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Hábito de compras continua retraído em razão da pandemia

7 de Maio de 2020

PASSOS – A evolução da pandemia do novo coronavírus continua alterando a rotina de compras dos brasileiros. Conforme pesquisa elaborada pelo Instituto de Pesquisa & Data Analytics Croma Insights, entre os meses de fevereiro e abril, 60% das pessoas deixaram de adquirir bens de consumo considerados supérfluos e optaram por garantir reservas para o pagamento de contas, alimentação e itens de higiene. Além disso, também foi verificado que 80% da população estão cada vez mais preocupados com as incertezas que a covid-19 trouxe para o mercado de trabalho.

Em Passos, o economista e especialista em mercado financeiro Fabrício Bruno Perin disse que, em razão das incertezas, a mudança na ordem de prioridade de consumo é compreensível e deve ser cada vez mais frequente. “É natural que as compras não essências sejam reprimidas no momento. Nesta fase de imprecisão, as pessoas têm se preocupado em como podem ficar os seus respectivos empregos e, até mesmo, focam no pagamento de compromissos feitos antes deste cenário”.

Para os consumidores, o especialista lembrou que procurar alternativas de aumentar a renda doméstica é tão fundamental quanto economizar.

“Encontrar maneiras de diminuir gastos é importante, porém, procurar ganhar dinheiro de formas alternativas também pode ser uma forma de amenizar a crise. Tenho observado que, atualmente, mais pessoas tem oferecido serviços relacionados às suas habilidades, tal como em produção de bolos, quitandas ou prestação de serviços de elétrica”, lembrou.

Em relação a retomada da normalidade, Perin informou que, de modo geral, os economistas esperam uma melhora somente no 4º trimestre do ano. Por último, em casos onde os indivíduos possuem valor extra para poupar, a indicação, para os mais conservadores, é o investimento no Tesouro Selic, um título atrelado à taxa de juros básicos da economia, oferecido pelo Tesouro Direto, que corresponde ao programa de negociação de papéis do Tesouro Nacional. Assim, o mesmo pode ser uma boa aplicação para quem busca baixo risco, alta liquidez e retornos ligados ao motor básico da renda fixa.

“A aplicar na poupança nunca é a melhor opção, se comparada com o Tesouro Selic, é possível notar que ambos são aplicações de renda fixa, mas que no tesouro o rendimento é diário, enquanto que, na poupança, o lucro ocorre apenas no aniversário da poupança”, finalizou.

Consumo passense 

Em relação ao consumo de itens básicos, apesar de continuarem como prioridade dos consumidores, também foi possível identificar alteração no modelo de compras local. Em pesquisa elaborada pela Folha, representantes de cinco supermercados informaram que, ao contrário do ocorrido no início do período de quarentena, onde pessoas compravam em mais quantidade e frequentavam menos os estabelecimentos, agora, os clientes tem visitado mais os estabelecimentos e comprado menos.

“Mesmo com as filas para entrar e as limitações de distância, percebemos que as pessoas voltaram a comprar de forma mais fracionada. Outro ponto interessante é que, o álcool gel 70%, item que foi muito buscado, agora permanece com demanda estável”, disse um representante que preferiu não se identificar.

O mesmo foi identificado nas drogarias, segundo os farmacêuticos entrevistados, a quantidade de álcool em gel disponível voltou a ser constante e a busca por medicamentos diminuiu. “Por medo dos possíveis efeitos da pandemia, os consumidores chegaram a comprar vários remédios, atualmente, esse ritmo voltou a normalidade, assim como a busca por álcool gel. Por enquanto, temos dificuldades apenas nas questões de reposição de máscaras, pontuou o farmacêutico Toni Carvalho.