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Fechamento prolongado da rodoviária gera manifestação

22 de abril de 2020

PASSOS – Os motoristas profissionais de Passos que estão impedidos de trabalhar nestes tempos de coronavírus em razão de decreto municipal, programaram para esta quarta-feira, dia 22, às 9h, em frente ao prédio da prefeitura, na praça Geraldo da Silva Maia, centro, uma manifestação reivindicando a volta dos serviços prestados no Terminal Rodoviário Tancredo de Almeida Neves. O principal objetivo do movimento popular é sensibilizar a administração municipal a reconhecer que milhares de pessoas que trabalham e empresas como viações ou possuem veículos de turismo possam exercer suas funções o mais breve possível.

O Decreto Municipal número 1.573 assinado dia 3 de abril destaca que “visando asseverar o controle de acesso de pessoas originárias de outros locais do Estado e país em razão da pandemia ficam suspensos no período de 21/03/2020 à 12/04/2020, os serviços prestados pela rodoviária municipal, inclusive a utilização das plataformas de embarque e desembarque por veículos e os serviços de comercialização de passagens, independente de origem ou destino”.

Posteriormente, foram publicas as normas de funcionamento do comércio passense a partir do dia 13 deste mês, e juntamente com o documento, os serviços prestados pelo Terminal Rodoviário Municipal foram prorrogados até o dia 19 de abril, porém, na última sexta-feira, dia 17, através do decreto 1.586.20, o local continuará fechado por tempo indeterminado

“Nós que trabalhamos nas empresas de ônibus que detém o direito de realizarem trajetos intermunicipais, interestaduais, inclusive de turismo, donos de vans particulares e similares estamos parados a mais de um mês porque os veículos não podem deixar a cidade. Vivemos destes serviços para o sustento de nossas famílias e outros compromissos financeiros mensais. Se o prefeito Renatinho Ourives continuar impedindo as empresas de colocarem seus carros para rodar, vamos morrer de fome, porque emprego não há nem para fazermos bico. São milhares de motoristas, cobradores, os que trabalham nos guichês da rodoviária, lavadores de veículos nas garagens, funcionários de escritórios das empresas em dificuldades financeiras”, disparou um dos representantes do comando da paralisação, Paulo Sérgio de Souza Freire, o Alemão.

De acordo como decisão do grupo de manifestantes, a proposta a ser entregue ao prefeito Renatinho Ourives é que o terminal seja reaberto nos próximos dias, mas com restrições. “Queremos que sejam respeitadas com rigor todas as normas para se evitar o contágio do coronavírus. Por exemplo, ônibus com a capacidade de passageiros pela metade, uso obrigatório de máscaras e álcool em gel oferecido pela empresa de viação, manter o distanciamento entre um e outro dentro do veículo a ser higienizado na saída e chegada na garagem e outras exigências que a administração municipal queira impor. Queremos é voltar a trabalhar normalmente nem que seja aos poucos”, clamou Alemão.

 

Decisão estaria incentivando clandestinidade

PASSOS – A proibição do transporte de passageiros em veículos coletivos por parte da prefeitura de Passos tem aumentado consideravelmente a clandestinidade no setor, afirmou Alemão.

“Nas duas principais entradas e saídas da cidade não há nenhum controle de quem sai ou entra no perímetro urbano. Com isso, muitas pessoas que trabalham nas cidades vizinhas ou até mesmo no interior do estado de São Paulo, alguns que fazem tratamento de saúde, organizam lotações em carros de passeios, táxis ou veículos que rodam através de chamadas de aplicativos. O pior é que todos viajam sem nenhuma segurança e nem respeita as normas para se evitar o contágio do vírus. Os passageiros não usam máscaras e todos grudado uns aos outros”, denunciou.

Alemão revelou que a situação dos motoristas e funcionários em geral das empresas está cada vez pior. “Muitas vão manter os contratos até o final de abril. Se não voltar à normalidade vão demitir todos. Algumas já mandou embora mais da metade. Para amenizar a crise, outras como a União, está antecipando o 13º salário em três parcelas. Depois disse vai mandar todo mundo para a rua caso os ônibus em Passos não voltem a circular, porque o fechamento da rodoviária é só aqui em nossa cidade. Na região e interior de São Paulo nenhuma teve o serviço interrompido”, finalizou.