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Grupo de catadores em Passos enfrenta dificuldades

22 de Maio de 2020

Barracão da Coocares, superlotado por recicláveis. / Foto: Reprodução

PASSOS – Os membros da Cooperativa dos Catadores e Recicladores de Passos (Coocares) sofrem os impactos da atual crise econômica, causada pela pandemia do novo coronavírus. Por conta do isolamento social, as empresas que costumavam comprar os materiais suspenderam suas atividades, o que paralisou o fluxo de vendas.

Além da questão financeira, a estagnação das vendas também ocasionou no acúmulo de resíduos na sede da associação, localizada na travessa Rui Barbosa, 340. O espaço está superlotado e a rede de energia não suporta que as máquinas de processamento e prensa sejam ligadas para iniciar a etapa de reciclagem dos objetos.

O local atende 12 famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade econômica e ainda recebe recicláveis de outros catadores, sendo que o rendimento financeiro dessas pessoas depende das vendas. O engenheiro civil Frank Dias Ferreira auxilia o trabalho de gestão da Coocares e diz que o grupo precisa de apoio para enfrentar o período de isolamento, tanto para arrecadar recursos, quanto para realizar as vendas e liberar espaço para novas mercadorias.

É preciso unir forças para superar essas dificuldades, nossa cidade necessita de uma coleta seletiva pública e de qualidade e os catadores merecem uma assistência para possuir os mesmos direitos que qualquer outro trabalhador”, disse Ferreira.

Quem também apoia a situação da entidade é o promotor de justiça Antônio José de Oliveira, que reivindica um espaço maior e gratuito para os recicladores.

Fico pasmo por saber que, até hoje, a prefeitura não oferece nenhum apoio a essa atividade, acho que o mínimo é oferecer um local adequado. O trabalho protege o meio ambiente e diminui o lixo orgânico, e isso é uma economia para o município, por isso é preciso que exista uma sensibilização”, cobrou.

O presidente da Coocares, Olário Alves Ribeiro, está no comércio de recicláveis há mais de 20 anos e conta que nunca recebeu ajuda do poder público no município e, neste momento, tem assumido todos os gastos da associação para ajudar outros trabalhadores.

Uso o dinheiro da minha aposentadoria, que é o meu sustento, para arcar com os gastos do caminhão de coleta, do aluguel, de água e energia; neste período de isolamento, ainda pago a moradia de outros dois catadores e, quando é preciso, compro até remédios”, revelou.

Aos 72 anos, o aposentado declara que não tem mais o que oferecer aos membros da associação e destaca que todos dependem de doações enquanto as vendas estão paralisadas.

Recebemos algumas cestas básicas e já as entregamos para as famílias, quando acabar, não temos mais o que oferecer. Tenho medo de que eles acabem passando fome e é por isso que compartilho o meu próprio dinheiro; precisamos de qualquer tipo de contribuição, espero que a população nos ajude”, completou.

Regina Lopes de Lima é a vice-presidente da entidade e trabalha no setor há quase cinco anos, com a coleta e triagem dos materiais.

Nossa renda vem daqui e agora não conseguimos vender mais nada, o auxílio emergencial não foi liberado porque ainda está em análise e então, sobrevivemos com a ajuda de quem tem um bom coração. Em relação a prefeitura, não recebemos nenhum tipo de assistência e, por incrível que pareça, somos cobrados até pelo estacionamento do caminhão de coleta”, enfatizou.

Os que quiserem fazer algum tipo de doação ao grupo, podem ir até o endereço já mencionado na matéria ou entrar em contato pelos telefones (35) 9 9187-6325 e (35) 9 9713-5196.

A Folha entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da prefeitura, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta.