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Hospital precisa de R$100 mil mensais para se manter

Por Adriana Dias / Redação

14 de Maio de 2020

Desde 2014 a situação financeira da instituição, mantida pela fundação Itaú de Assistência Social, vem sendo agravada. / Foto: Divulgação

ITAÚ DE MINAS – Uma queda de cerca de 50% na arrecadação pode levar o Hospital Itaú a fechar as portas. Para que isso não aconteça, o novo Gerente Administrativo do hospital, Diego Torres da Silva, tem pedido a ajuda da população e autoridades. Desde 2014 a situação financeira da instituição, mantida pela Fundação Itaú de Assistência Social, vem sendo agravada, mas, agora, com este tempo difícil de pandemia o problema piorou.

Silva explicou que a instituição não tem verba fixa e que sobrevive da receita diária dos atendimentos, e estes atendimentos caíram drasticamente devido ao momento em que o país e o mundo vivem.

Em entrevista à Folha, Diego Silva contou que assumiu a gerência no início de março e que desde então vem tentando descobrir saídas para a situação financeira do hospital, que precisa de cerca de R$100 mil mensais para pagar as despesas, além do que recebe do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Como o nosso hospital não tem verba fixa que podemos contabilizar como receita, pois só temos taxa administrativa, então recebemos algo se houver produção. O que recebíamos já não era suficiente para suprir a despesas e custos. E com essa pandemia a produção caiu drasticamente e com isso a receita do hospital também caiu cerca de 50%. Esta queda compromete diretamente na folha de pagamento e prestador de serviços. Sem contar que os valores de insumos subiram absurdamente. Meu teto máximo que recebo de SUS é de R$12 mil a R$15 mil, mesmo internando acima da meta, não recebemos a mais, nem por isso vamos deixar de atender os pacientes”, disse Silva.

O hospital funciona há 60 anos e tem 34 leitos, dos quais 20 são disponibilizados para o SUS e o restante para atendimentos particulares e de convênios.

Normalmente nós conseguimos atender 107 internações anuais dentro da pactuação com o SUS, mas, no ano passado por exemplo fizemos 308, e esta diferença não é paga, acarretando um déficit nas contas. O hospital presta atendimentos de clínica médica, serviços ambulatoriais e laboratoriais e ainda exames. Com a pandemia e a orientação para não sair de casa as pessoas estão evitando, inclusive, fazer consultas e exames”, alegou.

Campanha tenta arrecadar fundos junto ao cidadão

ITAÚ DE MINAS – A fundação tem uma linha de trabalho junto à população de Itaú de Minas para arrecadar fundos.

Uma delas é o projeto Irmão Amigo, no qual o itauense faz uma contribuição mensal e ganha descontos em consultas, exames e, caso precise ser internado, mesmo que pelo SUS, ele recebe gratuitamente o serviço de hotelaria. Mas até isso tem diminuído, portanto, precisamos do envolvimento da sociedade para não deixar que o hospital, único no município feche suas portas”, salientou.

Questionado sobre o convênio com a Prefeitura de Itaú de Minas, Diego Silva contou que sempre teve, mas que, atualmente, devido à situação financeira enfrentada pela administração, o convênio foi suspenso.

Nós fornecemos o serviço de Raio X para a prefeitura. No momento este é o único serviço prestado. O relacionamento entre os dois órgãos é bom, mas entendemos que a prefeitura vem sofrendo há anos com a questão da falta de repasses”, apontou.

Sobre o coronavírus, Diego Silva disse que o hospital só atendeu, nos últimos dias, pacientes que estavam com suspeitas. “Os sintomáticos foram encaminhados para a Santa Casa de Passos, que é o hospital de referência para a doença”, finalizou.