Destaques Entrevista de Domingo

“Gerar emprego e renda será minha prioridade”

Por Adriana Dias / Da Redação

23 de novembro de 2020

Foto: Reprodução

O que eu posso afirmar é que a gente quer enxugar a máquina pública. Tem que cortar na carne.” O prefeito eleito de Passos, Diego Oliveira abre a série de entrevistas com os chefes de Executivos de algumas das cidades da região, que a Folha traz a partir deste domingo. O prefeito mais jovem já eleito em Passos, com 36 anos, disse ser também o primeiro prefeito eleito nascido em bairro. Ele é do Casarão. Criado pela avó, que já faleceu, assim como seus pais falecidos. Atualmente, sua família é sua esposa e seus dois filhos. Leia a entrevista:


Folha da Manhã – Qual será seu primeiro ato administrativo, que vai significar a marca de sua administração, como prefeito?

Diego – Os primeiros atos serão no sentido de correr atrás de recursos para Passos visando a geração de empregos e renda. Precisamos mudar a realidade financeira do nosso município. Hoje, Passos carece de investimentos, e, nós precisamos captar recursos para tentar dar respostas rápidas. Um exemplo é com relação às cirurgias eletivas. A gente precisa resolver isso, a gente sabe que nossa equipe chegando lá no dia 1º de janeiro, não teremos recursos para fazer cirurgia de pronto. Então, eu preciso ir atrás desses recursos para a gente darmos essa resposta rápida.

FM – Então, essa vai ser a sua marca de administração?

Diego – A marca mesmo será a geração de empregos. É uma bandeira que eu levantei. Não dá para falar de qualidade de vida se nós não tivermos empregos, então essa vai ser minha marca de governo. E faz tempo que já estamos atuando neste sentido. Na verdade, durante toda a campanha. Lembrando que sempre a saúde e educação são prioridades e não tem jeito, não tem como fugir, mas hoje em dia estou com a bandeira da geração de empregos. Para isso, já estou em busca de empreendedores que queiram investir em Passos, inclusive investidores internacionais. Empresas grandes já estão entrando em contato com nossa equipe, com interesse de vir para Passos. Temos que buscar meios de ‘vender’ a nossa cidade, apresentando a nossa cidade com todo o potencial que ela oferece.

FM – O Instituto Ibrachina pode ser um dos caminhos na busca de empresas, como uma alternativa de geração de empregos?

Diego – É uma possibilidade. Porque veja bem, tudo que é para trazer recursos para a cidade, é benéfico. E claro, não é a qualquer custo, sempre dentro do razoável e dentro do legal, a gente tem que atrair investidores para Passos, mas tudo tem que ser bem analisado e tem que ter cautela.

FM – Pretende rever todos os contratos da prefeitura, como o transporte coletivo, coleta de lixo, mão de obra terceirizada da MGS e outros?

Diego – Costumo dizer que, a respeito do que está dando certo, não devemos mudar. O lixo, que sempre gera reclamações, já foi alvo de investigação, isso a gente vai ter que chegar, conversar e analisar os contratos e convênios para ver em que situação está. Porque, por exemplo, a CAF, do transporte coletivo, está passando por esse chamamento que teve em junho agora, que foi emergencial, então a gente acredita que esse momento de transição, inteirando com tudo, nós vamos ver o melhor caminho.

Porque, o ideal para o transporte público é a gente fazer um chamamento através de concessão, de 10, 15 anos. E isso, sempre funcionou e ainda dá segurança para o empresário que vem para Passos também. Porque a licitação pública, o processo licitatório, a gente sabe que é demorada, pois uma licitação tem o prazo de 12 meses, que pode ser prorrogada, de acordo com a conveniência do poder público.

Mas é o que estou falando, a CAF, vamos preparar essa nova modalidade de licitação através do chamamento público e a estudar alternativas. Com relação à MGS, nós não temos interesse nenhum de mexer, do jeito que ela está, vai continuar. Tem uma segurança e não teremos cabides de emprego. A terceirizada dá segurança, pois é por processo seletivo. Serei um prefeito meritocrata e a MGS tem esse viés, ela contrata através de processo seletivo, análise curricular e isso dá segurança. Então não é indicar por indicar, então eu faço questão mesmo que continue dessa forma, justamente para valorizar quem é mais capacitado e valorizar quem estudou, eu sou muito disso.

FM – Você é uma pessoa que colocou muito a sua qualificação como ponto importante na campanha eleitoral. A sua equipe será composta por pessoas qualificadas?

Diego – Não tenho dúvidas. Essa questão da capacitação tem que ser prioridade, porque não adianta nada eu colocar um secretário de Obras, por exemplo, que não tenha o mínimo de formação. Não precisa necessariamente ser um engenheiro, pode ser um arquiteto, mas que tenha qualificação. Então, um dos critérios para escolher o secretariado vai ser assim. Pode, eventualmente, ter alguém que não seja com exatamente uma graduação específica para a área, mas que tenha pelo menos algo que tenha relação, por exemplo, o secretário de Indústria e Comércio, tem que ser pelo menos um empresário, alguém que entenda do setor.

FM – O seu partido fez um vereador, que é o Maurício Silva, da Cemig, ele vai ser um articulador de seu governo na Câmara ou você vai utilizar a capacidade técnica dele de gestão, pois ele trabalhou muito tempo na Cemig, para ser um dos seus secretários?

Diego – Não, o Maurício vai ficar na Câmara. E ele tem uma coisa interessante que é a articulação política. Sempre trabalhou na Cemig em atender as pessoas.

FM – A prefeitura hoje tem mais de 100 cargos comissionados, os outros prefeitos passados usaram esses cargos, ninguém tirou, todo mundo manteve esse número exorbitante. Você tem intenção de diminuir isso ou pretende manter, se entender que isso é o necessário?

Diego – Na campanha eu abordei muito isso. O que a gente puder fazer para enxugar a máquina pública, vamos enxugar. Não dá para falar de comissionados, sem cobrar os comissionados. Banalizaram muito um comissionado, justamente porque os caras são cabide de emprego, pois chegam, não trabalham e não fazem nada. A gente quer moralizar isso, então saber se eu vou chegar, concordar ou manter, eu não sei. O que eu posso afirmar é que a gente quer enxugar a máquina pública. Tem que cortar na carne.

FM – Daqui a dois anos teremos eleição e o seu partido, pelo menos por enquanto, não tem nomes para a Assembleia e Câmara Federal. Já estuda apoiar o surgimento de novas lideranças ou pretende se aliar às lideranças já existentes?

Diego – Não tem a mínima possibilidade de eu deixar na mão aquilo que o povo me confiou, que é ser o prefeito de Passos. Com relação a 2022, eu não tenho nenhum conceito formado ainda, acho que é ainda muito prematuro, embora a política acaba uma e já começa a outra. Mas eu ainda não tenho nenhum conceito formado nesse sentido e no meu partido não tem ninguém que está aspirando ao legislativo. Acho que tudo é uma construção, não dá para falar de uma política imediatismo. Vamos tentar construir algo nesse sentido, mas a princípio não temos nada ainda.

FM – Durante a sua campanha, você sentiu alguma repulsa por conta do seu partido ser o que elegeu o presidente, embora o presidente não esteja mais no seu partido, ou não teve isso?

Diego – Sempre tem. Acaba que traz o mérito e demérito. Se você parar para pensar tudo o que é mais duro do lado da esquerda, eles acabam associando ao Jair Bolsonaro, que está no partido, eu fiz campanha do Bolsonaro, em Passos, então ficamos com uma certa repulsa, as pessoas às vezes falavam “ah, não vou votar em você porque você é 17”. Infelizmente tem isso, sempre tem.

FM – Vamos falar da parte da cultura que é algo que Passos tem uma balança bastante desequilibrada. Ao longo da história de Passos, exemplos maravilhosos da nossa capacidade artística, do povo aqui, mas por outro lado, vários governos passados deixaram essa cultura ou morrer. Você tem alguma proposta?

Diego – Oxigenação. Eu sou da área artística, sou músico, então sabemos que é preciso abrir o leque da cultura de Passos. Quando se fala em cultura, a gente não pode limitar apenas com a do teatro, temos outras questões que a gente tem que abordar. Por exemplo, música, dança, folclore, vamos explorar tudo isso. Vou buscar parceria público-privado e quero ser o prefeito das PPPs de Passos.

Essa parceria pública-privada é de grande importância, o novo modelo de gestão hoje é essa questão de parcerias, porque o município não consegue abraçar mais. Quando você pega Passos, a gente tem um poder substancial tão forte e bacana, que se a gente não tiver essa parceria com o setor privado, não tem jeito. E na cultura, não tem como ser diferente. O que a gente puder fazer para aglutinar empresas e pessoas de fora para estar ajudando, sem dúvidas vamos fazer também.

FM – Pensa em excluir alguma das secretarias? Ou criar alguma outra?

Diego – Existe a possibilidade de fusão sim. Sobre criação de secretarias, temos a intenção de criar a secretaria de Segurança Pública, só que não é um viés imediato. Nós precisamos ver o impacto orçamentário, tem que passar pela Câmara, então é um estudo. Mas nesse governo nosso, pretendemos criar essa secretaria e com ela vem a guarda municipal.

FM – Você vai se reunir com os vereadores eleitos?

Diego – Sim, semana que vem a gente já está marcando uma reunião para bater um papo, alinhar, estreita as conversas. Não dá para falar de Executivo sem o Legislativo, são poderes independentes, mas são harmônicos e precisam estar conversando sempre. Então, vou manter esse diálogo com a Câmara, porque temos pautas para Passos e dependemos do Legislativo.

FM – Que dia começa a transição?

Diego – Nós estamos estruturando a equipe e talvez nesta segunda-feira, 23. Estamos alinhando. O atual prefeito Renatinho tem facilitado e abriu as portas da prefeitura. Nós temos um bom diálogo e isso é demais, ele abriu as portas para a gente, colocou seu secretariado à disposição para estar conversando e abrindo as contas públicas.

FM – Você estuda a possibilidade de aproveitar algum dos secretários desta administração? E quando anuncia seu secretariado?

Diego – Sim. Existe a possibilidade, não é real, mas a gente está vendo. Com relação aos quadros do secretariado em dezembro, talvez antes do Natal. Porque temos que ter muita cautela para escolher o secretariado e eu não quero escolher por escolher. A sociedade quer uma resposta eficiente, então a gente vai escolher com esta preocupação.

FM – Qual foi a primeira atitude quando soube do resultado da eleição?

Diego – A equipe se reuniu e agradecemos. Fizemos uma oração no comitê.

FM – A primeira-dama também tem um papel, normalmente, no âmbito social, a sua esposa vai ter?

Diego – A princípio nenhuma aspiração. Ela é muito discreta e pretende continuar cuidando profissão dela, como fisioterapeuta e, a princípio, não tem nenhuma aspiração não.

FM – Uma das maiores reclamações dos últimos 20 anos, aqui na Folha é com relação a buracos nas ruas. O que você vai fazer em relação a esta questão?

Diego – Não dá para falar também porque Passos é uma cidade muito grande para dar uma resposta rápida, mas nós queremos fazer com a maior brevidade possível essa operação tapa-buraco. Vamos verificar dos contratos prontos e licitados o que é possível fazer e esgotar as possibilidades dessas licitações, talvez fazer uma outra, até que a gente consiga autorização para a criação de uma usina de asfalto, capacite a mão de obra e assim, tapar os buracos.

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