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Guerra contra os EUA?

16 de novembro de 2020

Depois da fala do então candidato Joe Biden, eleito presidente dos EUA, de que imporia efetivas sanções contra o Brasil, caso não cessassem as queimadas e devastações na Floresta Amazônica, Bolsonaro saiu em defesa da Amazônia. Em princípio, bonito gesto republicano. Sim. Na condição de chefe Supremo das Forças Armadas do Brasil, o presidente brasileiro tem mais é que defender a soberania da nação brasileira. Mas, da forma como fez, não foi nem um pouco feliz. Muito pelo contrário. Agiu com extrema insensatez.

A atitude veio pronta e não bem acabada. Na métrica do seu feitio, acabou por declarar guerra contra a maior potência bélica do planeta. Isso mesmo: contra os Estados Unidos da América. Não disse, por exemplo, “após vencidas todas as etapas diplomáticas“. Também seria exigir demais. Não sabe fazê-lo. É tosco. Retórica não é com ele. Também não conta com um belo corpo diplomático.

Na sua equipe não dispõe de um ministro das Relações Exteriores à altura para amenizar a situação. O chanceler Ernesto Araújo é deplorável em suas funções. Vem colecionando danos à imagem do Brasil lá fora. São dados conjugados que sustentam a tese. Um e outro ministro escapam. O restante, um desastre. Veja-se o caso do Meio Ambiente; o da Saúde; o da Economia; o da… Não dá! Está complicado. O Governo Bolsonaro está perdido.

Voltemos ao imbróglio com Biden. Neste caso, o presidente Jair Messias Bolsonaro trabalhou unilateralmente. Ou seja, sozinho. E foi plural. Muito. Costumeira rusticidade na linguagem, disse assim: “Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora“. Nem se deu conta de que a invenção da pólvora é chinesa. Que tudo começou por volta do século X, quando o explosivo começou a ser utilizado com propósitos bélicos. Na forma de catapulta para atingir os inimigos.

Assim, foi o bastante para a rapaziada deste valoroso rincão mostrar o seu talento, o poder criador. Desta feita, estourou em ‘memes’ nas redes sociais. E não é para menos. As Forças Armadas não gostaram da brincadeira. Sucateadas, a ponto de não aguentar guerra com a Venezuela. No futebol foi custoso ganhar de um a zero! Contra os States… Meu Deus!

Ponho-me a imaginar. Como o presidente Bolsonaro se indispôs com as tribos indígenas, buscou gratuitamente conflito com a cultura dos índios, pergunto: de que forma contará com a ajuda dos habitantes da selva quanto ao uso de armas eficazes para enfrentar os Estados Unidos? Não vai poder contar com arcos, flechas, tacapes, bordunas, zarabatanas, ibirapenas, setas propulsoras etc.

Não sei. Pensar e dar dica não ofende, não paga imposto e tampouco vai deixar de sofrer com a Operdora Oi por falta de internet. Estão roubando os cabos e fios das redes de conexão. Mudar-se de operadora paga-se multa, deixar de honrar um dia, dá SPC, Serasa… Negativação do nome! Cadê a Segurança de que tanto precisamos?!

Senão, vejamos: não seria menos inquietante e doloroso o presidente pedir aos filhos 01, 02 e 03 (não sabemos se há 04 ou mais), irem aos Estados Unidos. E, em nome da dignidade e sanidade da brava gente brasileira (deixa-se claro, nada temos a ver com esse despautério) e rogar desculpas de joelhos, com a humildade que o momento exige?

Afinal, o procedimento seria menos desonroso do que ouvir de um jornalista do quilate de um Alexandre Garcia — quem diria! — que a história da Guerra do Vietnã (de 1°-11-1955 a 30-04-1975) poderá ser reeditada na Selva Amazônica, a nosso favor. Que temos chance de vencer na selva! Oi?! Convenhamos, disparate tem limite! Lamber botas e coturnos é uma coisa. Rasgar páginas de uma rica biografia de um grande jornalista é outra. O que é isso, Alexandre? Que gracinha! Reenquadre-se.

Luiz Gonzaga Fenelon Negrinho, advogado, com escritório em Formiga, escreve aos domingo nesta coluna.