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Fim do auxílio emergencial agrava queda no consumo

Por Gabriella Alux/ Especial

5 de março de 2021

Um dos motivos notados foi que, devido a ingestão do auxílio emergencial, foi visto uma extrapolação nas compras. / Foto: Divulgação

PASSOS – A queda no consumo das famílias, que atingiu 5,5% em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode ter se intensificado nos últimos dois meses, em Passos, por conta do fim do pagamento do auxílio emergencial. Além da diminuição, mudanças nos hábitos também têm sido verificadas em função de aumento nos preços e dificuldades causadas pela pandemia. Os resultados das Contas Nacionais Trimestrais, divulgados na última quarta-feira pelo IBGE, registram diminuição de 5,5% no consumo das famílias no ano passado em comparação a 2019.


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Para a gerente de supermercado Flávia Rosa dos Reis, houve mudanças no consumo das famílias entre 2019 e 2020 por conta da pandemia. Segundo ela, nos últimos dois meses foi observada uma diminuição considerável.

Um dos motivos notados foi que, devido ao pagamento do auxílio emergencial no ano passado, foi visto uma extrapolação nas compras para festas de Fim de Ano, uma vez que muita gente, mesmo entre as dificuldades, comprou itens supérfluos, principalmente carne, bebidas e doces. Por isso, vejo um controle e corte maior nas compras hoje em dia”, disse.

Segundo Flávia, os consumidores devem aproveitar a data de pagamento e combinar com as promoções feitas por supermercados em início de mês e prioriza as compras essenciais.

Mesmo com os contratempos atuais, muita gente continua comprando supérfluos em vez de focar em adquirir os produtos da cesta básica e controlar os gastos de forma melhor e equilibrada”, afirma.

A dona de casa Marilene Souza Carvalho Chaves aponta que o auxílio emergencial não foi suficiente para evitar cortes de gastos em sua família, composta por quatro pessoas.

Retirei os itens excessivos e continuei comprando apenas os produtos necessários para o dia a dia. Anteriormente, as compras mensais, para mim, ficavam em R$1.700 e, neste mês, já subiu para R$3.000. Ou seja, mesmo eu não comprando algumas mercadorias como café e carne por ter uma roça, os valores praticamente dobraram”, declarou.

Para a professora Sílvia Maria Rodrigues, seu consumo e o da família, que constitui de três pessoas, diminuíram consideravelmente, principalmente diante dos aumentos nos preços.

A alternativa foi substituir os alimentos com o mesmo ou próximo valor nutricional, só que mais acessíveis para que tenhamos condições de conduzir essa fase de maior desafio da pandemia da melhor maneira que pudermos. Além de seguir no foco para reduzir os custos, também fomos buscando elaborar receitas caseiras”, disse.


Nutricionista aponta para importância dos alimentos in natura

PASSOS – nutricionista Ketsia Benício enfatiza a importância de ler os rótulos e preferir alimentos in natura.

É possível perceber que boa parte dos alimentos industrializados tem ingredientes com nomes desconhecidos, que certamente não fazem bem à saúde. Por isso, é preferível sempre escolher alimentos in natura, como frutas, legumes e verduras. Um dos argumentos que mais vejo é que os produtos naturais são mais caros, mas, se for comparar, compensa bem mais essa opção”, comentou.

Uma das estratégias para manter uma alimentação nutritiva, mesmo em tempos de alta no preço dos alimentos, é aproveitar os vegetais e frutas de época. Em março, é mais favorável comprar frutas como abacate, abacaxi, ameixa, bananas nanica e maça, coco verde, figo, goiaba, limão, maça, mamão e uva. Alface, coentro, repolho, rúcula e salsa também são produtos desta época do ano e, em relação aos legumes, é aconselhável comprar abóbora, abobrinha, berinjela, beterraba, chuchu, gengibre, inhame, jiló, milho-verde, pepino, quiabo e tomate.

Ketsia também dá dicas de como substituir os doces por opções mais naturais e para evitar compra de supérfluos.

O chocolate meio amargo é mais saudável que o ao leite e fazer sucos direto da fruta é mais sensato do que as opções em pó. É possível trocar as gorduras ruins pelas boas, com alimentos como abacate, azeite e nozes e também, os temperos artificiais pelos naturais. Para evitar maiores gastos, é possível ainda substituir a sobremesa por frutas”, disse a nutricionista.