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Inadimplência recua 10% em Passos

9 de outubro de 2020

O secretário de fazenda, juliano beluomini, e o prefeito de passos, Diego Oliveira. / Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – Um levantamento realizado pela Associação Comercial e Industrial de Passos (Acip) aponta que o número de inadimplentes diminuiu 10% em setembro em relação ao mês de agosto. Os dados são referentes à quantidade de nomes cadastrados na plataforma Boa Vista – Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Ao todo, 404 pessoas estão negativadas em razão do não pagamento de débitos em estabelecimentos locais. O sistema contabiliza as informações de todas as empresas ligadas à Acip, que conta com seis profissionais atuando em um setor especializado em cobranças. Para oferecer melhores condições para os consumidores negociarem as dívidas, a associação utiliza o Serviço de Recuperação de Crédito (SRC). De acordo com as informações, mais da metade dos débitos lançados na plataforma se referem a empreendimentos voltados ao setor de roupas, calçados e utilidades de telefonia móvel.

Para Renato Mohallen Santiago, presidente da Acip, o índice de inadimplentes em Passos ainda não é expressivo, uma vez que a pandemia do novo coronavírus causou efeitos negativos para a economia local. Ele também explica que a retomada das atividades comerciais foi fundamental para diminuir a quantidade de desempregados e que, diante da atual crise financeira, as pessoas passaram a consumir de forma consciente para evitar dívidas.

Fui muito criticado quando começamos com o processo para a volta do comércio, mas hoje é possível perceber que foi a melhor alternativa, posto que conseguimos manter o fluxo de vendas sem que isso afetasse a situação da saúde. Além disso, o benefício do Auxílio Emergencial também contribuiu para que menos nomes fossem incluídos no SCPC. Com a aproximação do Dia das Crianças, apostamos que exista um aumento de cerca de 4% nas vendas em relação ao ano passado. Estamos a pouco mais de dois meses do Natal e muitos já estão se preparando para equilibrar os gastos de fim de ano, sem deixar de consumir. Ou seja, os clientes estão mais conscientes”, explicou Mohallen.

Conforme uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), o balanço de cidadãos mineiros inadimplentes registrou a primeira queda desde o início das ações para conter a covid-19. O índice de setembro teve um recuo de dois pontos percentuais e agora está em 39,47%. No Brasil, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o resultado é diferente, já que o endividamento atingiu 67,51% da população e está entre os maiores já registrado na história.


Maioria das pessoas que receberam auxílio continua com dívidas

PASSOS – A maioria dos cidadãos que receberam o Auxílio Emergencial ainda não conseguiu ficar em dia com as contas, de acordo com uma pesquisa feita pela plataforma Boa Vista – Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Ao todo, a instituição entrevistou 1,3 mil beneficiários, e 57% não haviam conseguido quitar todos os compromissos.

As estatísticas divulgadas pela instituição mostram que, uma vez que o auxílio não cobre o valor de todas as contas mensais, as pessoas passaram a estabelecer prioridades. O levantamento aponta que 47% dos beneficiados decidiram utilizar o dinheiro para o pagamento de contas de água e energia elétrica, 20% optaram por gastar com moradia, 13%, com compras de alimentos e itens de higiene pessoal, 7%, com faturas de cartões de crédito, 6%, com recursos para saúde e educação, 3%, com carnês, 3%, com telefonia móvel e 1%, com outros serviços. Marilene Andrade, designer de sobrancelhas, teve o benefício aprovado e revela que também usa o dinheiro para bancar as despesas de sua casa, assim como as contas fixas e alimentação.

O comércio parou de uma forma inacreditável e, sem essa ajuda do governo, as coisas estariam ainda mais difíceis. No ano passado, resolvi investir em minha profissão, fiz cursos e comprei materiais esperando que o retorno fosse rápido. Apesar disso, veio a pandemia e me pegou muito despreparada. Além dos gastos que tenho com a casa, ainda preciso pagar o aluguel do espaço que uso para trabalhar, porque, aos poucos, tenho recuperado a freguesia”, afirma.

No caso de Gabriel Aparecido Cintra, empresário, as vendas em sua distribuidora de bebidas caíram no início da pandemia, o que fez com que ele solicitasse o Auxílio Emergencial. No entanto, logo ele voltou a ter lucros e não foi necessário participar da segunda etapa do programa.

Em dois meses, os clientes voltaram e agora, graças a Deus, nossa condição melhorou bastante. Durante o período em que recebi o auxílio, esse dinheiro foi usado com os gastos da minha família e, com certeza, não foi suficiente, mas ajudou bastante. Não tenho mais do que reclamar e espero que esse momento chegue para todos que foram prejudicados pela pandemia”, disse o comerciante.

Para Antônio Lucas Pereira, estudante de engenharia civil, a situação foi complicada, já que perdeu sua fonte de renda e não teve o benefício aprovado.

Meu trabalho era informal. Aos fins de semana, eu ajudava o meu tio em sua lanchonete. Quando a pandemia chegou, fui dispensado e imaginei que seria socorrido pelo governo, mas, sem entender o porquê, fiquei na mão.”, disse.