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Hotéis e pousadas estão sem previsão de retorno às atividades

13 de abril de 2020

PASSOS – Não existe previsão de reabertura de hotéis e pousadas para os 320 empreendimentos de hotelaria que ficam em 18 cidades da região sudoeste de Minas que compõem o Circuito Turístico Nascentes das Gerais e Canastra.
A informação é do gestor dos dois circuitos, Kleyber Jorge da Silveira. Pelo fato de cada cidade da região ser independente em relação a criação de decretos de abertura e fechamento dos estabelecimentos do setor, é impossível ter uma data exata para a volta dos passeios e recebimento de turistas.

“Nós temos municípios que suspenderam todas as atividades por tempo indeterminado, como é o caso de Delfinópolis. Nós também temos municípios que estão prorrogando decretos semanalmente, mensalmente e até diariamente. Em conversa com o pessoal das cidades que fazem parte do Circuito Nascente das Gerais e Canastra, nenhum empreendedor, donos de hotéis ou pousadas, citou sobre alguma chance de reabertura do setor turístico, pelo menos enquanto durar a pandemia”, disse Kleyber.

Kleyber Silveira revelou que algumas empresas já tem fechado as portas. “E estamos falando de empresas grandes. Também temos relatos de demissões. Alguns empreendimentos demitiram 50% ou até mesmo 100% dos funcionários. O desemprego era algo que já sabíamos que iria acontecer caso essa pandemia não fosse controlada. A cadeia não gira e, com tudo fechado, não entra recurso para o hoteleiro, não entra recurso para o proprietário de restaurante nem para quem faz passeios náuticos. O resultado disso tudo é um empresário que não consegue manter folhas de pagamento, principalmente com a não previsão de data para retornar aos trabalhos”, lamentou o gestor.

 

Setor vai discutir redução na jornada e nos salários

 

PASSOS – Aliomar Nascimento, presidente do sindicato patronal Vale Das Águas, o qual cobre 25 cidades da região, explicou que é impossível mensurar os prejuízos no setor de turismo daqui. “Vamos ter um impacto financeiro, sem sombra de dúvidas, afinal, estamos em uma das regiões mais procuradas do Brasil, quando se fala em turismo. Nós temos, na nossa região, o Parque Nacional da Serra da Canastra e o Lago de Furnas. O impacto financeiro é, com toda certeza, notável. Contudo, as pessoas entendem que é hora de parar. É momento de reavaliar o que é importante”, revelou.

Nascimento disse que a nível financeiro, as 25 cidades sofreram muito. “Muitas pararam, fecharam. O número de turistas que recebemos nas 25 cidades, não sei te precisar, mas recebemos gente do Brasil e do mundo inteiro. É um volume muito grande de pessoas que vinham para região. Por baixo, se pegarmos umas quatro cidades direcionadas ao turismo, acredito que devemos ter umas cinco mil pessoas. Então, eu acho, que é um prejuízo bastante considerável para toda cadeia de serviço o qual representamos”.

O dirigente revelou que na terça-feira será realizada uma reunião para discutir o tema. “ Temos uma convenção coletiva, na terça, 14, e vamos esclarecer e orientar sobre alguns pontos, tais como, redução de jornada de trabalho e consequentemente de salário e outros acordos. Estamos elaborando um aditivo e temos 10 dias para entregá-lo. Temos que correr pois não queremos que funcionários fiquem sem o complemento de salário, falo sobre os casos onde o colaborador teve redução de salário e jornada”, explicou Nascimento.

 

Circuito

 

José Eduardo Almeida, presidente do Circuito Nascentes das Gerais e Canastra e dono de um hotel na cidade de Cássia, disse que no município os hotéis tiveram permissão para abrir, porém, com algumas restrições.

“Nos foi permitido colocar um hóspede por apartamento, com exceção de casais e, manter os cuidados básicos, tais como, distância de dois metros entre as pessoas, luvas, máscaras e álcool em gel. Algumas cidades, assim como Delfinópolis, que é logo aqui do lado, fecharam por completo. É complicado. Vamos ter que voltar as atividades em algum momento”, falou José Eduardo.

 

Glória tem rondas nas pousadas do município

 

PASSOS – Leandro Costa Garrossino, secretário de Turismo do Glória, disse que a cidade tem, na área urbana, cerca de 25 pousadas e 15 na zona rural. Além disso, o município tem umas 90 casas de aluguel e um hotel na cidade, todos fechados, assim como a área de camping.

“Infelizmente, não temos previsão de retorno aos trabalhos. No início, essa iniciativa partiu dos próprios proprietários dos empreendimentos. Tudo fechou, após os órgãos de saúde começarem a recomendar que esses pontos não funcionassem. Fizemos uma campanha de fechamento voluntário aqui no Glória e os donos desses empreendimentos foram os primeiros a aderirem os pedidos. Em um segundo momento fizemos um decreto onde ficou oficializado o fechamento das pousadas e de todo o comércio do município”, comentou.

Garrossino contou que rondas e fiscalizações estão sendo feitas por várias áreas que abrangem o circuito das nascentes. “Hoje, 09, dei uma volta na Serra, com o intuito de acompanhar movimento de carros de turistas, ou de alguma pousada que, por ventura, estivesse funcionando. O que encontrei? Tudo fechado. Andei o dia todo e não havia nenhum trânsito de turistas nem na Serra nem na nossa divisa com Furnas e Capitólio. Passei no Paraíso Perdido, Pé de Serra, No Retiro Viking e nenhum empreendimento estava aberto. Fui até o Clube Náutico o qual estava também fechado assim como o camping do Quebra Anzol no pé da barragem de Furnas”, informou.

Leandro Garrossino disse que, em São João Batista do Glória, não tem ouvido falar sobre demissões por parte dos empreendedores do ramo turístico. “Grande parte dos estabelecimentos da cidade são tocados pela própria família”, contou.

 

Piumhi deixa de receber cerca de 5 mil pessoas na Páscoa

 

PIUMHI – Já na cidade de Piumhi, muito procurada pelos turistas por conta de ser um dos portais de entrada da região da Serra da Canastra, um decreto determinou o fechamento de todos os hotéis, sem previsão e retorno aos trabalhos. O prefeito de Piumhi, Adeberto José de Melo, mais conhecido como Deco, é dono de um hotel no município e disse que esses empreendimentos só retornarão aos serviços quando a pandemia passar. Contudo, não se sabe ao certo, quando isso vai ocorrer.

De acordo com o prefeito de Piumhi, a cidade tem quatro hotéis e várias pousadas. “Em uma época como essa, de semana santa, costumávamos receber de três a cinco mil turistas. Esse número é alto. Isso ocorre pela proximidade que nosso município tem com a Serra da Canastra e com o Lago de Furnas. Porém não estamos funcionando e não sabemos quando voltaremos a funcionar. Fazemos decretos semanais. Estamos, diariamente, pensando em uma solução. Não sabemos quando vamos voltar aos trabalhos. Os donos de hotel deram férias para os funcionários”, finalizou o prefeito de Piumhi.

Capitólio, cidade muito procurada por turistas e que oferece cerca de 4 mil leitos de hospedagem, durante o ano todo, também não tem previsão de quando as atividades irão voltar ao normal. Foi publicada Lei número 2047, de 09 de abril de 2020 determinando a vedação de hotéis e até de aluguéis de casas de temporada enquanto perdurar o estado de emergência em saúde pública em razão da pandemia causada pelo Covid-19