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Governo formaliza abertura de processo de tombamento de lago

Gabriella Alux/ Redação

22 de setembro de 2021

O tombamento dos Lagos de Furnas e Peixoto estabelece nível mínimo de 762 metros acima no nível do mar para Furnas e 663 metros para Peixoto, para assegurar o uso múltiplo das águas

CAPITÓLIO – A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) e a Prefeitura de Capitólio realizam hoje, 22, a assinatura de abertura do processo de tombamento dos lagos de Furnas e Peixoto. O evento, organizado pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e a assinatura acontece na Sala de Convenções da Secretaria de Educação, localizada na praia artificial, na rua São Sebastião, 1.040, a partir das 8h30. A solenidade será transmitida pelo YouTube da Secult.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Capitólio, Lucas Arantes Barros, foram convidados os prefeitos de municípios que integram a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), autoridades da Marinha, equipe de Furnas, integrantes de diversas organizações e associações, como o Circuito Turístico Nascentes das Gerais e Canastra, entre outros. Segundo Lucas, o evento também contará com a participação do titular da Secult, Leônidas Oliveira, a subsecretária de Turismo, Milena Pedrosa, deputados, e participação virtual do governador de Minas, Romeu Zema.

“O tombamento do Lago, como patrimônio histórico e cultural de Minas, vem ao encontro dos esforços em manter a cota mínima de 762 metros para Furnas e de 663 metros para Peixoto. Essa cota foi estabelecida como nível mínimo para que seja garantido o uso múltiplo do Lago de Furnas, tanto para uso no turismo, na pesca, agricultura e, claro, na produção de energia”, declarou Lucas.

Conforme relatou o secretário-executivo da Alago, Fausto Costa, a situação dos lagos de Furnas e Peixoto está crítica, com volumes baixos. Segundo ele, há muitos prejuízos econômicos, sociais e ambientais que vêm recaindo, há anos, especialmente sobre os empreendedores e profissionais dos segmentos de turismo, piscicultura, agricultura familiar.

“Os lagos de Furnas e Peixoto são estão nessa situação, no nosso modo de ver, por uma política equivocada de usar as águas para a geração de energia, coincidindo com esse severo tempo de escassez hídrica. Com isso, as consequências regionais são os prejuízos que causam na economia e, em repercussão nacional, é a insegurança energética, uma vez que, se o Lago de Furnas, como regulador do sistema elétrico da bacia do rio Grande, poderia gerar mais energia e abastecer as demais usinas se ajustasse para geração de energia barata que é a hidroelétrica”, declarou Costa.

Para Fausto, a formalização do tombamento é um momento marcante para fins de conservação e para estabelecer as cotas mínimas.

“Esta assinatura marcará o início de mais um importante trabalho a ser desenvolvido pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), sob o acompanhamento da Secult. No entanto, são etapas a serem seguidas como condição para se efetivar o tombamento propriamente dito. Ainda assim, para os próximos meses, as expectativas não são nadas positivas para as águas de Furnas e Peixoto, visto que há necessidade de gerar muita energia para atender a demanda brasileira e não temos boas previsões de chuvas a curto prazo”, relatou o secretário.