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Faturamento de clubes brasileiros pode cair até 28% devido à pandemia

3 de agosto de 2020

SÃO PAULO – A pandemia de covid-19 pode provocar este ano uma queda de até 28% no faturamento dos times brasileiros de futebol e aumentar a diferença esportiva entre eles, de acordo com um estudo divulgado esta semana pelo banco Itaú BBA.

Esse resultado será devido a um colapso de até 80% da arrecadação de bilheteria e 50% da receita gerada pela venda de jogadores, contratos de publicidade e programas de fidelidade para torcedores, diz o estudo do economista Cesar Grafietti.

Isso significaria uma redução de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,7 bilhão (22% a 28%) em comparação com os R$ 5,8 bilhões arrecadados em 2019. Calculada em dólares, a queda seria ainda maior, pois o real sofreu uma desvalorização de 30% em relação ao ano passado.

O estudo foi baseado nas 24 principais equipes do ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), incluindo 18 das 20 que jogaram na Série A em 2019. O impacto financeiro da pandemia pode aumentar ainda mais a diferença entre times grandes e pequenos, seguindo o caminho do que acontece nas ligas europeias.

Nos últimos dois anos, Flamengo e Palmeiras, os dois últimos campeões do Brasileirão, se distanciaram economicamente dos demais, graças a um aumento considerável de sua renda, o que os coloca “em uma vantagem competitiva importante”, destaca o estudo.

Graças aos seus dois títulos (do Campeonato Brasileiro e da Libertadores), e ao vice-campeonato do Mundial de Clubes, o faturamento do Flamengo saltou de R$ 559 milhões em 2018 para R$ 841 milhões no ano seguinte. O Palmeiras faturou R$ 635 milhões no ano passado. Os números dos dois clubes são muito superiores ao de um grupo de times formado por Internacional, Grêmio, São Paulo, Santos, Corinthians e Athletico Paranaense, cujas receitas variam de R$ 300 a R$ 400 milhões. “Aos demais resta a busca pelo aumento das receitas e pela eficiência nos gastos”, acrescenta o estudo.

O relatório alertou que “em 2019 os clubes brasileiros cresceram em receitas, mas também em custos. Aumentaram investimentos, mas junto subiram as dívidas. Se tornaram reféns ainda maiores da venda de atletas, e quem precisa, mas não negociou seus talentos, viu o chão tremer”.
Grafietti colocou Bahia, Fortaleza, Ceará e Goiás, além de Athletico Paranaense e Red Bull Bragantino (este último por ser um modelo de clube-empresa) como candidatos a fazer boas campanhas na Série A nos próximos anos, graças aos seus balanços de 2019 equilibrados, com dívidas de curto prazo inferiores a 45% de sua renda total.