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Fechamento do comércio em feriados gera divergências

18 de Maio de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS — A rejeição da Câmara Municipal de Passos ao Projeto de Lei Número 011/2020, de autoria do poder executivo, que suspenderia os feriados de 14 de maio e 6 de agosto para a abertura do comércio continua a gerar polêmica.

Conforme Gilson Madureira, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Passos (SindPass), a normalização das atividades nos feriados poderia amenizar os prejuízos econômicos gerados durante o período de quarentena. Para Davi de Oliveira, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Passos (Sindcom), os feriados não representam modificações significativas, uma vez que os consumidores poderão voltar a realizar suas compras normalmente após as datas comemorativas.

Madureira disse estar desapontado com a decisão dos vereadores. “Eu realmente fiquei decepcionado com os parlamentares que votaram pela não abertura do comércio nas referidas datas. Alguns deles, inclusive, são comerciantes e deveriam compreender que, mesmo de portas fechadas, os estabelecimentos continuam com custos fixos e variáveis”, disse.

Ainda conforme o presidente do SindPass, neste momento, seria necessário ter o apoio da Prefeitura Municipal, Ministério Público, Promotoria de Justiça, Secretária de Saúde e demais trabalhadores, os quais, estariam conjuntamente favoráveis à recuperação econômica.

Temos que ficar de portas abertas enquanto temos oportunidade. Os nossos colaboradores também estão inseguros quanto à possibilidade de desemprego ou baixa nas comissões. Hoje, no comércio, todo mundo quer trabalhar com responsabilidade, respeitando as imposições necessárias para diminuir a propagação da covid-19. De fato, nenhum funcionário quer depender dos R$600 do governo”, considerou.

Devido às incertezas do ritmo de propagação do vírus no município, para o presidente do SindPass, o período atual de funcionamento comercial representa um meio para minimizar possíveis impactos negativos no futuro.

Não queremos sacrificar ninguém, a demissão é algo negativo para todas as partes. Para que amanhã a gente possa ter mais certeza da manutenção das atividades comerciais e empregos, é interessante trabalharmos o quanto antes para ganhar tempo. Quanto mais a gente trabalhar agora, com responsabilidade, mais teremos estrutura para suportar um possível novo fechamento do comércio. Esperamos que isso não volte a acontecer, mas temos que pensar em todas as possibilidades”, completou.

Em contrapartida, Davi de Oliveira, agradeceu os vereadores que rejeitaram o projeto de suspensão de feriados.

Prevaleceu o respeito aos trabalhadores. O fechamento comercial hoje não altera muitos fatores relacionados aos prejuízos comerciais, uma vez que, em tempos fora de pandemia, o feriado, em especial este do dia 14, já manteria a maior parte do comércio fechado. Outro ponto a destacar é que, comumente em situações passadas, na presente data, muitos munícipes viajavam e não estão presentes para realizar aquisições”.

Votação

Em relação as divergências de opinião em relação a votação, Rodrigo Moraes Soares Maia, o presidente da Câmara Municipal de Passos, informou que a decisão foi tomada a partir da maioria dos votos.

Foram sete votos contra o projeto e dois favoráveis. Os vereadores agiram de acordo com suas convicções, eu não votei porque não houve necessidade, porém, após o resultado, eu deixei claro meu posicionamento, que seria favorável. Além disso, não achei que o PL teria tanta repercussão na cidade”, complementou.