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Fechamento e onda roxa geram desconfiança no comércio

Por Mayara de Carvalho / Redação

23 de abril de 2021

A proibição do funcionamento deixou os comerciantes desconfiados com à retomada da economia. / Foto: Divulgação

PASSOS – Dirigentes empresariais de cidades da região apontam que as restrições ao comércio durante a onda roxa, a mais rígida do Minas Consciente, refletiram em pessimismo no setor. Segundo eles, a proibição do funcionamento deixou os comerciantes desconfiados em relação à retomada da economia.

Em março, o Índice Sebrae de Confiança dos Pequenos Negócios (Iscon) caiu 17 pontos em relação a fevereiro, de 109 para 92, em Minas Gerais. No comércio, a queda foi de 23 pontos e o segmento aparece com o pior resultado na pesquisa (87). Segundo o gerente do Sebrae nas regiões Centro-Oeste e Sudeste de Minas, Leonardo Mol de Araújo, o fechamento das atividades comerciais sem previsão de abertura gerou descrença no empresariado.

Quando o empresário não tem confiança do retorno das atividades, como tivemos há pouco tempo, passamos a ter esse clima de desconfiança”, afirma. De acordo Araújo, com a volta das atividades, a confiança retornará e a expectativa é de mais otimismo.

E uma melhoria muito grande no segundo semestre devido às vacinações no país, que cada vez mais tem ocorrido. Infelizmente, tivemos um acúmulo de situações. Empresas cada vez com menos caixa, o que gera desespero no estabelecimento. Porém, vemos uma melhora boa a curto prazo e acreditamos que teremos estabilidade, no segundo semestre, e mudanças na economia, para melhor”, disse.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojista de Passos, (CDL), Frank Freire, afirma que o pessimismo do empresariado é geral.

Discordo da onda roxa, ela não tem sentido nenhum. O comércio funcionou normalmente no feriado de quarta-feira e não houve aglomeração alguma”, disse.

Segundo ele, as empresas não aguentam um próximo fechamento.

Se houver fechamento, vamos avançar para um caos social. Vamos ver lojas quebrando e pessoas perdendo emprego. Esperamos que as autoridades municipais consigam comprar vacinas e que as doses cheguem o mais rápido possível, fazendo dessa forma, com que a economia deslanche novamente”, disse.

Para o presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de São Sebastião do Paraíso (Acissp), Ailton Sillos, a esperança é a vacina.

Não sabemos o que pode acontecer. Estamos nos desdobrando para ajudar os pequenos empresários e temos que ter cuidado, pois qualquer coisa que fazemos hoje reflete no amanhã. Infelizmente, mesmo abrindo novamente, após tantos decretos, tem gente que já quebrou e não abre mais”, afirma.

Segundo Sillos, a esperança é que a vacinação avance.

Com a vacina chegando, atendendo de forma mais difundida, acreditamos que as coisas melhorem. Estamos esperançosos. Essa onda roxa pegou todo mundo”, falou Sillos.

A presidente da Associação Comercial e Empresarial de Piumhi (ACE), Cláudia Faria, afirma que o governo precisa ajudar as empresas e que o comércio conta com o movimento do Dia das Mães.

Ficamos muito tempo fechados. Agora contamos com o dia das mães, precisamos que a economia melhore. É preciso diminuir impostos, nos ajudar com empréstimos com juros menores e prazos maiores para pagamento e não podemos fechar novamente, não teremos como pagar as dívidas se não abrirmos”, disse.

Para o gerente-executivo da Associação Comercial e Empresarial de Itaú de Minas (Aceim), Ronilson Márcio Pereira, o setor do comércio está sem expectativa.

Não temos certeza de nada. Ficamos muito focados na Santa Casa de Passos para acompanharmos a lotação do hospital. Além disso, o pessoal que trabalha com moda não sabe se aposta no inverno, se aposta na primavera e os aluguéis de imóveis estão caros. O comerciante tem contas fixas. Contudo, pode ser que os casos de covid-19 piorem no inverno, então temos que ficar atentos”, disse.

De acordo com Ronilson, o maior problema é a incapacidade de planejamento.

E só planejando teremos um norte. Estamos incapazes de planejar qualquer coisa. Torcemos para tudo melhorar. Fechamos, usamos máscara, usamos álcool em gel, contudo, a corda sempre arrebenta do nosso lado. Não vemos novos respiradores e hospitais de campanha. É só o povo que se esforça para colaborar na pandemia, não vejo o outro lado, o governo não faz nada, infelizmente”, disse.