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Imobiliárias descartam reajuste de aluguel pelo IGP-M em Passos

Por Mayara de Carvalho / Redação

27 de fevereiro de 2021

A única empresa que apresentou proposta foi a Talma Transportes, de Belo Horizonte. / Foto: Divulgação

PASSOS – Imobiliárias de Passos deixaram de lado o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) nas negociações sobre reajuste no valor dos contratos de aluguel. O indexador, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FVG), acumula alta de 5,17% em 2021 e de 28,94% nos últimos doze meses. A aplicação do IGP-M integral, segundo empresas consultadas pela Folha, afugenta os locatários, que podem preferir procurar outro imóvel. As alternativas vão de negociação sobre os índices de reajuste à manutenção do valor atual da locação.


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Donos de imobiliárias afirmam não entender como o IGP-M está tão alto e que o ideal seria um índice entre 4% a 7%. Benedito Leandro de Moura, dono de imobiliária, disse que, apesar da alta, não está reajustando o valor do aluguel para nenhum locatário. “Tem proprietários de residências que já pediram para aumentar, mas quando a gente fala para o cliente, ele pede para sair”, disse.

Segundo Moura, ninguém tem conseguido pagar o valor do reajuste.

Em dezembro, o IGP-M estava em cerca de 24%. As pessoas não conseguem manter o contrato desse jeito. Ninguém teve um aumento de salário que acompanhe essa taxa. O lado positivo é que 99% dos donos dos imóveis têm compreendido a situação, ainda mais com a pandemia. Então, não aumentamos o aluguel de ninguém, até agora”, afirma.

De acordo com o empresário, já teve clientes que saíram de imóveis por não conseguirem pagar o aluguel.

Muita gente perdeu o emprego. Tem gente que entrega a casa e vai morar com algum parente. Locadores que, forçosamente, pedem pelo reajuste acabam perdendo o locatário. Está complicado para os três lados, nós que somos intermediadores, para os proprietários dos imóveis e para quem precisa de uma casa para morar”, disse Moura.

Não entendi essa jogada do IPG-M e de onde eles tiraram esse posicionamento. A Bolsa caiu. A ferragem aumentou 140%, isso vai acabar gerando problemas nas construções num futuro próximo. Tenho duzentos móveis para alugar e muita reclamação, pois o dinheiro está curto. Mas estamos tentando driblar essa situação da melhor maneira possível”, disse.

O empresário do setor de imobiliária José Roberto Denúbila afiram que não tem usado o indexador para reajustar o valor dos aluguéis. Segundo ele, ninguém estava preparado para essa alta.

Por isso, a gente não tem usado o IGP-M para reajustar. Estamos fazendo um bem bolado com as pessoas. Pedimos para que seja reajustado pelo menos metade, uns 12%, por exemplo e, como a maior parte dos proprietários nos deixa livres para negociar, estamos trabalhando para que fique bom para todos”, disse.

Segundo Denúbila, os valores dos aluguéis estão desatualizados.

Um apartamento de três quartos, hoje, na rua Araxá, ali atrás da Avenida da Moda, por exemplo, que vale R$400 mil, deveria ser locado por, pelo menos, R$2 mil, e está cerca de R$1.200. Mesmo fazendo a correção de 12%, o valor continua abaixo do que deveria ser. Mas como ninguém consegue pagar, a gente vai tentando negociar. Agora, colocar a taxa toda do IGP-M é impossível. Certamente a pessoa vai me devolver o imóvel. Com uma boa conversa, temos minimizado os problemas”, disse.