência.

Fundada em 1949, a Casmil já encerrou as atividades de captação de leite cru e produção de lácteos. O posto de combustíveis e a loja veterinária foram terceirizados. Fazem parte da direção da Casmil: Leonardo dos Reis Medeiros, presidente; Cleyton Carvalho Silveira, vice; e são conselheiros: Cleyton Antonio de Freitas, Paulo Tadeu Pádua e Fabrício Simão Medeiros.


Entenda o caso

No dia 15 de outubro do ano passado, por volta das 8h, de posse de um mandado de busca e apreensão solicitado por Capute e expedido por uma autoridade do Poder Judiciário de Passos, a equipe da DRPC chegou à sede da Cooperativa, na rua Coronel João de Barros, 840, centro, e recolheu, no setor financeiro e na sala do presidente Leonardo Medeiros, várias máquinas eletrônicas de processamento de dados da Casmil, telefones móveis de três principais e atuais gestores, cujos nomes não foram revelados, além de títulos impressos, todos com relevância investigativa.

De acordo com Capute, responsável pela AIP, o principal objetivo da operação ‘Consilium Fraudis’ é investigar supostos crimes societários, relativos à apropriação indébita, estelionato e associação criminosa, com indícios de que os atuais gestores fraudaram a emissão de documentos e títulos de créditos em detrimento do patrimônio de um fundo investidor na cidade de São Paulo, capital, no valor aproximado de R$526 mil.

Capute revelou, na época, que as pessoas envolvidas nos supostos atos criminosos não foram presas e nem afastados de suas funções porque não houve anuência do Poder Judiciário. A operação teve início no segundo semestre de 2020. Os atuais diretores da cooperativa teriam negociado com uma indústria de alimentos o repasse de duplicatas da empresa a título de créditos decorrentes da venda de leite cru. A diretoria da cooperativa, então, cedeu esses créditos a um fundo de investidores que adquire títulos recebíveis mediante juros compensatórios e contraprestação à vista para o cedente.

Os levantamentos apontam que o termo de cessão foi no valor aproximado de R$526 mil. Posteriormente, a indústria de alimentos quitou o débito das duplicatas com a Cooperativa. As investigações mostram, contudo, que os gestores receberam indevidamente os valores dos títulos, que não foram repassados em pagamento à cessão anteriormente firmada com o agente financeiro.