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Histórias da ‘Cidade Carinho’

Por Adriana Dias Redação

23 de fevereiro de 2021

Foto: Divulgação

A frase atribuída ao poeta cubano José Martí, que ‘há uma coisa que um homem (mulher) deve fazer na sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro’, pode ser a máxima da piumhiense Maria Joana Rezende Oliveira, a Nininha do Diquinho, de 74 anos.

Ela lançou na semana passada, sem cerimônia oficial, por conta da pandemia do novo coronavírus, o livro duplo “Retalhos e Fuxicos” e “Criança diz e faz cada coisa”. A obra levou cerca de um ano para ser finalizada e traz histórias contadas de pais para filhos e também anotações feitas com falas da filha da autora.

De acordo com Nininha, ver este livro lançado é a realização de um sonho que, na verdade, ela nem mesmo sabia ter antes de ter iniciado e concretizada a obra.

Penso que seja o sonho de qualquer pessoa ter um livro escrito, mas era sonho distante. Eu ia fazendo anotações. É igual o nascer de um filho. Sobre os textos, eu os registrava sem pensar em livro. Desde 2008 escrevia sobre os fatos da parte, digamos adulta, e, o material que se refere ao infantil vinha anotando há 50 anos. Durante o ano que antecedeu a pandemia eu estava fazendo de forma regular, mas com o isolamento social, tive outras atribuições, mas logo retomei. Confesso que sequer tinha prática com digitação, pois estava tudo manuscrito, mas passei tudo para o computador, fiz correções e a obra ficou pronta”, disse a professora, diretora e orientadora escolar, aposentada há 30 anos.

A obra publicada pela Editora Palocci tem capa dupla, sendo a primeira parte sobre as histórias, principalmente da família Rezende Silva, com 127 páginas, que traz uma foto da autora autografando a obra. E, na parte das crianças, é uma arte em forma de literatura de cordel com a foto de duas filhas, quatro netas e seu rosto colorido em desenho, contando com 69 páginas, totalizando 196 páginas. A arte da capa foi produzida por Cláudio Rodrigo. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (37)98402-7433.

Sobre o lançamento, a autora informou que ainda quer realizar um evento, assim que a pandemia acabar. “A ideia é fazer um pós-lançamento com alguma performance teatral”, finalizou Nininha. A obra em si é a reconstrução da história de importante ramo familiar da comunidade piumhiense: Rezende Silva. Relatos, descrições e experiências vividas por membros da família foram cuidadosamente garimpados, selecionados e transformados em textos capazes de provocar sentimentos diversos: emoções, saudades, risos e até gargalhadas.

Sobre o título, Nininha explicou que sempre costurou e fez fuxico, e ainda faz. Para o historiador Luis Augusto Junio Melo, a obra trata-se de um registro familiar que hoje será buscado em sua maioria por familiares e amigos, mas que no futuro não muito longínquo será uma importante fonte histórica.

Nele, os historiadores do futuro se debruçarão a estudo e saberão como era o cotidiano de uma família que, de simples, se fez importante no seio de nossa querida Piumhi. Os relatos genealógicos ajudarão a construir as redes familiares possibilitando que os nossos sucessores conheçam seu berço e sua origem familiar. É o que sempre digo: para conhecer a si próprio é preciso buscar e conhecer as suas origens, e isso só é possível através da história”, disse Melo.

Maria Joana Rezende Oliveira, a Nininha do Diquinho, é a autora da obra dupla ‘“Retalhos e Fuxicos” e “Criança diz e faz cada coisa

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