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Há o risco de outra ditadura?

27 de junho de 2020

Corremos este risco de acontecer outra ditadura político-militar no Brasil a exemplo da que ocorreu em 1964? No atual momento das incertezas políticas porque passa a nação brasileira, esta tem sido a preocupação dos que primam pela democracia de um lado e do outro lado a vontade e o desejo dos que amam o totalitarismo. Em se tratando dos analistas políticos também existem duas vertentes a daqueles que asseguram que não haverá golpe porque as instituições republicanas estão firmes e funcionando constitucionalmente.

E do outro lado, a daqueles que veem a cada dia o país se aproximando do golpe com intervenção militar e até mesmo, diferentemente de 1964 em que o presidente Jango foi deposto, agora desta vez manter o presidente Bolsonaro como ditador.

É o que desejam em última análise, pelo menos os ruidosos manifestantes do Jair Bolsonaro. As análises colocadas dessa maneira são simplistas e, portanto carecem de ser aprofundadas. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar, já dizia o bardo inglês William Shakespeare. Por isso todo cuidado é pouco para se tratar do assunto golpes e ditaduras no Brasil como de resto na América Latina. Mas, vamos nos ater apenas ao atual caso brasileiro.

Apesar da complexidade do tema, o que o torna mais complicado ainda é manter uma análise neutra ou isenta das paixões políticas o que é quase impossível de ser evitado no momento atual. Mesmo que não estivéssemos passando pelo problema da pandemia do Coronavírus que potencializou ainda mais a gravidade do momento político, podemos afirmar que as relações institucionais entre os três poderes não vinham nada bem. Muita animosidade de parte a parte.

Daí criou-se uma crise atrás da outra, propositais ou não para escamotear a falta de projetos ou de programa pré-definido do governo Bolsonaro. A verdade é que o presidente Bolsonaro não conseguiu neste ano e meio de governo mostrar a capacidade de liderança e de como lidar com a Câmara e o Senado. E de resto com o STF e pasmem até mesmo com seus aliados de primeira hora. Ele foi despachando um a um de seu ciclo de poder. Despachou o Bebiano (já falecido), os ex-ministros Mandetta e o Sérgio Moro que era talvez o maior avalista de seu governo.

Recentemente perdeu o amigão da campanha eleitoral o empresário Paulo Marinho que é suplente de senador do Flávio Bolsonaro. E à medida que vão caindo suas cartas mais importantes do embaralhado Planalto, vai inflando o seu governo com militares. A insinuante presença militar no governo seja talvez para que o presidente Bolsonaro sinta-se seguro e inatingível.

Ou talvez, quem sabe, para mostrar aos adversários que tem o apoio das Forças Armadas, caso a oposição venha “esticar a corda” como disse o seu ministro da Secretaria do Governo, o General Luiz Eduardo Ramos. Diante de todo esse imbróglio político, Bolsonaro passou a discursar dissimuladamente como vítima de que não o deixam governar. E vai além com algo no estilo a estimular que a solução é o golpe ao apoiar e prestigiar manifestações até mesmo criminosas de seus seguidores a exigir a intervenção militar.

Agora vou tentar responder a pergunta do título deste texto. Não se pode desprezar nunca o risco de golpe, mesmo sabendo que o clima de crise institucional criado pelo bolsonarismo visando este fim, não apresentar nenhuma consistência para justificá-lo.

Até porque, para execução do golpe é necessário inventar uma justificativa, porque não tem justificativa real para levar o país a mais uma aventura autoritária. E sem as Forças Armadas coesas e dispostas a entrar na aventura de golpe orquestrada por Bolsonaro, não será possível sua execução.

Até agora a cúpula militar da ativa têm demonstrado com todas as letras que as Forças Armadas não devem obediência ao Presidente da República. As Forças Armadas devem obediência à Constituição Federal! E há na imprensa declarações de muitos Generais da reserva afirmando que não há qualquer possibilidade de Exército, Marinha e Aeronáutica embarcarem em uma aventura antidemocrática. Parafraseando Thomas Jefferson: A manutenção da democracia é a eterna vigilância. Então, vigiemos!

ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História