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Fim da Ford Brasil: concessionárias da região tranquilizam os consumidores

14 de janeiro de 2021

Ford Ka e ecosport são alguns dos modelos que deixam de ser produzidos no país com encerramento da produção no brasil. / Foto: Divulgação

Pouco depois de completar um século de Brasil, ao invés de comemoração, a Ford fechou a planta de São Bernardo do Campo/SP, e na última segunda-feira, 11, anunciaou o fim da produção nacional, com o fechamento das unidades de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da fábrica da Troller (CE). A alegação são as perdas significativas acumuladas por questões como pandemia, capacidade ociosa e redução de vendas.

Apesar de demitir cerca de 5.000 empregados, a gigante do oval azul promete manter importantes setores como engenharia e o Campo de Provas de Tatuí (SP), além de continuar com as vendas de carros, porém, importados. Mas fica a pergunta: “O fim da produção de EcoSport, Ka, Ka Sedan e Troller T4 pode afetar o consumidor?

A marca garante em nota que não. “A Ford estará ativamente presente no Brasil com sua rede de concessionários e continuará honrando a garantia de seus veículos, oferecendo assistência total ao consumidor com operações de vendas, serviços, peças de reposição, normalmente, após a garantia”. Os modelos continuam em vendas até que durem os estoques.

As concessionárias da marca em Passos, Formiga e São Sebastião do Paraíso – e que pertencem a uma única empresa (a Eufrásio de Carvalho Automóveis, com matriz em Formiga), divulgaram na terça-feira um comunicado, anunciando que “Uma Nova Ford Vem Aí”. Nela, a Auto Oeste faz o relato da decisão da montadora e reafirma o seu compromisso com os clientes.

A Auto Oeste reforça seu compromisso com a marca e seus clientes em continuar oferecendo as melhores condições para você conquistar seu Ford, e a melhor estrutura de atendimento de serviços para dar continuidade à manutenção de seu veículo Ford nacional ou importado”, diz o comunicado.

Mas o consumidor Ford teme desvalorização. Em resposta às dúvidas, o consultor automotivo Paulo Garbossa, da ADK Automotive, esclarece que nada muda. Ele argumenta que o consumidor é a parte menos afetada nessa história. “Quem, realmente, perde com o fechamento das atividades nas fábricas da Ford é a economia do Brasil, principalmente, com a perda de milhares de empregos diretos e indiretos que isso vai causar”.

Ele ressalta que a Ford, “não está saindo do Brasil, mas apenas fechando uma parte das atividades”. Assim como aconteceu com a Mercedes-Benz, que fechou as portas da fábrica de Iracemápolis (SP), deixando de produzir o SUV compacto GLA e o sedã médio Classe C, o cenário real permanece inalterado. “A fábrica fechou, mas os carros continuam sendo importados e eles (a Mercedes-Benz) continuam trazendo peças de reposição.

Garbossa explica que não há necessidade de preocupação, afinal, a Ford esteve no Brasil por 100 anos. Isso refletiu na produção de uma infinidade de peças de reposição.

Até hoje, por exemplo, empresas continuam produzindo peças de modelos como Corcel, Pampa (foto abaixo) e até Landau. Mesmo sem fabricação de carros no País, o mercado vai se adequando. Coloquemos aí, também, o processo de globalização que, hoje, possibilita a compra de peças pela internet, por exemplo”, explica o consultor.

Já o consultor Fernando Trujillo, da IHS Markit, acredita que o impacto para o consumidor não deva ser tão pequeno em termos de atendimento.

O número de concessionárias deve cair (preferiu não falar em porcentagem neste primeiro momento) por conta da queda de vendas, afinal, a partir de agora, a Ford trabalhará apenas com veículos importados e de segmentos superiores, derrubando a demanda de compra”, enfatiza.

Além de ficar mais cauteloso em relação ao pós-vendas, por questões de custos, prazos e pontos de serviço, o consumidor também passa a temer a desvalorização do carro. De acordo com Trujillo, ela de fato vai acontecer. “Mas quanto o preço vai cair? Não sabemos! Afinal, (por conta dos vários fatores envolvidos) é difícil quantificar!”, pondera.