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Gado de corte segue com preços firmes

10 de outubro de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – Pecuaristas da região estão satisfeitos com os preços da carne bovina, já que, conforme a cotação apresentada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), nesta semana, a arroba do boi gordo ficou em R$253,77 no mercado físico, o que equivale a alta de 10,13% em relação à primeira quinzena do mês de setembro. Uma das justificativas para a valorização do gado de corte é o grande volume nas exportações, que se intensificou desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Embora seja um período favorável aos produtores de gado, os investimentos também aumentaram, visto que os principais grãos que compõem o trato dos animais também tiveram reajuste nos preços. De acordo com o Cepea, a cotação do milho encerra a semana a R$67,26, a saca de 60 quilos, enquanto a soja fica em R$153,20. Ainda conforme a instituição, outra razão que eleva os preços é a escassez mundial de bois para abate, considerando que os pecuaristas ficaram receosos ao investir no setor e, com isso, boa parte do rebanho nacional ainda não está pronto para ser consumido.

Para João Carlos Lemos, engenheiro agrônomo, o mercado é uma incerteza e os valores podem recuar a qualquer momento. “A tendência é que os preços se mantenham firmes, mas sabemos que tudo pode mudar quando menos esperamos. O mais aconselhável é que os profissionais negociem os bois enquanto sabemos que os rendimentos serão positivos, especialmente porque não é barato investir neste setor e ninguém quer perder dinheiro. Por mais que o gado ainda não esteja pronto para o abate, sabemos que comprador é o que não falta, então temos que aproveitar as oportunidades antes que elas passem”, aconselhou.

O pecuarista Vinícius Lemos Maia atua nesta área há cerca de 10 anos e, além da criação dos animais de corte, é o proprietário de uma empresa que fornece insumos para confinamento e frigoríficos. O empresário conta que, embora o Brasil seja o maior exportador de carne bovina do mundo, também é o país que apresenta os menores preços e, ainda, cerca de 70% do produto costuma ficar no mercado interno. Neste ano, com situações atípicas, o número foi reduzido e, com isso, 50% da mercadoria foi destinada às exportações. Maia também destaca que espera bons rendimentos e acredita na possibilidade de que a cotação seja ainda mais alta até o fim do ano.

Nosso comércio está escasso e, por isso, é difícil prever o quanto o preço da carne bovina ainda vai subir, mas acho que a arroba pode alcançar os R$270. Tecnicamente, melhoramos a cada dia e criamos bois mais pesados, então o produto brasileiro é acessível para quase todos os países. Neste período, o índice de exportação é alto e os chineses estão entre os principais clientes, uma vez que o local está sem proteínas disponíveis para compra”, esclareceu o pecuarista.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a soma dos resultados indicados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostra que, em setembro, o país exportou mais de 165 mil toneladas de carne bovina in natura ou processada, enquanto no mesmo período do ano passado o total ficou em pouco mais de 150 mil. Neste mesmo mês, apenas a China recebeu quase 110 mil toneladas do produto brasileiro, sendo 22,03% a mais em relação ao mesmo período de 2019.