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Fashion cringe

Por WAGNER PENNA / Especial

5 de julho de 2021

A calça-cenoura da Riachuelo. / Foto: Divulgação

Entre os vários desdobramentos comportamentais que as redes sociais provocaram no mundo está o fortalecimento do que pensam e fazem as novas gerações. Daí surgirem as definições para ‘millenials’ (quem tem entre 20 e 35 anos) e ‘Geração Z’(abaixo de 20 anos), e, também, os termos usados para estabelecer usos, costumes & consumos específicos dos seus integrantes.

O choque de comportamentos era inevitável e explodiu nos últimos dias com a turma da Geração Z chamando de ‘cringe’ certas atitudes & usos dos ‘millenials’. O termo quer dizer algo ultrapassado – e uma das coisas que esses consumidores adolescentes definiram como cafona foi a calça ‘skinny’ (bem justa). A peça recheou os armários dos jovens adultos de uns anos para cá, mas agora é detestada pelos adolescentes.

Por outro lado, elegeram a calça larga como a nova onda. Chamada nos anos 80 de ‘calça cenoura’ (tem a forma do vegetal: larga em cima e afunilada nas pernas) tem tudo para voltar aos cabides jovens depois de ser chamada de ‘based’ (ou seja, o contrário de cringe) pela novíssima geração. Como boa antena dos costumes, a moda acompanha tudo isso com muito humor, compreensível expectativa negocial e rapidez para colocar no mercado as novidades que essa turma curte.


VAIVÉM

A São Paulo Fashion Week parece ter encontrado um formato adequado à linguagem virtual. A saber: desviou o foco dos desfiles (que não existem mais e foram substituídos pelos vídeos e fotos) e ampliou os debates – principalmente em torno da sustentabilidade e diversidade. Bacana.

O Inverno 2021 chegou mais forte do que se imaginava e com ele a necessidade de roupas mais pesadas. Com isso, os tricôs com cara de trabalho manual da vovó voltaram a circular, muitos deles realmente retirados do fundo do armário – ou comprados no brechó. No topo das preferências, os cardigans e pulls com tramas lindíssimas na frente. Adoramos!!!


PONTO FINAL

O disse-me-disse no circuito das confecções em Beagá, é que algumas das mais estreladas marcas do bairro do Prado (onde ficam os showrooms mais bacanas da cidade) decidiram fechar suas portas, definitivamente. Enquanto umas não estão mesmo aguentando o tranco da pandemia, outras irão buscar estados onde a carga do ICMS seja mais branda. No final, quem perde é a moda mineira – e também quem precisa trabalhar e perdeu seu emprego.