Destaques Moda

Força criativa

Por WAGNER PENNA / Especial para a Folha

1 de março de 2021

O vestido-bolsa Moschino: fechamentos no busto e braços. / Foto: Divulgação

As recentes coleções de alta-costura, em janeiro, registraram alguns dos melhores momentos criativos da moda mundial nos últimos anos. A restrição em razão da covid-19 forçou a apresentação virtual, mas isso só enriqueceu o assunto, permitindo truques e recursos tecnológicos que, ao vivo, não seria possível aplicar.

Felizmente, parece que o vírus da criatividade está se contrapondo à altura à virulência da pandemia, pois as coleções do prêt-à-porter (mostradas em fevereiro) também esbanjaram riqueza criativa. Em alguns momentos, lembrou até a ousadia dos pioneiros como Chanel e Schiaparelli e suas propostas surrealistas nos anos 1930.

Dois exemplos radicais foram as da Mochino e da Prada: um fez uma bolsa-vestido e o outro propôs uma luva-bolsa. O formato cinefashion do Moschino ficou impecável. O formato fashioninbox da Prada, nem tanto. Mas ambos mostram que a moda agiu e reagiu a esses tempos tão difíceis de modo pleno e força criativa. Que tenhamos essa mesma energia por aqui, nos próximos lançamentos made in Brazil.


VAIVÉM

A turma da moda anda inquieta com a possibilidade de falta de novidades (no quesito tecidos) para a próxima termporada. Consta que os pedido feitos na China, ainda no ano passado, vão chegar em abril. Faltaram contêineres por lá para enviar os panos para cá. E aí o atraso nas coleções de verão 2022 será inevitável.

***

O estilo Comfy (isto é, com pleno conforto para ficar em casa no momento-pandemia) faz seu primeiro bilionário no nosso pais. É que a marca Usaflex (até agora ligada à moda conforto para a melhor idade, isto é, acima de 50 anos) agora também vai entregar produtos confortáveis para os mais jovens. Assim, pretende ultrapassar o faturamento de R$1 bilhão em dois anos. Amém.


PONTO FINAL

Com uma transmissão virtual de sua reunião, tomou posse a primeira diretoria da Associação dos Criadores e Estilistas de Minas Gerais (A.Criem), cujo presidente é o Antonio Diniz. A iniciativa vem em boa hora, momento de valorizar a criação fashion mineira – considerada a mais efervescente do pais. Se no plano criativo alguma coisa está sendo feita, a visão empresarial da moda ‘made in Minas’ precisa de um choque de atualização. Principalmente no que toca à velocidade das decisões e das ações. Estamos sendo engolidos por regiões mais dinâmicas – embora menos fashion.